A V I S O


I am a Freemason and a member of both the regular, recognized ARLS Presidente Roosevelt 75 (São João da Boa Vista, SP) and the GLESP Grande Loja do Estado de São Paulo, Brazil. However, unless otherwise attributed, the opinions expressed in this blog are my own, or of others expressing theirs by posting comments. I do not in any way represent the official positions of my lodge or Grand Lodge, any associated organization of which I may or may not be a member, or the fraternity of Freemasonry as a whole.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

As interfaces entre a Bioética e Maçonaria - ROTEIRO DE ESTUDO E/OU DEBATE

 

     B I O É T I C A       E     A   
   A  R T E    R E A L


A Bioética é o estudo sistemático da conduta humana no âmbito das ciências da vida e da saúde, à luz de valores e princípios morais. A sua natureza é interdisciplinar, buscando resolver conflitos éticos e morais decorrentes dos avanços científicos, estabelecendo interfaces entre a Filosofia, a Teologia, o Direito e as Ciências Biológicas e da Saúde, de modo a abordar sistematicamente dilemas complexos.

Aplicação Prática: É uma Ética Aplicada, focada em questões morais específicas que surgem na prática clínica e na pesquisa, como por exemplo (mas não exclusivamente) o aborto, a eutanásia, a clonagem, a fertilização in vitro e a testagem em animais ou humanos.

Foco na Dignidade Humana: O objetivo central da Bioética é a busca por benefícios e a garantia da integridade e dignidade do ser humano.

Discussão de Valores: Examina a conduta humana à luz de valores e princípios morais compartilhados em uma sociedade, o que a torna um campo de debate contínuo e reflexão. 


Os constituintes ou pilares da Bioética são os quatro princípios fundamentais do principialismo, propostos por Tom Beauchamp e James Childress em 1979, que servem como ponto de partida para a discussão e resolução de dilemas éticos: 

Autonomia: Refere-se ao respeito pela capacidade de decisão do indivíduo. Pacientes competentes têm o direito de escolher ou recusar tratamentos, e os profissionais de saúde devem fornecer informações claras para que possam dar seu consentimento livre e esclarecido.

Beneficência: Impõe a obrigação moral de agir em benefício e no melhor interesse do paciente. Profissionais de saúde devem fazer o bem e promover o bem-estar.

Não-maleficência: Conhecido pela máxima "primeiro, não prejudicar" ('primum non nocere'). Este princípio estabelece que os profissionais (especialmente os da área da saúde) não devem infligir danos intencionalmente aos seus assistidos ou pacientes.

Justiça: Exige a distribuição justa e equitativa dos cuidados de saúde, recursos e benefícios da pesquisa. Trata da igualdade de acesso e da alocação de recursos de forma imparcial. 

Estes princípios orientam a prática médica e a pesquisa científica, buscando um equilíbrio entre os avanços tecnológicos e a preservação dos direitos e da dignidade humana.


A relação entre Maçonaria e Bioética se manifesta em diversos pontos, como por exemplo:


Princípios compartilhados

 * Ética: A busca por agir com retidão e justiça, prezando pelo bem-estar individual e coletivo, é fundamental em ambas as áreas. A Maçonaria guia seus membros pelos princípios da fraternidade, liberdade e igualdade, enquanto a Bioética busca garantir a dignidade humana e o respeito à vida em todas as suas formas.

 * Liberdade de pensamento: A Maçonaria defende a liberdade de pensamento e expressão, incentivando o questionamento e o debate de ideias. A Bioética, por sua vez, reconhece a importância da autonomia individual na tomada de decisões relacionadas à saúde e à vida.

 * Responsabilidade social: Tanto a Maçonaria quanto a Bioética reconhecem a responsabilidade do indivíduo com o bem-estar da sociedade. A Maçonaria busca promover o desenvolvimento social e a justiça social, enquanto a Bioética se preocupa com o impacto das decisões biomédicas na sociedade como um todo.


Aplicações práticas

 * Reflexão sobre dilemas éticos: A Maçonaria oferece um espaço para reflexão sobre dilemas éticos, através de seus ensinamentos e rituais. A Bioética fornece ferramentas para analisar e solucionar esses dilemas, considerando diferentes perspectivas e valores.

 * Tomada de decisões conscientes: A Maçonaria incentiva a tomada de decisões conscientes e responsáveis, baseadas em princípios éticos. A Bioética auxilia na tomada de decisões informadas sobre questões relacionadas à pesquisa científica com seres sencientes, saúde, à vida e à morte.

 * Promoção da Bioética na sociedade: Maçons podem utilizar seus conhecimentos e valores para promover a Bioética na sociedade, através de ações educativas e de conscientização. A Bioética pode se beneficiar da rede de contatos e da influência da Maçonaria para alcançar um público mais amplo.


Em resumo

A Maçonaria e a Bioética se complementam na busca por um mundo mais justo, fraterno e responsável. A Maçonaria oferece um arcabouço ético e filosófico, enquanto a Bioética fornece ferramentas para a análise e resolução de dilemas éticos concretos. Através da colaboração entre as duas áreas, podemos construir uma sociedade mais ética e humanizada.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

“SOBRE A ESTUPIDEZ”, DE ROBERT MUSIL

obtido hoje de
https://www.migalhas.com.br/literarias/frase/monteiro-lobato/a-estupidez-humana-e-irredutivel


Estes nossos tempos tem sido - surpreendentemente - caracterizados por torrentes de fake-news, artigos, notícias, reportagens, postagens etc enganosas, contribuindo para o rebaixamento geral da inteligência das pessoas. A polarização de ideias chega a assustar pela virulência desmedida. A dita inteligência artificial tem contribuido para acelerar este borbulhão de asneiras, que tem sido combatido desde antigamente.


Hoje apresento trabalhos que, isoladamente ou não, tem contribuido para enfrentar esta 'epidemia' de basbaquice e despautério que, também supreendentemente, tem seduzido muitas pessoas. Parece para boa parcela da população (em todas as classes sociais, de generos e idades as mais diversas) que não é mais censurável ser 'maluquete', descabeçado, palerma, imbecil, cretino. Que fazer; dizem que os valores estão de 'ponta-cabeça'...


O primeiro é de um autor muito citado, e que numa pequena obra apresenta uma reflexão bem proveitosa, e rápido de assimilar. Boa reflexão!


“Sobre a Estupidez" (Uber die dummheit - Belo Horizonte: Editora Âyiné, 4a. ed., 2022 - 51p.) é um ensaio provocativo e irônico do escritor austríaco Robert Musil, originalmente apresentado como conferência em Viena, em 1937. Nessa obra, Musil propõe uma análise filosófica e crítica da estupidez humana, desafiando concepções tradicionais e revelando suas múltiplas facetas.


Conceito de Estupidez - Musil inicia sua reflexão reconhecendo a dificuldade de definir a estupidez de forma precisa. Ele observa que a estupidez não é simplesmente a ausência de inteligência, mas uma condição mais complexa que pode coexistir com a racionalidade e a cultura. Segundo o autor, todos nós somos suscetíveis à estupidez em algum momento, e ela se manifesta de diversas maneiras, muitas vezes disfarçada de sabedoria ou genialidade.


Tipos de Estupidez - Musil distingue dois tipos principais de estupidez:

1. Estupidez Honesta: Relacionada à limitação intelectual genuína, sem pretensões ou disfarces.

2. Estupidez Inteligente: Mais perigosa, pois é sofisticada e muitas vezes mascarada por discursos eruditos ou atitudes pretensiosas. Essa forma de estupidez é comum entre pessoas cultas que, apesar de seu conhecimento, agem de maneira insensata ou irracional.

Estupidez e Sociedade - Musil argumenta que a estupidez está profundamente enraizada nas estruturas sociais e culturais. Ela se manifesta em comportamentos como a vaidade, o julgamento precipitado e a adesão cega às convenções. O autor sugere que a estupidez é uma força que pode influenciar decisões políticas, artísticas e científicas, muitas vezes com consequências desastrosas.

    "Sobre a Estupidez" é uma obra que convida à introspecção e à crítica das próprias convicções. Musil não oferece soluções simples, mas encoraja uma postura de vigilância constante contra as armadilhas da estupidez, tanto em nível individual quanto coletivo. Seu ensaio permanece atual, especialmente em tempos de desinformação e superficialidade intelectual.

    A seguir apresentamos mais obras de Musil e de outros autores, para aqueles que desejam 'andar a segunda milha'... 'vacinando-se' assim perante as situações que por vezes não temos recursos para o correto enfrentamento.

Leituras Complementares sobre a Estupidez:

1. "Sobre a Estupidez Três Ensaios" de Robert Musil.

Além do ensaio principal, esta edição inclui outros textos em que Musil reflete sobre a condição humana e a estupidez. A coletânea oferece uma visão mais ampla do pensamento do autor sobre o tema. [1]

2. "A Estupidez e a Literatura: Três Tentativas de Robert Musil" Dissertação de Mestrado.

Este trabalho acadêmico analisa o problema moral da estupidez a partir do romance "O Homem sem Qualidades", de Musil, oferecendo uma interpretação aprofundada de sua obra. [2]

3. "Fragmentos de um Discurso sobre a Estupidez" Artigo Acadêmico.

Este artigo explora a conferência de Musil sobre a estupidez, discutindo suas implicações filosóficas e sociais. [3]

4. "La Gente ES Estúpida El porqué de La estupidez Y Cómo Sobrevivir A Su Tiranía" de Larry Winget.

Este livro aborda a estupidez humana de forma direta e provocativa, oferecendo insights sobre como lidar com comportamentos estúpidos no cotidiano.

Citações:

1. PróximoLivro.net: proximolivro.net/sobre-a-estupidez-tres-ensaios/67094?utm_source=chatgpt.com

2. ULisboa Repository: repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/33037/1/ulfl243178_tm.pdf?utm_source=chatgpt.com

3. Universitat de Barcelona: www.ub.edu/las_nubes/archivo/ocho/articulos/Anabel_estupidez8.pdf? utm_source=chatgpt.com 


Obras Clássicas e Filosóficas:

1. "Crítica da Razão Pura" de Immanuel Kant.

   - É uma análise profunda sobre os limites da razão humana e como o uso inadequado da razão pode levar a erros e mal-entendidos.

2. "O Mundo como Vontade e Representação" de Arthur Schopenhauer.

   - Explora como a vontade irracional pode dominar a razão, levando a comportamentos insensatos.

3. "A Sociedade do Cansaço" de Byung-Chul Han.

   - Analisa como a pressão por desempenho e a positividade tóxica na sociedade contemporânea podem resultar em comportamentos estúpidos e autodestrutivos.


Obras Literárias e Satíricas:

1. "O Idiota" de Fiodor Dostoiévski

   - Através do personagem Príncipe Míshkin, o autor explora a ingenuidade e a pureza em contraste com a corrupção e a estupidez da sociedade.

2. "Cândido ou o Otimismo" de Voltaire.

   - Uma sátira que critica o otimismo filosófico e expõe a estupidez das convenções sociais e religiosas.

3. "O Elogio da Loucura" de Erasmo de Roterdam.

- Uma obra que, com humor e ironia, critica os abusos da Igreja e da sociedade, destacando a loucura e a estupidez humanas. Uma de minhas preferidas...


Obras Contemporâneas e Ensaios:

1. "A Era da Estupidez" de George Monbiot.

   - Um documentário e livro que examina como as escolhas humanas estão levando a catástrofes ambientais, destacando a estupidez compartilhada, pública.

2. "A Estupidez Coletiva" de José Ortega y Gasset.

   - Analisa como as massas podem ser levadas a comportamentos irracionais e estúpidos por líderes ou ideologias.

3. "A Sociedade do Espetáculo" de Guy Debord.

   - Discute como a mídia e o consumismo contribuem para a alienação e a estupidez na sociedade moderna.