terça-feira, 20 de dezembro de 2016

350a. postagem... puxa!


Khal Drogo

 1. Acima, um dos personagens barbudos mais famosos nestes anos recentes, vivido por um artista neozelandês cujo nome não me lembrava mas, consultando o grande Oráculo Google, relembrei que se trata do (agora) famoso Joseph Jason Namakaeha Momoa. Ele esteve num dos Comic-con aqui no Brasil, e é uma simpatia só. Esta série da HBO que ele trabalhou, Game of Thrones, tornou-se uma das mais rentáveis do mundo. Muito boa, realmente, se bem que tem iniquidades do começo ao fim. Se ajudou alguém a ser melhor pessoa, ok, mas creio que foi, em grande parte, mais um bom entretenimento da massiva indústria do cinema.

2. Fim de ano com muito político cabuloso e poltrão, sem dúvida... Acho que é a classe mais odiada pelos brasileiros, com honrosas (mas poucas) exceções. Um mal necessário, diria alguém, e creio eu que se constitua num fenômeno intrínseco, inerente ao genero humano, quanto mais complexa se tornou a convivência social. Não tem mais volta e isto sinaliza a necessidade controlar esta choldra com todos os instrumentos possíveis. O povo está apostando muito na operação Lava-Jato, mas eu 'só acredito vendo'. Sou otimista por natureza, mas neste quesito sou/estou cético. 

3. Como o título indica, já postei 350 textos aqui, os mais diversos no formato e no conteúdo. Comecei quase de brincadeira, para conhecer o fenômeno, para não ficar alienado no domínio, depois como recursos para comunicar-me com meus netos e alunos, mas agora, para pensar comigo mesmo. É um exercício muito interessante. Professores há que usam do recurso do blog para fazer trabalhos colaborativos, facilitando a avaliação. Não chego a tanto. Acredito muito ainda no individualismo como fulcro do social, fundamentado no cultivo das virtudes. Isso funcionou muito no passado, mas perdeu-se muito do seu valor, dada a proeminência (mais 'didática' ou ideológica, creio) que o social assomou nesta modernidade... Quer um exemplo? Anteriormente, ser educado, ter urbanidade, era ponto de honra e marca do ser elevado; hoje, ser grosso, boçal, parece até que é 'distintivo', denotativo de o indivíduo ser assertivo, pro-ativo, etc. Inversão de valores, isto é que é...

 4. Como este ano passou depressa - indicando esta percepção que estamos inexoravelmente mais e mais envelhecendo... Já é Natal e 'daqui a pouco', Carnaval, quando começa a funcionar mal ou bem este velho brazil. Todo mundo está torcendo para que este 2016 "seja esquecido", tanta coisa horrível aconteceu neste ano. Que venha 2017 pleno de realizações e, principalmente, mais Ética para todos e tudo. Feliz Natal!
 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Trump e destino...

Um dos inúmeros memes que saíram na web...

1. Gente... Depois do encerramento da votação entrei no Google Images, busquei TRUMP MEMES e ri por diversos minutos. Os americanos são também muuuito criativos quando se trata de ficar zoando com o próximo! Mas só deu este tipo de manifestação na web logo depois que o resultado da eleição foi confirmado. Meus filhos que moram nos EUA dizem que o diabo não é tão pavoroso como a midia está pintando. Eu também acho que pode ser que o gajo lá quando for empossado se conscientize que a posição de Presidente não combina muito com a que ele perpetrou enquanto candidato. O mal da estória toda é que a Hillary era péssima opção. Azar...


2. Agora que já passou um pouco do 'susto', podemos começar a pensar nesta eleição americana com menos emoção e tendenciosidade. Muitos, em que pese os institutos de pesquisa apontarem empate nas pesquisas, tinham 'certeza', pelos rompantes e grosseria boçal do loirão descabeludo, que a loirosa mentirosa e raposona iria ganhar... O grande problema que eu vejo é que o mundo se tornou "norte-americano-dependente", pois eles são muito grandes; tem uma indústria cultural absurda de produtiva (como quase tudo lá), influenciando muito a maioria dos viventes. Mas de certa maneira (vendo pelas virtudes deles, que são muitas) eles merecem esta liderança - se bem que todos sabemos que os chineses vão no futuro tirar deles esta hegemonia atual... Os chineses são malucos e são muitos - o que tem de chinês estudando nos Estados Unidos! E nós, ocidentais, cristãos nos valores, olhamos aquele pessoal de olho puxado com certa reserva... É muita diferença!

3.  Em vez de ficar tentando advinhar como será o futuro com aquele troglodita no comando da nação mais 'influenciante' do planeta, creio que o melhor, como país, é tentar mesmo arrumar a casa e, complementarmente, tentar se dar melhor com o próximo (com os cidadãos principalmente) e com os (países) 'semelhantes', não é mesmo? Mesmo porque eles são grandes mas não são tontos... podem ser neuróticos, mas são bem pragmáticos. E no fundo, posso testemunhar pelas minhas leituras e 3 visitas àquele país, que tem muita gente boa e decente lá, a maioria, podem crer. Eles não são gigantes em tudo assim por sorte ou destino, foi trabalho duro e muito estudo.

4. O pior que eu acho não é o que o Trump possa nos aporrinhar,  mas que nós nos comportamos como uma republica de bananas e não somos respeitáveis, sérios e profissionais, e não bastasse nosso amadorismo em tudo, somos muito mais corruptos que eles e muitos de nossos vizinhos aqui da Latinoamerika. Temos uma soberba injustificada e uma elite (principalmente os políticos) abjeta. Que Deus nos proteja, pois as perspectivas, com, sem, ou apesar do Trump, não são boas, por nossa culpa, em primeiro lugar...

Outro meme de Donald Trump obtido na web
via Google Images, parodiando o "Yes, we can"
do Obama...

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Fim de semana chegando...

Gravura obtida na web via Google Images

1. Deveria ter aberto a GARAGE há mais tempo! Tenho conhecido tanta gente bacana... Tem a divulgação boca-a-boca (que é o que realmente funciona a médio e longo prazo) mas tenho utilizado muito o Facebook.com/insonte , que é bem eficiente, como toda rede social. Bom número comparece todo mês... Tenho uma amiga querida que é versada em Marketing que vai dar valiosas sugestões para implementar o business. Meu horizonte para estabilizar a clientela é dois anos, e creio que vou atingir o partamar que desejo. Espero poder trabalhar até os oitenta anos, pelo menos! Ficar parado não é comigo, e como trabalho desde 1978, faço em 2018 exatos 40 anos como professor; acho que já cumpri meu tempo de docência...
2. Me rendi ao método Pilates... e, por mais uma bênção do Pai Celestial, tem uma ótima academia bem em frente à minha casa! Ruteca e eu estamos indo lá duas vezes por semana. Chega um ponto em que nossa "ferrugem" começa a periclitar a qualidade de vida.  E eu tenho 'encurtamentos' terríveis, que determinam que eu necessite alongar todo dia um tanto. Fiz Yôga muitos anos e não devia ter parado; hoje vejo como 'degenerei'... Mas acho que recupero boa parte, assim espero...

3. Fim do ano, e provas e exames nas Faculdades. A novidade é que terei que participar de sete bancas de apresentação de TCCs, coisa que fiz muito anteriormente. Vejo que, a cada ano, a dificuldade da moçada em guaratujar idéias fica mais trabalhosa. Não sei se é a cultura do WattsApp ou menos leitura ou desamor mesmo à última Flor do Lácio. O fato é que muitos termos que utilizo no dia-a-dia em minhas conversas ocasiona que os jovens façam acintosa cara de pastel. 

foto obtida agora (via Google Images) de
http://www.espacovillapilates.com.br/metodo.aspx

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Barbearia GARAGE, cristão-novo e Shell...

GARAGE Barbershoppe São João
(foto via meu Apple iPad Mini...)

1. Coloquei parede de vidro na Barbearia; estava sujando o local quando tinha vento e chuva forte... Acho também que vai melhorar em relação ao calor, quando chegar janeiro/fevereiro. O teto da garagem é baixo, mas deixei uma passagem na parte superior do vidro, o que garante boa circulação de ar. E um pouco de privacidade sempre é bom. Do lado de fora, ao lado do sofá, vai uma floreira para ficar mais elegante...

2. Coloquei Frank Sinatra (All of Me - MIB Music/Unlimited Media) e depois Tony Bennet (The Ultimate Tony Bennet e Tony Bennet MTV Unplugged, ambos da Columbia) no CD player e matei a vontade da boa música norte-americana. Bons tempos! Agradeço ao meu velho pai que sempre teve música e melodia de alta qualidade em casa. Sempre admirei a preferência dele por orquestras e música clássica. Deveria ter guardado os discos - sumiram na poeira do tempo...

3. Tenho 6 monografias de TCC para ler e sugerir modificações. Felizmente nestes quase 40 anos de formado, 39 para ser mais preciso, faço esta tarefa até com boa velocidade. Vejo como, parece, que fica a cada vez mais dificultoso para a juventude escrever com as mínimas qualidades que facultam a qualquer texto cumprir sua missão: bem comunicar algo. E no âmbito acadêmico, também isto se torna mais excruciante (aos olhos da mocidade...) pois depende de muita leitura, disciplina e dedicação, virtudes que hoje nem todos estão dispostos a perpetrar.

4. Meu vizinho mudou de mala e cuia. Eles tinham, em sua garagem, um pequeno comércio ("Empório das Águas"; nem sei se ficamos devendo algo para eles...) de artigos de armazém tipo secos e molhados, como se diz  (ahh... minhas raízes portuguesas de quatro costados!! Quando conheci esta locução fiquei intrigado e, como sempre fazia e faço, corri ao dicionário e sabe o que significa? De origem "pelos dois avós paternos e pelos dois maternos". Sim, 'Vieira'  e  'Dutra' são bem portugueses, com muito orgulho).  Mas falando de raízes, note que do sobrenome "Vieira", sou-o dos dois lados,  mas as familias não tinham parentesco próximo e talvez nem tão longínquo... Minha mãe disse que 'vieira' é, em Portugal, o nome da concha - uma concha parecida com aquele símbolo da empresa petrolífera Shell - que os cristãos-novos (judeus convertidos à força na época da Inquisição) tinham que carregar no peito, como uma especie de salvo-conduto. Graças aos Céus nasci nesta época!

Imagem obtida agora (via Google Images) de
http://www.logodesignlove.com/shell-logo-design-evolution

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Exames... e Iron Maiden


Foto obtida agora (via Google Images) de
https://www.imprensadorock.com.br/iron-maiden-traz-o-livro-das-almas-para-show-imperdivel-em-sao-paulo/

1. Hoje já cedo fui no meu médico proceder aos exames periódicos; já levei ao convênio as guias para concederem à burocrática autorização. Desde os 40 anos faço os acompanhamentos religiosamente e, graças, nunca houve alteração... Sou abençoado inclusive nisto: não gasto muito para gerir a saúde, e não abuso em nada. A única coisa é que, preguiçosamente, postergo o reinício de minha atividade física regular. Nunca imaginei que iria ficar madraço, mandrião neste aspecto!

2. Coloquei um  Iron Maiden, o famoso conjunto britãnico, no CD player. Paulêra! Este CD é um ótimo: "Somewhere back in time", com o melhor de 1980 a 1989. Eles são muito famosos também pelas capas dos discos, vejam só... Muito louco! 

3. Loucura. Ontem apareceram quatro clientes logo cedo e, quando vi, fui almoçar somente às 14 horas. Nem vi a hora passar. Uns vieram pela página no facebook.com/insonte, outro foi cliente retornando (graças!!), e outros, por causa de uma publicação que coloquei num hebdomadário anárquico-comercial-satírico aqui da cidade, o "Jornal do Parabrisa" (como o nome sugere, antes o mesmo era colocado aleatoriamente no parabrisa dos carros estacionados em via pública; hoje é distribuído gratuitamente nos sinais de trânsito do centro da cidade). 

4. Neste calor, só tomando tereré ao lado dos ventiladores... mas o noticiário do tempo informa que no fim de semana chega outra 'frente fria', tomara! Ganhei mais duas bermudas de minha mulher Bilú; umas das coisas fascinantes aqui da GARAGE é que posso trabalhar bem "informal", de bermudas e camiseta, como sempre sonhei... Acho tão ridículo e sem lógica esta imposição social de roupa 'pesada' neste clima tropical. Sem noção... 

5. Depois de velho tenho uns 'doloridos' extemporâneos que aborrecem e, por Júpiter!, ainda me lembro de posturas e gestos do Yôga que fazem sanar a azáfama. Nunca deveria ter parado de praticar esta arte-ciência mais que milenar... Sinto falta dos bons tempos das aulas da Mestra Marina e do meu guru Bahjat Marrach (ambos já habitam as mais altas dimensões acima da nossa; fiquei feliz que pude ir às exéquias de ambos). Foi uma época de aprendizado memorável, em todos os sentidos. Minha orientadora do Mestrado, Professora Maria Eunice, conheceu a iogista Marina. Grandes almas, todos os três, pessoas éticas em tudo. Saudades! Temos muito carinho pelos docentes que nos ensinaram com tanta amorosidade...

Fotinho obtida agora (via Google Images) de
http://outroindie.com/iron-minions-como-seriam-as-capas-do-iron-maiden-se-fosse-estreladas-por-minions/

sábado, 22 de outubro de 2016

Memória... apagando??

 Foto obtida agora (via Google Images) de
https://blogwithvhelps.files.wordpress.com/2014/09/memories-2.jpg

1.  Pessoal, acho que estou com um processo de depleção de memórias... Não estou em pânico porque acho até que é da idade (interessante, ao sentar aqui na barbershop e começar a escrever, este termo 'depleção' veio dos meus subterrâneos - palavra que devo ter aprendido nas minhas leituras de juventude e/ou na idade quase-madura) - e,  afinal, lembro de algumas coisas antigas razoavelmente, e consigo hoje ter boa autonomia, mas para assuntos recentes ou banais tenho uma dificuldade quase-exasperadora de rememorar. Estou começando a avisar as pessoas mais amigas ou íntimas: se a  coisa desmemoriante piorar (e eu não me der conta, pois até agora parece que estou no comando...), ou eu desandar, peripatético ou não, por favor, eu rogo, me avisem! No limite, determinei à patroa para não perder a saúde por minha causa (já é um assunto sólido de pesquisa na Academia o stress do cuidador...), deixando o meu cuidado a profissionais. Imagino se um dia ficar com Alzheimer e ela for me visitar num nosocômio ou Lar, vou certamente ficar alegre conhecendo 'todo dia'  uma mui atraente moreninha...

2. Hoje cedo assisti a dois DVDs com os Bee Gees (Live By Request, e One Night Only) e matei as saudades. Quantas décadas de sucesso musical fizeram estes irmãos! Melodias lindíssimas eles compuseram e que marcaram muitas vidas. 

Então... eu faço muitas coisas para treinar a mente/memória, como ler, experimentar sons, odores e imagens diversificadas; levo vida bem ativa, como uma noz ou amêndoa todo santo dia, tomo alimentação bem 'colorida' etc. e tal; portanto, se ficar gira um dia, vai ser certo azar... Agora, por exemplo, estou a relembrar um cara que ouvi muito, principalmente na faculdade - nossa, acho que já falei sobre tudo isso aqui... rs rs - o Johnny Winter, muito bom, um blues-man e roqueiro norte-americano da maior constelação. Estou espanando os neurônios, decididamente.  Mas no fundo, amigo, Deus está no comando e tudo vem pela Soberania d'Ele portanto, confio e agradeço, o tempo todo. E quando lembro/reconheço vez por outra que esqueci maldades e porcariadas das pessoas, até acho bom! Mas eu gostaria de lembrar mais do tempo, principalmente, em que convivi com as crianças, que foi muito intenso, mas quase nada restou. Muitas coisa 'sumiram' de minha mente; parece que pouco vivi - apesar 62 anos... Às vezes penso que meu treinamento zen-budista e do Yôga (que me foram muito intensos em algumas décadas), ensejando o desapêgo e o viver inarredável  do aqui-e-agora, determinaram-me uma modalidade alternativa de considerar precisamente o vivenciar. Medito muito nisso e, cáspite!,  não chego a conclusão.

3. Bilú voltou agora de um passeio à tarde no centro da cidade e, homessa! trouxe-me um jornal. A esta hora um 'hebdomadário' é difícil de se achar nas bancas de revista. Como mudei meus hábitos desde que abri este estabelecimento, trabalhando aqui de terça a sábado das nove às treze horas e das quinze às dezenove horas, fica mais apertado dispor de uma hora para fazer o que precisamos fora de casa. Mas quem tem uma 'santinha' como esposa não se aperta...

foto obtida agora (via Google Images) de
http://www.menscosmo.com/wp-content/uploads/2011/07/short-term-memory-
loss1.jpg

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Alice

Alice Guedes Nogueira, de Roberta e Eduardo... 
at Hospital UNIMED, S. J. B. Vista (SP)
(arquivo da Familia, 19 out 2016)

1. Nossa, mais uma pessoinha no pedaço! Difícil não lembrar dos meus... Que emoção inexplicável, que nos faz animar, motivar frente este mundo injusto. Que Deus a proteja e a tenha entre seus eleitos. E, o mais legal, com aniversário pertinho do meu, podermos juntar os bolos; pensando bem, só depois que ela crescer (e bastante, pois jovem - com raras exceções - não tem muita paciência com velho...). Mas que alegria; o legal na família de Ruth é que o pessoal sempre tem um nenê nascendo para alegrar a vida e os fins de semana! Dá trabalho, mas compensa, ainda que, depois de um tempo, os mundo os arranca de nós... Não tem outro jeito, ao que parece! Nossa, Eduardo e Roberta vão precisar de ajuda - eles tem mais 2 crianças pequenas. Corajosos eles são... Mas a família é muito unida.

2. Estava eu a tocar aqui na GARAGE uns boleros lindos com aquele interprete latino muito famoso (ele não é de Porto Rico?), Luis Miguel, quando passa uma idosa muito simpática e, da calçada, assim que escuta, pergunta ... "é o Luis Miguel??" e, pronto,  conversando sobre nossas preferencias artísticas neste domínio, olha a mágica que a música faz: encontramos uma identidade! E agora creio, creio e tenho certeza, que ela não vai mais só cumprimentar quando passar por aqui... Que bacana.

3. Voltei a assistir "Better Call Saul", no NetFlix (artista principal Bob Odenkirk, muito bom!). Bem cool a série - temos até agora 2 temporadas -  e do jeito que eu gosto: moderno enredo, superdinâmico, com enquadramento preciso e atuação impecável dos artistas. Não sei como não ganhou ainda um monte de prêmios. Os idealizadores são os mesmos da premiada e célebre série "Breaking Bad" (cinco temporadas!), com Bryan Cranston. 


Elisa, uma das irmãs de Alice,
com o papai Eduardo...
(fotinho do WattsApp dele...)

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Comentarios do dia...



Fotos de Clovis Vieira
O Município, S. J. da Boa Vista
http://www.omunicipio.jor.br

1. As fotos acima me foram presenteadas pelo amigo jornalista Clóvis Vieira (curiosamente, nome parcial de um dos irmãos do meu pai, genitor da querida prima Claudinha), que apareceu de surpresa aqui na GARAGE (fiquei devendo um café...). Fino e preciso enquadramento, com olho de sensível artista. E, além de muito atencioso e cortês, o conhecido periodista escreve muito bem também!

2. Teremos calor durante a semana, segundo os meteorologistas - a canícula de ontem e hoje já me aborrece. Tomo tereré o tempo todo... Fico com dó dos trabalhadores de rua, como os capinadores que agora passam, arrancando matinhos e tiriricas da calçada. Estranhamente, os gajos retiraram o mato somente do pavimento oposto, deixando meu passeio com arbustos. Nem vou perder tempo para reclamar com o alcaide... Que ratice! Amostra de falta de treinamento ou, no mínimo, de supervisão deste abunhadio. Costumeiro hoje em dia.

3. Não dá para ficar aborrecido quando se escuta uma música quase-celestial como a da cantora norte-americana Anita Baker (Rapture). Uma das coisas mais gostosas de ter aberto aqui minha humilde barbearia foi poder ficar ouvindo todos os meus CDs, escolhidos a dedo ao longo dos anos. Me perguntaram porque 'virei' barbieri; ficar na barbeação, 'plantado' o dia todo aqui no salão, depois de ter feito mestrado e doutorado... como se fosse mais digno ou meritório um do que o outro! Ocorre que estou a preparar minha 'aposentadoria' da Educação. Tentei o mais que pude ser um professor-pesquisador-orientador; fiz concorrido concurso numa autarquia municipal na área da Educação e tornei-me funcionário público, mas o cenário educacional universitário atual não nos incentiva... Já provei para mim mesmo do que sou capaz e agora devo alçar outros vôos! E já expliquei aqui e no facebook.com/insonte : adorei ser voluntário cabelereiro/barbeador do Lar de Idosos São Vicente de Paulo, ao longo destes anos todos. As pessoas são as mesmas em toda e qualquer função... o diferencial é o quanto nos significa e realiza trabalhar pelo outro. O que se mostra datado, circunstancial. E como terei (por vários argumentos) que trabalhar até quando puder ou conseguir, uno o útil ao viável e agradável!

4. Como a gente recebe uma enormidade de coisas - e cada coisa! - pelo WattsApp hoje em dia, e é uma das coisas mais características destas 'redes sociais', que mostram como anda a sociedade hodierna. Fico a imaginar como será o futuro, com esta avalanche de dados (nem sempre vira informação...) - ou seria um tsunami? Por isso, e já comentei aqui, que temos tanta superficialidade hoje. O único reduto que temos para resgatar nossa profundidade e essência é o cultivo da mente, e da espiritualidade. 


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Quase-divagações esparsas...

Garage Barbershop São João,
na garagem de baixo (porão da casa)

1. Gente, só agora percebi dois erros nesta foto... primeiro, a data estampada no cromo: esqueci de atualizar na máquina; o correto seria em Setembro, quando inaugurei o salão...  outro erro está na placa de funcionamento: começo a jornada às 09 horas, e não às 10, como consta. De qualquer modo o amigo Enilton, da Vistasse, empresa de comunicação visual aqui da cidade, fará esta correção. 

2.  Como o calor me debilita, fico prostrado. Deveria ter nascido em clima mais propício para meu desempenho ser mais adequado. Produzo bem menos neste calorão. Fico sob vento o tempo todo, e tomando tereré gelado. O bom é que agora aqui na Garage posso trabalhar de bermuda, coisa que não posso na faculdade, que pena. Bobeira de 'paiseco' tropical terceiro-mundista que queria ser Europa; só pode ser! Que coisa ridícula (em relação à logicidade que deveria presidir nossas cogitações) obrigar-se a colocar paletó e roupas apropriadas de clima frio nesta canicula. Chega a ser próprio de cretino.

3.  Será que meus cinco netos e netas um dia pesquisarão aqui quem foi o avô paterno deles? Creio que nestes anos todos (daqui a um 'tantico' terei mais de 10 anos de blog...) deixei registrado muito do que penso - sim, sei que isto tudo escrito aqui é um quase-arremedo do vero Lucas Vieira Dutra, filho do Geraldo e da Firmina, nascido em São Paulo (no Hospital São Paulo; paulista, paulistano e são-paulino...)  em 10 de outubro de 1954; só tem um assim - e, combinado com meus escritos e publicações, fotos e filmagens, acredito que terão uma boa ideia do que penso e pensei sobre o viver, o vivenciar. Ah, e tenho 'agora' também duas contas de Facebook, que retrata muito do nosso intra, inter e extra-entorno. Pelo menos acho que eles saberão (principalmente pelo vocabulário) que eu fui e sou alguém que lê muito!

Eu sempre tive muita curiosidade sobre os meus avôs Lucas de Souza Dutra e José Antônio Vieira, grandes homens, patriarcas inesquecíveis, homens de bem e personalidades marcantes para todos que os conheceram. Tenho pouquíssima informação sobre eles (meus pais são muito reservados...) visto que não legaram nada/quase nada escrito; fotos não dizem muito! Do avô Lucas lembro-me somente de uma vez que ele nos visitou em Rio Claro, contando muitas estórias de  caveiras e fantasmas, que me deram pesadelos... Convivi um tanto com o 'vô Niniu' (apelido do avô materno), pessoa amorosa ao extremo, pacienciosa e, lembro muito (apesar de bem criança), bastante alegre e de bem com a vida, em todos os sentidos. Ele me levou de trem várias vezes a São Paulo para fazer tratamento médico por causa de um olho (o direito) que 'não funciona'. Ele faleceu em casa (infarto fulminante); lembro bem do dia, um 'trauma'! Tal lacuna de conhecer quem foram os avôs (mais do que as avós, curioso!) me interpela sempre quando me pergunto quem sou. Nossa descendência nem se lembra dos genitores dos genitores na terceira ou quarta geração, o que é patético...

4.  Bilú chega e comunica que talvez (dependendo que uma tomografia que fará...) deverá se submeter a uma intervenção cirúrgica para retirar um cálculo renal. Provação! Mas Deus é por nós, e tudo se inscreve pela Soberania d'Ele em nossas existências. O cristão cônscio nunca se desespera, apesar de por vezes se desesperançar, pasmar e desmotivar... Creio que, retomando um pouco o que explanei em 3. acima, meus netos saberão que fui alguém dotado (em idade provecta, principalmente) de uma piedade significadora em alto grau, conquistado em duros embates espirituais, onde o Cristo, como sói (de 'soer'...) acontecer, é o vencedor, para minha graça eterna. Sou imensamente grato por isso!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Chuva e primavera... e - 341a. postagem - alguma cogitação esparsa.



Foto obtida agora (via Google Images) de
http://wanderluxe.theluxenomad.com/coif-it-up-the-swankiest-hipster-barber-shops-around-the-world/

1. Começo de mês e 'tudo parado' nesta crise; meus colegas barbershoppers estão reclamando também. O fato é que normalmente as coisas começam a ficar mais animadas, no âmbito das compras, somente depois que os salários são depositados... E creio que, com este período político-econômico que estamos vivenciando (não emprego mais o termo 'crise'... ficou muito batido!) os fenômenos ficam mais aguçados, ao que parece. Contudo, eu não posso reclamar, só agradeço! Felizmente não tenho dívidas e com minha vidinha funcionária (como dizia o célebre cronista carioca Pedro Nava) não tenho apegos e dispendiosas necessidades; aliás, são bem sóbrias. Agora, por exemplo, escuto W. A. Mozart (1756-1791) no meu CD player (Sinfonias n. 40 e 41 "Jupiter", Série RED Line, da Gravadora EMI Classics) - o quê mais quero? Antes, escutei um som de minha adolescência - o conjunto de rock sinfônico escocês Jethro Tull (' The very best of ', da Gravadora Chrysalis). Fico embevecido por horas!

2. Que época gostosa a primavera! A planta que Bilú me presenteou para colocar aqui na Garage - uma folhagem lustrosa que gosta de sombra - 'soltou'  mini-caules (algo que não é 'folha'... cruzes, que péssimo botânico sou!) e estes estão pejados de minúsculos e espaçados botões alaranjados mui delicados - não sei se é semente ou futura florinha. Estou curioso para ver o que sucederá. A gente se enamora destes viventes, não é mesmo? E só porque nos fazem companhia neste mundo solipsista, especioso e solitário. 

3. Nesta época de vacas magras, estou cortando algumas despesas, para adequar o orçamento. Por política do Centro Universitário onde trabalho (uma autarquia municipal), sou contratado como horista - não é o sistema 20 ou 40 horas de dedicação, como na UNESP ou USP. Sendo assim tem semestre que tenho um número apropriado de horas-aulas, e semestre 'ruim'... Mas, afortunadamente, não tenho dívidas, e minha mulher é muito econômica e industriosa, e nossas despesas são apoucadas, mesmo o seguro-saúde. Como tenho aquecimento solar em casa, também o valor da energia elétrica é baixo. E, depois de tanto tempo trabalhando nos três períodos consegui, há alguns poucos anos (gozado, fui na Agência  do INSS no fim do ano contar meu tempo para ver se tinha o direito e, "quando vi" - cáspite! - comecei a receber no começo do ano seguinte o meu sagrado 'provento'...), minha aposentadoria no sistema geral que, apesar de não ser muito (o malfadado 'fator previdenciário' reduziu boa parte do meu ganho) ajuda a fechar as contas no fim do mês.

4. Ouvi dizer que, ao escrever, uso muito o recurso da aposiopese. Mas gosto de pensar que, se deixo as reticências expressas, meus interlocutores, inteligentes que são, extrairão um pensamento apropriado. Creio, fazendo uma autocrítica, que emprego por vezes termos incomuns ou pouco castiços, mas procuro ser preciso e claro no que desejo expressar. O vocábulo 'salta' à minha mente à medida que vou organizando o pensamento a exprimir e seguidamente me vejo procurando um sinônimo para não parecer pedante (pecha de que já fui acusado) ou esnobe, coisas que detesto. Que fazer... (êpa, olha aí de novo!)

5. Meu espaço aqui está muito agradável, prazeiroso; todo dia aparece amigo ou amiga para papear. Se o ambiente estimula a tertúlia, é o que almejei. Deus me conserve, pois fico muito agradado!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Digressões rápidas num bucólico entardecer...


  
Da web... via Google Images.

1. Nunca fui a um lugar como o das fotos acima. Deve ser uma experiência interessante, sem dúvida. Que sofisticado, só para barbear ou cortar cabelo!! São salões americanos, segundo consta. O negócio sempre é muito sério, como tudo lá ligado ao business.  Para manter-se este projeto as taxas devem ser (bem) elevadas. E todos, ao que parece,  aceitam como coisa normal - a excelência merece ser bem remunerada... Creio que o que subjaz no consumo de tal sofisticação é mais o estado de espírito que se faz ali como que necessário: saborear a distinção, a exclusividade. Fazemos de tudo para desfrutarmos de certa peculiaridade, o que nos diferenciaria (mesmo que somente a nossos olhos) dos outros, demais mortais. E para quê? Como tudo o que se experiencia, tal sensação, embriagadora por vezes, desfaz-se no ar. E como a poeira das estrelas, cairá no esquecimento!

 2. Escuto novamente Norah Jones, a cantora americana de jazz, filha de Sue Jones. Este CD aqui, Come away with me,  é de 2002, muito bonitinho! Produção de Arif Mardin. A moçoila ainda anda agitada a mil, é só conferir no seu site, cheio de recitais e shows... Gente, adoro música, tanto quanto fotografia. Preciso destes lenitivos, pois tenho tendência a ficar levemente atormentado com esta atoleimada existência, problematizado pelo adiantado das primaveras cumpridas. E dia dez próximo se completa mais um destes inexoráveis, inelutáveis ciclos. Mas não me entenda mal: não é o avançado dos anos, mas esta quase-obrigação de comemorar, de celebrar. Juro que neste dia o que mais quero é viver ignorado, como pregou o Filósofo. Faz muito tempo que, para mim, o aniversário é igual aos demais dias. Fico algo chocado com a necessidade de alguns viventes em... afamar, enaltecer, exaltar. Sei lá, pode ser ranhetice de minha parte, perdão!

Norah Jones, em  foto obtida agora de
 http://www.norahjones.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Observações aqui da rua e das pessoas...

Meu espaço Garage Barbershop São João
 e a minha cadeira de barbeiro...

1.  Ultimamente 'deu' de aparecer uns mosquitinhos chatos ao final da tarde. Graças a Deus não resistem'' a um ventinho que determino no ventilador de coluna que tenho aqui ao meu lado. Acho que é o início da Primavera; toda Natureza fica mais 'saidinha' mesmo... até os cachorros da rua estão mais serelepes.

2.  A fase musical da semana é o conjunto australiano AC/DC; tenho vários CDs deles e o som é bem 'paulêra', como se diz. Até as 19 horas vou ter escutado "um monte". Curiosamente, um dos integrantes da banda ficou senil e um outro surdo. Que fim melancólico para a banda que marcou época... Mas soube que o guitarrista (que para mim é a alma do conjunto) anda perpetrando som por aí.

3. Está bem agradável meu espaço - principalmente porque tenho visto/encontrado muito mais pessoas do que antes. Um amigo me deu uma boa 'dica' e vou conseguir um convênio, não é legal? É um dos caminhos que vou perseguir para 'turbinar' a clientela - convênios. Mas de qualquer maneira meu horizonte neste sentido é amplo, pois é o boca-a-boca que traz customers. Deus tem misericórdia de mim, seguramente. Mas o que está mais deleitoso aqui é o fato de poder trabalhar de bermuda (uma roupa apropriada para o nosso clima, em vez de fatiotas enfarpeladas que alguns costumam usar, suando em bicas...) e ver o grande amor de minha vida quando desejar. É só subir a escada, ou a chamar da calçada a moçoila...

4. Consegui uma boa cadeira  para trabalhar. Profissinais há que gastam 'fortunas' no artefato, verdadeiras obras de arte... A minha veio da China mesmo (é a coisa mais fácil encomendar um container recheado com qualquer coisa que chega logo no destino...) como tudo atualmente. É bem acabada, com assento amplo; tem estrutura reforçada, 'clean', e com detalhes de metal polido que dão certo charme. Comprei em Campinas na mega-loja Ikesaki. É reclinável e tem pé de apoio, para conforto do usuário. Mas precisei complementar o conjunto com uma caixa de madeira na qual encaixei a base, pois sou alto e previ que, com crianças a coisa iria 'apertar', pois mesmo com o sistema hidráulico sobe-desce que a cadeira possui, a extensão da amplitude ainda ficava pouco ergonômica para mim. Agora ficou muito bom e tenho alternativas apropriadas de acordo com a figura do cliente. 

5. Estou escrevendo e lendo mais, nos intervalos dos atendimentos, que agora, no início, estão apoucados. O que fiz agora foi cancelar alguns mimos, como assinaturas de periódicos  e mesmo a TV a cabo (que era 'combo' com o telefone fixo - o número 019-3633-8412 não existe mais - e nem funcionava direito mesmo; agora somente o celular, zap-zap e e-mail...) de modo a adequar meu orçamento nestes tempos 'bicudos'. A crise chegou para todo mundo, mas eu, como não tenho dívidas, não temo o futuro. Com a graça de Deus tenho um cenário pouco (ou quase nada) ameaçador, financeiramente falando. Minha esposa é muito industriosa e econômica. Nossos dois carros são bem velhos (é de 1974 o Fusca - não paga imposto IPVA - e 1999 o Toyota, com imposto bem baixo) mas conservadíssimos e não dão 'oficina', só a manutenção obrigatória, pois são máquinas de precisão, como se diz. Com segurança não se brinca, como aprendi com meu pai. Gasto pouco com água e energia elétrica (tenho sistema de aquecimento solar em casa - a despesa com chuveiro elétrico é 'metade' da conta... ), bem como com convênio médico. E tenho pouquíssimas 'necessidades'; algumas são bem prosaicas, o que me permite desapegar facilmente, como aprendi nos meus estudos zen-budistas... Meu 'segredo' de ser feliz é, de um lado, o cultivo da mente, esta maravilha do Universo e, de outro, minha numinosa espiritualidade.

Boa semana a todos e todas...

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sexta feira, 23/Setembro/2016. Quase 26 mil visualizações de página em 08 anos de Blog...

 Foto não muito distante...

1. Bilú viajou logo cedo - foi levar com a amiga Telma donativos para os Seminaristas lá de Campinas; depois iriam a um Shopping Center, etc. Fico aqui de plantão na Garage Barbershop ouvindo na TV alguns DVDs de musicais. Escuto agora Barry White (The Collection, UED0702AC) - lembra-se dele? Tinha um timbre inconfundível e fez muito sucesso no estilo de música romântica... As letras de muitas de suas músicas me tocavam fundo o coração (outra fera neste sentido era, em meu recorrente solipsismo - e ainda é - George Benson...). Boas memórias de um tempo que não volta mais. Mas que continuam fazendo parte daquilo que sou.

2. Homens são consumidores interessantes. O que já veio aqui de macho me sondar, inquirir, assuntar, inspecionar... a gente nunca sabe se passou boa impressão. O que é mais chato é que homem em geral não fala se não gostou do resultado. Diz sempre 'ficou bom...' mas a expressão facial não convence. Sim, houveram clientes honestos, sinceros, assertivos, como eu acho que mereço ser dialogado e que me comunicaram boas dicas sobre eles e a arte (complexa e desafiadora) que procuro dominar. Mas com a enorme diversidade de tipos de cabelo/barba e conceitos do que é 'belo' (de parte a parte...) tudo fica num reino muito diáfano, como se diz. Que bom que estou numa idade que não levo muito sério a mim mesmo e minhas fabulações e expectações. Na verdade, nunca fui muito aplicado neste sentido; somente agora esta inclinação ficou mais pronunciada. É que, parece, ficamos mais cônscios de nossas realizações e suas reais motivações, antigas e atuais. 

3.  Uma boa descoberta que fiz foi, na época da Faculdade, das idéias de Carl (Ransom) Rogers (1902-1987) sobre a centralidade da Pessoa. Continuo crendo que o encontro é um conceito fundamental para a saúde (principalmente no âmbito da Qualidade de Vida), em amplo sentido. Com este novo projeto que estou engajado aqui tive oportunidade de refrescar muitas reminiscências agradáveis. Quanta pessoa bacana aportou aqui, mandou mensagens, fez-se presente de algum modo. Esta vida constitui um certo absurdo (já comentei isso por aqui) mas enquanto 'somos' seres sociais nossa condição humana (precisamente situada) periclita se a  tratamos com a erronia de 'justamente' desconsiderar esta sociabilização/sociabilidade manifesta e inerente, por mais aborrido que possa ser. 

4.  Impossível não comentar manchete recente (clique no link do Jornal OESP):
MP prevê ensino médio de 1.400 h/ano, menos disciplinas e curso 50% opcional
 Esta nossa Educação não tem jeito mesmo... Gente, reformas extensas como esta não se resolve na 'canetada'... E digo isso não porque pertenço à área, mas porque qualquer serhumaninho sabe que é empreitada destinada ao fracasso, do modo como está sendo desenhada! Sem discussão, sem debate com todos os envolvidos! Estes políticos, ô classe abestada, como diz o Tiririca... Quem viver, verá.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A BIOÉTICA COMO CONTRIBUTO E INTERFACE ENTRE A QUALIDADE DE VIDA E O DESENVOLVIMENTO HUMANO




Quando ainda pertencia (docente, pesquisador e orientador) ao Programa de Mestrado Interdisciplinar em Educação, Ambiente e Sociedade, do Centro Universitário onde trabalho, escrevi o texto abaixo, que faria parte de um livro a ser publicado com contribuições de vários dos docentes.

Como não faço mais parte do Programa, publico aqui meu texto, que pretendo utilizar na disciplina de Bioética, que ministro no curso de graduação em Farmácia do mesmo Centro Universitário. 

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A BIOÉTICA COMO CONTRIBUTO E INTERFACE ENTRE A QUALIDADE DE VIDA E  O DESENVOLVIMENTO HUMANO

 “Sim, existem limites ao buscar a nossa felicidade: a dor alheia”.
Jacinto Benavente (1866-1954)

            A área denominada ‘Bioética’ compreende um amplo domínio de conhecimento que obteve um vertiginoso desenvolvimento na segunda metade do século XX, em grande parte por causa dos impactantes avançamentos tecnológicos da revolução científica, notadamente nas áreas da biomedicina e da saúde. Segundo Reis et al (2016, p. 96), o termo surgiu pela primeira vez em 1927 na Alemanha, na publicação do pastor, filósofo e educador Fritz Jahr (1895-1953), na influente Revista Kosmos, de seu artigo “Bio-Ethics: a review of the ethical relationship of humans to animals and plants”. Na oportunidade Jahr propôs um ‘imperativo bioético’, precisamente ampliando o imperativo moral kantiano, estabelecendo que todo ser vivo deveria ser tratado e respeitado, como princípio e fim em si mesmo.

A Bioética surge consistentemente no cenário acadêmico em 1970, através da obra de Van Rensselaer Potter (POTTER, 2016), um bioquímico norte-americano professor e pesquisador na área da oncologia da Universidade de Wisconsin (Madison), que a visualizou como uma “ponte entre a ciência biológica e a ética” (PESSINI, 2016, p. 13). Potter considerava neste conceito a fragmentação da multidimensional realidade espraiada pelos diversos domínios do conhecimento, e a bioética seria, em sua visão, o veículo para operacionalizar o diálogo necessário entre as ciências humanas e as ciências da vida, de modo a viabilizar uma sociedade genuinamente ética. Apesar do seu surgimento relativamente recente, diversos autores desde cedo (cf. CURRAN, 1976, p. 497) tem discutido, com certa controvérsia, amplos aspectos envolvendo sua natureza, objetivo, propósito, abrangência, e historicidade. Diversas obras recentes oferecem bom panorama nestes particulares (MOTTA, VIDAL e SIQUEIRA-BATISTA, 2012; PESSINI e BARCHIFONTAINE, 2014, p. 27-57; VEATCH, 2014, p. 01-12; DURAND, 2014, p. 19-65, IRRAZÁBAL, 2015, MUZUR e RINCIC, 2015; ABANTO et al, 2015; WILSON, 2014; FRANJIC, 2015).

A maioria das publicações neste campo caracteristicamente inicia seu texto com uma definição do que se considera ‘bioética’, visto haver “várias definições de Bioética” (APPEL, 2015), e temos lido até que “As definições de Bioética provavelmente são tantas quantas são os autores que se dispõem a conceitua-la” (MOTTA, VIDAL, e SIQUEIRA-BATISTA, 2012, p. 434).  Guy Durand afirma que “foram propostas múltiplas definições à bioética, cada uma revelando um aspecto” (2008, p. 21), com escassa universalidade entre elas. Segundo as palavras deste autor, não se encontra um bom termo para definir aquilo que Bioética significa.  Uma boa ilustração desta multiplicidade encontramos no verbete ‘Bioética’, elaborado por Salvino Leone e Salvatore Privitera para o Dicionário de Bioética (LEONE, PRIVITERA e CUNHA, 2001, p. 87-96), multiplicidade que naturalmente determina controvérsias (MALAGUTTI, 2007) mas que, por outro lado, “também tem o potencial das sinergias e da complementaridade” (YEGANIANTZ, 2001, p. 165).

Grosso modo, podemos considerar as muitas polarizações de entendimento sobre o que constitua o campo da Bioética como que espraiando-se ao longo de um contínuo.  De um lado situam-se aqueles que consideram que a Bioética é

(...) um ramo ou campo da Filosofia, em particular da Ética, com características próprias, suficientes para assegurar-lhe individualidade, sobretudo pelo seu campo de abrangência (ciências da vida, da saúde e do meio ambiente, em interface), pela sua multi e transdisciplinaridade e pelo pluralismo com a participação de todos os atores que possam estar envolvidos em determinada questão ética (campo de abrangência da Bioética).  (HOSSNE, 2014, p. 12)

            A subordinação fundamental da Bioética à Filosofia parece estar implícita nesta forma de entendimento, não obstante parecer encampar diversas (e por vezes amplas) porções de agendas pertencentes a outros campos do conhecimento. Mas neste liame essencial com a Ética, qual seria a pressuposição básica que habilitaria a Bioética a razoar de modo prático sobre os dilemas que identifica? Segundo Turner (2003, p. 193) grande parte dos bioeticistas assume a existência de uma trans-histórica e universal moralidade comum, que funciona como uma linha de base normativa para julgar as várias ações e práticas. Esta abordagem supõe que esta moralidade está situada num estado de relativa estabilidade, consubstanciado num amplo e ordenado equilíbrio, servindo como base para especificação de políticas particulares e recomendações práticas.

Por outro lado, outros autores não consideram uma ligação necessária (ainda que essencial) desta disciplina com a Ética, e sim com áreas as mais diversas, notadamente as das disciplinas biomédicas (GONZÁLEZ, 2007; RUIZ e TITTANEGRO, 2007) chegando, no outro polo, à concepção da Bioética como disciplina que traz como marca primacial e inerente esta sua natureza trans e interdisciplinar, nascendo daí as decorrentes marcas de sua atuação (CECCHETTO e MAINETTI, 2007;  JUNGES, 2006, p. 33, RIBEIRO et al, 2014, p. 2.204).

            Assim, como vemos, a Bioética, embora domínio de conhecimento relativamente ‘jovem’, abarca pressupostos, interfaces e/ou ênfases as mais diversas. É encontradiço na literatura debates ressaltando os imbricamentos entre a Bioética e diversas disciplinas (DOVE e ÖZDEMIR, 2015) que, em princípio, guardariam (até pouco tempo atrás) com ela escassa – se alguma – relação. Ainda que por vezes não considerada em si uma disciplina científica (AZARIAH, 2009), mas exibindo extensos liames com a Ciência (FAGOT-LARGEAULT, 2015; BEAUFILS, 2015; AZEVÊDO, 2008), a necessidade de estabelecer uma metodologia consistente de investigação deste campo é objeto de amplas discussões (GOLDENBERG, 2005), cooperando para a crescente necessidade de prover-se fóruns sobre Ética e a investigação científica (PULVIRENTI, 2004; ALBUQUERQUE, 2001), mesmo porque Bioética, pela sua abrangência, distintas instituições e estruturas, habilita-se a discutir hoje temas desde os considerados ‘naturais’, como microbiota (WAIZBORT e PORTO, 2016) ou nutrição infantil (v. p. ex. IVANISSEVICH, 2016, p. 8) até os inusitados de si para si como, p. ex., raça (RUSSEL, 2016) , práticas de governança (MONTGOMERY, 2016), e o futuro humano no espaço sideral (MAUTNER, 2009).

            Por tudo isso, a Bioética, desde o seu ‘nascedouro’ intelectual, traz a marca da preocupação com interfaces altamente mobilizadoras, como a Ciência, a Sociedade, a Humanização, o Desenvolvimento. Como vemos em Maradiaga:

O campo da ética é a questão da percepção humana em todos os âmbitos que têm um impacto sobre a pessoa e a sociedade. O humanizante ou ‘desumanizante’ representam os critérios éticos que sustentam toda ação que realiza a dignidade e a solidariedade humana. Do mesmo modo, esses critérios denunciam toda ação que lesa ou fere essa dignidade e essa solidariedade (2015, p. 14-15).

            Por ter se originado a partir das preocupações dos diversos campos profissionais da área da Saúde que lidavam primacialmente com as questões de adoecimento e tratamento, a Bioética logo expandiu sua atenção e questionamentos para outros domínios que tangenciavam aspectos ligados ao viver saudável, ou seja, com o bem-estar (físico-psiquico-espiritual), com a amizade, com a solidariedade, com a satisfação, com percebida qualidade, com dignidade, com autonomia, com equidade etc. Um conceito representativo que se afirmou consistentemente neste sentido aliás, “um constructo eminentemente interdisciplinar” (SEIDL e ZANNON, 2004, p. 586) foi o da Qualidade de Vida – ‘QV’. Tornou-se consenso, entre diversos estudiosos, que a saúde, constituindo uma das dimensões mais impactantes do viver humano, seria considerada um domínio da QV (PEDROSO e PILATTI, 2012, p. 16). Em outros termos, a QV “engloba a qualidade de vida relacionada à saúde acrescida de determinantes do ambiente interno (individual) e ambiente externo (social e cultural)” (idem, ibidem, p. 18). Estes determinantes são extensos e multidimensionais, abrangendo tal complexidade que desafia diuturnamente a compreensão humana, dada sua interativa dinamicidade, o que nos parece corroborado em Belasco e Sesso (2006, p. 01) quando afirmam que “os vários significados atribuídos para a QV estão de acordo com as perspectivas econômica, demográfica, antropológica, bioética e, mais recentemente, ambiental e de saúde pública”.

            Minayo et al, sem utilizar precipuamente a conceituação bioética, afirma que a noção de QV, denotando um campo semântico polissêmico, relaciona-se a modo, condições e estilos de vida, a desenvolvimento sustentável e ecologia humana; relaciona-se também ao campo da democracia, do desenvolvimento e dos direitos humanos e sociais. Aduz que, no que concerne à saúde, as noções se unem em uma resultante social da construção coletiva dos padrões de conforto e tolerância que determinada sociedade estabelece, como parâmetros, para si (MINAYO, 2000, p. 10). Mais especificamente, considera adiante em seu artigo que

(...) a questão da qualidade de vida diz respeito ao padrão que a própria sociedade define e se mobiliza para conquistar, consciente ou inconscientemente, e ao conjunto das políticas públicas e sociais que induzem e norteiam o desenvolvimento humano, as mudanças positivas no modo, nas condições e estilos de vida, cabendo parcela significativa da formulação e das responsabilidades ao denominado setor de saúde (MINAYO, 2000, p. 16).

            Parece-nos apropriado neste ponto abrir um parêntese e ilustrar estas variadas intersecções, em sua dinamicidade complexa, a partir da consideração de um dos melhores programas de Pós-Graduação em Bioética do Brasil, o da PUC do Paraná, o qual abrange, na linha de pesquisa ‘Bioética, Ciência e Sociedade’ (as outras linhas de pesquisa são ‘Fundamentos de Bioética’, e ‘Bioética Clínica e Humanização’) estas preocupações com a promoção do atendimento integral à pessoa humana, notadamente na relação entre saúde e qualidade de vida, utilizando principalmente conhecimentos antropológicos, biológicos, filosóficos, teológicos e jurídicos (ver Quadro 1).

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A linha de pesquisa Bioética, Ciência e Sociedade estuda a relação entre saúde e qualidade de vida, entre qualidade de vida humana e respeito às outras formas de vida, avaliando criticamente o impacto do desenvolvimento científico sobre a sociedade e o meio ambiente.
Numa perspectiva integral esta linha busca identificar processos educativos e assistenciais que promovam a dignidade da vida como um todo e uma relação responsável do ser humano com o ambiente.
É foco de estudo desta linha o controle social como atividade de interesse público e coletivo a ser desenvolvido numa sociedade democrática. Um controle social que possibilite ao cidadão acompanhar criticamente os serviços públicos e as pesquisas científicas.
Estuda a igualdade e equidade como princípios preconizados pela Bioética. Desigualdades injustas levam a iniquidades em saúde, e apontam para a necessidade urgente de políticas públicas saudáveis, articulação intersetorial dos órgãos públicos e mobilização da população.
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QUADRO 1 – Linha de Pesquisa ‘Bioética, Ciência e Sociedade’, do Programa de Pós-Graduação em Bioética – Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR
Fonte: Escola de Ciências da Vida/PPGB. Obtido de http://www.pucpr.br/posgraduacao
/bioetica/linhaspesquisa.php  em 25 de julho de 2016.


            Vemos ali que valores essenciais como, p. ex., meio ambiente, democracia, equidade, políticas públicas, educação e justiça são associados organicamente na discussão bioética, posto que imbricam-se nas variadas situações que precisamente subjazem ao viver pleno, com dignidade, fato ressaltado por Pinsky (apud FERNANDES e PALUDETO, 2010, p. 235) afirmando que o acesso a informações sobre Bioética está incluído no rol de direitos abarcados nos direitos civis, tão essenciais à cidadania, ao lado dos direitos políticos e sociais.

            Para dar conta dos desafios apresentados na ampla discussão bioética, os estudiosos inicialmente lançaram mão, como vimos, de perspectivas éticas normativas para discutir os dilemas emergentes, parcialmente determinado pelo fato de que poucos cientistas sociais se aproximaram do nascente debate. Neste universo de múltiplas e complexas interfaces (que endereçam naturalmente dificuldades por vezes pungentes), os estudiosos do campo bioético desenvolveram, paulatina, orgânica e interdisciplinarmente, um modo de visualizar, planejar, operacionalizar e integrar proficuamente os esforços de todos no sentido de alavancar o desenvolvimento humano, embasando as múltiplas ações em princípios que pudessem aglutinar ou mesmo condensar os mais polifacetados anseios, tornando-os intercambiáveis entre os diversos domínios. Assim, desde o surgimento do debate que resultou na constituição recente da Bioética, o fato dela adotar majoritariamente um modelo calcado em princípios tornou-se uma de suas mais marcantes características, justificando-se (empírica e filosoficamente conf. EBBESEN, 2016) a abordagem perante as reivindicações da ética medica (GILLON, 2003). No entanto, conforme esclarece Borry et al (2005) sempre existiram problemas em utilizar-se complementarmente à abordagem normativa de evidências empíricas na pesquisa do campo bioético. Isto se deve a três fatores, principalmente. Em primeiro lugar, o diálogo interdisciplinar carrega o risco de propiciar problemas de comunicação e de surgimento de objetivos díspares, divergentes. Em segundo lugar, as ciências sociais se ausentaram no nascedouro da Bioética, não oferecendo metodologia que facultasse a familiarização com suas ferramentas. E, em terceiro lugar, a distinção meta-ética entre “é”  e “deve” criou uma fronteira ‘natural’ entre as disciplinas. Hoje em dia o campo bioético tende a acomodar mais e mais pesquisas empíricas, em parte pelo desapontamento gerado pela interpretação algo fundamentalista da ética aplicada, e em parte pelo fato dos eticistas clínicos, engajando-se de modo crescente ao setting biomédico, sofreram mais e mais influência do paradigma ‘baseado-em-evidência’. Mas, corroborando o que Borry colocou neste sentido, Hurst (2009) e Davies et al (2015), afirmam que a articulação entre dados empíricos e o razonar normativo dentro do debate bioético sempre traz dificuldades e desafios, dada a interdisciplinaridade manifesta do domínio.

            À parte a polarização das perspectivas normativas (e principialista) ou empiricistas de se investigar os dilemas bioéticos, de um ponto de vista amplo, quando o estudioso realiza indagações neste domínio, pressupõe-se que esteja interessado em olhar além das metas de ações humanas habitualmente aceitas ou mesmo oficialmente determinadas. Assume-se que este pesquisador seja possuidor de certa consciência de que os fatos humanos trazem embutidos diferentes níveis de significado, normalmente ocultos à percepção da vida cotidiana, o que determina, muitas vezes, que este investigador desconfie quanto ao modo como estes fatos humanos são habitualmente interpretados pelas autoridades, seja de fatos de caráter político, jurídico ou mesmo religioso. A perspectiva bioética constitui um esforço para considerar um panorama amplo, aberto e emancipado do co-existir humano, e qualquer bioeticista comumente deve, a partir de sua weltanschauung, interessar-se por outros domínios, estando aberto interiormente à riqueza ilimitada das possibilidades do Homem ou seja, ávido por novos horizontes de significados.

Num ponto de vista mais concreto, o que parece pacífico entre aqueles que operam neste campo é que a Bioética constitui um amplo domínio do conhecer que faculta a procura (ou estabelecimento) e manutenção de padrões globais de pesquisa biomédica e prática clínica, cooperando para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida das pessoas, envolvendo os direitos humanos (ANDORNO, 2007), a saúde pública,  e a ecologia (MOTTA, VIDAL e SIQUEIRA-BATISTA, 2012, p. 436). As possibilidades de contribuição divisadas por estudiosos deste campo são enormes, chegando ao ponto de encarar-se, como defende Melik-Gayjazyan et al (2016) o modelo da Bioética como uma espécie de ‘atrator semiótico’ para diagnosticar estratégias inovativas para o treinamento de especialistas no âmbito das tecnologias NBICS (Nanotechnology, Biotechnology, Information Technology and Cognitive Science) que estão à frente das inovações modernas.

Finalizando, cremos, acompanhando o pensamento de Durand (2014, p. 13-14;92-95) que o termo ‘Bioética’ efetivamente configure, enquanto campo de estudo (abarcando, como uma radical tentativa de compreensão, de um lado, uma nova abordagem ao mesmo tempo interdisciplinar, secular, prospectiva, global, sistêmica  e, de outro, uma nova prática),  tanto uma preocupação comum com os impactantes avançamentos determinados pelos desenvolvimentos biomédicos, quanto um vero movimento sócio-cultural, designando, nas palavras do autor, “... (1) práticas e discursos, (2) que tem por objeto esclarecer ou resolver questões éticas, (3) suscitadas pelo desenvolvimento tecno-científico no campo da saúde e da vida humana”. Nas entrelinhas, podemos subentender aqui precisamente as essenciais questões atinentes, ao final e ao cabo, à Qualidade de Vida e ao Desenvolvimento Humano, em suas principais expressões.


REFERÊNCIAS

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