segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Momentaneamente 'fora do ar'...

Há muito tempo, lá na casa de Rio Claro...

Estive fora do ar por uns dias visto que meu blog, do nada, começou a dar problemas quando era carregado. Não sei se outros perceberam também: quando era acionado o endereço, entrava posteriormente (depois de poucos minutos) um endereço e site de um tal 'mediamonster' , sobrepondo-se - ou seja, 'apagando' o meu - um site de pesquisa e  venda de porcariadas. Meu site virou uma espécie de 'zumbi', carregando o tal virus nas costas. Coisa de quem não tem nada melhor para fazer...

Entrei num site de discussão em grupo (Foruns), no proprio Google e posteriormente recebi mensagens (obrigado Lorena e Castiel pela simpatica 'assessoria'...) dando dicas para resolver o problema. Deletei varios gadgets, pois não consegui encontrar o culpado - e parece que resolveu a 'parada'. 

Esta internet tem de tudo, como a Sociedade em geral - e a gente tem que se acostumar com estes eventos, cada vez mais.... mas temos que ser mais inteligentes do que eles, e não fazer tempestade em copo dágua, faz parte!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Boas lembranças na escola...



Cartoon encontrado (via Google Images) de
http://www.andertoons.com/cartoon-blog/2012/08/teacher-cartoons-2.html
( tem outros incríveis lá... enjoy!! )

Ontem ocorreu algo que, desde 1978, quando comecei a ministrar aulas na Universidade, poucas vezes sucedeu comigo. Mas tem um poder mobilizador/motivador enorme em minha pessoa. Fico muito feliz por um bom tempo, efetivamente!

Ao final da aula uma pessoa se aproxima e diz que a aula foi muito boa para ela; que estava com problemas e que o assunto discutido foi importante para sua tomada de decisão e que isso a ajudou muito. Eu agradeci muito na oportunidade e sempre digo à pessoa nesta hora: é por estas situações que sinto valer toda a minha profissão - sinto que minha missão tem sentido! A minha vida tem significado total nesta hora mágica. 

Nesta aula de ontem o assunto era a Ética Profissional, setor onde a Humanidade hoje em dia tem necessitado muita reflexão. É uma disciplina que gosto muito, pois nos instrumentaliza para lidar com a complexidade avassaladora que nos comprime a todo instante. Se não tivermos parâmetros seguros para guiar nossas decisões, naufragamos com facilidade, pelo que se observa a todo instante nos jornais com todo tipo de criatura. Por estas e outras razões é que temos que nos esforçar para cuidar desta mocidade, desorientada e bombardeada a todo instante por zilhões de informações, muitas vezes contraditórias...

Por outro lado, os alunos hoje em dia se esquecem facilmente do fato de que também somos gente, que precisamos de apoio, incentivo nesta nossa exigente profissão. A moda hoje é centralizar todo o ensino no aluno, deixando o docente de lado, ou mesmo demonizando-o, culpando-o pelas mazelas da aprendizagem imprópria, improdutiva. Por isso, quando um aluno (dentre tantos que temos) manifesta este tipo de carinho, que bem que nos faz! Mas na maior parte do tempo o docente leva muita pancada, cutucões, pescoções, puxadas de orelha, cotoveladas, provocações ... Que tempos, meu Deus! O professor não tem mais o valor que tinha antigamente, sinto muito!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Boa revista...


http://www.economist.com/

Esta é a revista que mais tenho lido ultimamente, e isto por causa do smart phone - é o nosso atual oráculo, disponível e acessível a qualquer hora. É esta uma das melhores revistas do mundo, sem dúvida. Baixei um app gratis com o qual sempre posso ler editoriais ou um ou outro artigo, e que prazer poder desfrutar de um texto primoroso, realmente. Eu amo as letras, e aprecio deveras um raciocínio bem burilado.

O Brazil tem sido objeto de bastante reportagens no periódico - infelizmente, muitas desabonadoras... que fazer; só podemos orar ao Pai Celestial para que nossos governantes mudem seu modo de gerir a coisa pública, pois andamos mal das pernas. Parece que o PT já cansou e esgotou o arsenal de recursos. Começa a cansar nossa paciência também. Acho que a atual presidente não vai se reeleger nas próximas eleições, ainda bem.

Veio, agora há pouco aqui em casa, o pessoal da provedora de internet.  Eu estava notando que a 'navegação' estava algo lenta, e descobri que posso aumentar a velocidade da web sem grandes incrementos na fatura mensal. Agora posso até assistir filmes se eu quiser. Felizmente não sou desta turma de viciados no terminal. Tenho pena da molecada que fica a todo tempo 'pendurado' nestes aparelhos que mais roubam nosso tempo do que qualquer outra coisa. Nem imaginam o mal que estão a fazer a si mesmos. O que tem de aluno que fica em sala de aula fingindo que presta a atenção na matéria é impressionante, pois a mini-tela reclama atenção constante. Parei de admoestar a estes aspirantes a beócios, pois é como pregar à massa ignara; "não adianta"... Mas fico, como educador, seriamente preocupado. Exemplo: semestre passado, por causa da concorrência da atenção, muitos alunos ficaram de exame comigo em algumas disciplinas - olha que eu avisei! - e foi o maior banzé. Recebi admonição dos superiores! Devo deixar menos alunos de exame, é a equação... Novos tempos! Como gosto de dizer, alea  jacta  est...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ciência levando à Verdade, o que seria?...


The Cosmos
(foto obtida agora, via Google Images, de
http://wall.alphacoders.com/big.php?i=153316 )


Tomando como base um dos textos do físico brasileiro radicado nos Estados Unidos Marcelo Gleiser fiz um pequeno texto didático para discutir com meus alunos. Versa sobre Ciência, verdade e conhecimento...

Desde o começo da Humanidade, a pessoa deseja ter conhecimento sobre tudo aquilo que sua mente tem acesso, e deseja conhecer bem, isto é, ter um conhecimento certo, útil e confiável, que permita utiliza-lo apropriadamente agora e outras vezes. Neste percurso, muitas formas de conhecer foram desenvolvidas, como a do senso comum, a filosófica, a religiosa e, mais recentemente, o científico. Esta última modalidade de conhecer adquiriu na pós-modernidade ares de ferramenta que garantiria, se bem empregada, um conhecimento ‘melhor’ que os outros, mais confiável e condizente com a realidade. Muitos acreditam que a verdade objetiva, originada de fatos, se obtém somente mediante o uso da Ciência, e dos métodos que ela preconiza, ainda mais porque se valem, no mais das vezes, do auxílio da Matemática, ramo ‘exato’ do saber.

Existe hoje em dia quem questione esta corrente majoritária da Ciência, como se fosse a resposta última para bem conhecer. A Ciência, para alguns, parece debochar das outras formas de conhecer. As críticas à Ciência são muitas – ela uma hora diz algo, e outra hora se contradiz (exibe versões antagônicas mediante o uso de métodos por vezes ‘iguais’); Ciência é feita por pessoas imperfeitas, que tem suas vontades, intencionalidades, que acabam refletindo o próprio fazer da Ciência; a complexidade da realidade é enorme, e se a realidade é uma totalidade, como pode haver tantas versões, tantas visões de mundo discrepantes? A lista é enorme. Existem críticas à Ciência que no fundo são um tipo de preconceito, como por exemplo aquelas pessoas que a acusam de negar que certos eventos 'existam'. A Ciência na verdade se pronuncia somente sobre fatos que consegue efetivamente se aproximar com certeza razoável, com evidência firme. Os discos-voadores, ou qualquer UFO, por exemplo; a Ciência não nega a sua existência - somente diz que, com os instrumentos e ferramental atualmente disponíveis, não se consegue estabelecer consenso na comunidade científica para descreve-los de forma inequívoca, ou seja, ter certeza firme de sua real (palpável cientificamente) existência.

Mas a Ciência não se move por certezas, e sim – paradoxalmente – pelas dúvidas, pelas perguntas! Para ter uma idéia crível sobre a realidade - para a Ciência dar respostas sobre algo que se desconhece da Natureza - em primeiro lugar necessitamos perguntar bem, saber estabelecer com clareza o quê estamos procurando saber - qual seria nossa cristalina questão, ou seja, nosso 'problema' científico. Muitas vezes não progredimos em nosso conhecimento porque não temos certeza se o que encontramos (com nossa investigação)  'responde', satisfaz efetivamente a uma dúvida que colocamos.

Em Ciência, os fenômenos tem que ser bem interpretados em seus constituintes; as hipóteses adequadamente testadas (a partir da sua trama teórica); as conclusões (a partir dos resultados encontrados e adequadamente discutidos) demonstradas; os caminhos deste tipo de conhecer passíveis de serem reproduzidos, e aquilo que é momentaneamente consensuado como o mais perto do que seja a real ‘realidade’ – ou seja, a ‘verdade’ -  permitir-se ser questionado e falsificável, mediantes novas observações.

A Ciência tem instrumentos sempre limitados – seu alcance e precisão são sempre limitados, visto que a (complexa) Natureza, como apontou Marcelo Gleiser, oferece barreiras consideradas intransponíveis (bem, hoje se pensa assim) para conhece-la em sua totalidade, como a velocidade da luz, a incerteza quântica, e o crescimento da desordem (entropia). Mesmo a Matemática parece ter seções que não ‘fecham a conta’, como os teoremas da incompletude de Gödel. Quem é cientista sério sabe que o Homem sempre será de certo modo ‘míope’ para enxergar a Natureza, pois ela não nos é (e parece que sempre será) descortinável com clareza em sua totalidade. Sempre que focamos uma 'janela' da realidade - este 'pedaço' aqui do que existe - deixamos de olhar para os outros componentes desta mesma realidade, o que pode estar comprometendo nossa visão do todo... Nietzche, Wittgenstein, e outros já nos alertaram que moramos todos em (diversas) ilhas de conhecimento (mais ou menos sofisticadas) cercados de oceanos de desconhecimento, de coisas que ignoramos ou de coisas com as quais nos iludimos.

Para um dia vir a saber de tudo, o Homem precisaria conhecer e postular todas as perguntas possíveis, o que parece ser certo ‘absurdo’ – segundo alguns, algo impossível. Se um dia chegarmos a isso, nossa vida teria ainda sentido? Ou ‘seremos como Deus’, conforme alguns filosofam (pois não se pode saber o que isso significaria)?


Talvez o que melhor possamos fazer mesmo é ter esta liberdade para continuar a questionar, a perguntar sobre esta Natureza, este Cosmos, inspirados por tudo aquilo que não sabemos.