segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ecos de minha formação profissional...

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Tentei colocar uma imagem (fica mais amigável a leitura...) mas veio a mensagem no Blogger dizendo "servidor rejeitado"... o que isso significa? Eu salvei no meu micro diversas gravuras obtidas via web, de outros blogs que costumo visitar... Problemas no meu computador; dificuldades do editor HTML, o que será?  Sãos os dilemas na era da hiper-informática, complexidade demais para dirimir!  Deixa prá lá, que fazer; aceite-se o que desponta, o que surge; "de graça vem, de graça vai"; no budismo zen, quando os pensamentos ficavam macaqueando em nossa mente,  dizia o Mestre  "deixe vir, deixe ir" (que quer dizer apenas observe...)

 P.S. - o problema é no Google mesmo: tentei carregar  - pela enésima vez - uma foto minha, aqui mesmo alojada nos arquivos de imagens do meu PC e aparece a mesma mensagem... paciência, 'fica para outra vez'... acontece!  ]

Mas vamos em frente - lembrei de uma lição importante, que passo aos meus leitores. Aprendi que um bom profissional forma-se também na leitura da boa literatura, e eu vim deste modo a apreciar o gênero 'crônica' (segundo o Houaiss, no jornalismo, coluna de periódicos, assinada, dedicada a um assunto como, p. ex., atividades culturais, política, ciências, economia, desportos etc., ou à vida cotidiana, contendo notícias, comentários, opiniões, às vezes críticas ou polêmicas; texto literário breve, frequentemente narrativo, de trama quase sempre pouco definida e motivos geralmente extraídos do cotidiano imediato). Não sei se, jovem,  gostei mesmo de crônicas por (também) abranger  textos mais leves, ainda que mormente carregados de útil ensinamento.

No Brasil temos excelentes cronistas, como Rubem Braga, L. F. Veríssimo, Fernando Sabino, Machado de Assis e tantos outros - a lista é enorme! Bem, de Machado pode-se ler qualquer coisa que, seguramente, poderemos aprender muito sobre a alma humana; creio que já o disse aqui. Ultimamente estou degustando  - sim, ao mesmo tempo - dois livros interessantes neste sentido. Um é de um americano - Michael Kepp - que escreve nos jornais de grande circulação; publicou uma obra bem engraçada denominada Tropeços nos Trópicos: crônicas de um gringo brasileiro (Rio de Janeiro: Ed. Record, 2011), e o outro é de Luís Antônio Contatori Romano, denominado Reminiscências de um viajante - 101 episódios (Campinas: Ed. Komedi, 2007), abarcando crônicas de viagens. 

O melhor modo de conhecermos o outro é bem conhecermos a nós mesmos, e esta, a leitura de crônicas, é uma maneira bem-humorada de dar conta desta eterna tarefa! Fica a dica, principalmente para meus alunos e alunas de Psicologia...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Périplo de Carnaval

Foto obtida agora do site
http://gazetadoriopardo.com.br/vnoticias

Ontem fui ver Lívia em Rio Claro - passamos a tarde e nos divertimos bastante. Rio Claro tem tradição nos festejos momescos e a ressaca era visível no ar... O que foi especial nesta rápida passagem por lá foram dois eventos.

O primeiro foi na agência do Banco do Brasil, onde fui sacar um dinheiro nos caixas eletrônicos. Uma senhora, aflitíssima,  havia deixado cair a chave do carro numa abertura (que mal planejamento do pessoal de hardware do banco!) inusitada que há no 'frontispício' (parece apropriado aqui, como se fosse uma espécie mistura de 'frente' com 'hospício'...) do equipamento, junto aos teclados numéricos do terminal que ela estava usando. A chave ficava à vista, no chão, mas fora do alcance do usuário, no interior do mesmo. Eu me abaixei (isto fica cada vez mais difícil na minha idade...) e, com minha própria chave, puxei a dela e, com a ajuda da Lívia, levantava a aba de metal que ficava impedindo a liberação da chave. Depois de algum revolvimento, o molho de chaves liberou-se, afinal, mas tive que fazer força com a folha de metal. A senhora muito agradeceu pois, imagine, num feriado de carnaval, quem do banco a iria socorrer? Vendo que ela muito se agradecia eu perguntei (como sempre faço em situações de livramento) se ela era evangélica. Ela disse que era batista e que inclusive tinha acabado de participar da Santa Ceia. Eu então disse a ela que era irmão em Cristo, também pertencente a uma Igreja histórica, e que o que todos chamam de 'sorte' é um dos nomes da Providência, que nos provê de pessoas ou de fatos para nos livrar de sinucas ou outros desafios ou mesmo provações, ainda que no mais das vezes não o mereçamos. Nos abraçamos felizes e confortados!

O outro evento foi que revi um grande amigo, professor de ensino médio que, nos anos 70, foi dono de um pequeno curso pré-vestibular em Rio Claro, que frequentei (chamava-se 'Curso Darwin', e o amigo tinha me pedido para fazer o símbolo do curso, o que foi fácil: somente desenhei um 'C' oposto à letra 'D' e ficou uma espécie de dístico ovalado muito simples e elegante. Meu amigo nunca se esqueceu de mim por causa deste pequeno gesto...). Pessoa muito bondosa e carismática, Roberto Cerantola me presenteou com um CD de música que ele gravou (ele se dedica agora, aposentado, a animar festas e eventos com música italiana, posto que 'oriundi' - latin uriundus - como os italianos, que tem muito em Rio Claro, se referem) junto com a esposa Maria, uma afável senhorinha. Ele deu aulas muitos anos no Ensino Médio, de Biologia, se não me engano. Este amigo tem hoje 71 anos, e ainda corre nas ruas - correu muitas maratonas e provas de fundo de atletismo. Detalhe: ele não tem o braço esquerdo, perdido após um acidente doméstico, quando ainda ele era criança. Mas ficou marcado em minha mente o depoimento que ele me deu sobre o fato, logo no início de nossa longa amizade - que ele tinha subido em uma árvore, caído da mesma e ocorrido fratura exposta;  o médico não o tratou convenientemente e o membro teve que ser amputado. Mas ele nunca guardou mágoa de ninguém ou se sentia menos pessoa por causa disso: foi-lhe 'arrancado um pedaço do corpo, mas não da alma' ele dizia... E ele é desde então uma pessoa feliz, positiva, que motiva todos quanto lhe chegam perto com sua alegria e desprendimento, além dos gestos gentis, suaves, como a sua voz mansa e ritmada, emolduradas permanentemente com seus olhos azuis e sorriso constante. Como foi bom rever o amigo depois de tantos anos, na cidade que vivi de 1955 a 2004, com  alguns pequenos lapsos. 

Mais uma vez nesta época de carnaval, quantas pessoas faleceram, principalmente em acidentes nas estradas. (Na viagem de volta a São João pegamos uma chuva torrencial de tal monta que precisamos parar no acostamento com o pisca alerta ligado!)  Sobre o carnaval, não fomos, um dia que fosse, em salão ou desfile de rua; mesmo no clube de campo não fomos. Nem quando era jovem eu gostava do ajuntamento feroz que marca estas festividades, muitas vezes com álcool a rodo, emoções desenfreadas, violência e abuso, em variadas formas. (Em Novembro, a taxa de nascimento de bebês aumenta muito, ao que parece...)  Ficamos em casa, fomos à Igreja, planejamos aula; Ruth estudou e aproveitamos para agilizar nossos encargos vários. Na TV, vimos mais filmes do que o noticiário, trágico no mais das vezes, e lemos muito. 

Até o próximo carnaval...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O problema das relações interpessoais pós-modernas

Robert de Niro


Acabo de assistir no canal local de TV a Cabo (HBO 2) um filme com este artista, denominado Estão todos bem (não sei o nome original). Como costumeiro no grande cinema americano, drama bem feito e com atuação magistral do personagem principal. Tema: relacionamentos entre pai e filhos, o que invariavelmente acaba me tocando, de modo especial. Imaginei que ficaria emocionado como das outras vezes, visto que acabo 'introjetando' sentimentos e emoções, me colocando no lugar do personagem, mas desta vez me surpreendi. Acho que todas as lágrimas que tinha já foram derramadas quanto a este departamento.

Como é sofrente (já comentei isso em outros post) para a criatura obrigada a apartar-se dos seus rebentos; sabe-se (todos e qualquer um) que não se tem filhos para si, mas nunca, pai ou mãe, nos emendamos. E, ao envelhecer-se os genitores, se houve ou não algum relacionamento mais amiúde, quando se emancipam, os 'ex-bebês' esvoaçam do ninho, como que esquecendo-se do tanto que os pais se apegaram àquelas criaturinhas de início tão frágeis e dependentes... Muitos nem chegam a dimensionar nos pais tal liame - talvez o saibam quando tiverem os seus próprios filhos.

Mas creio que isto também é inerente ao humano do Homem; cortar de vez o cordão umbilical pressupõe este afastamento. Será que é por isso (também) que ouço alhures pais se arrependendo de ter tido filhos? Muitos se dão em casamento, mas optam por não ter filhos ou, no máximo, uma dupla de pets... Mas o que está feito, realizado está!

Por isso também, creio, que muitos idosos se deprimem. Fiz uma pesquisa docente o ano passado na Instituição de Ensino Superior onde trabalho, investigando a visão daqueles da terceira idade (controversa esta nomenclatura...) sobre o estado de isolamento, de solidão vivenciado por eles, em especial daqueles ou daquelas asiladas. O que achei foi que o estado de solidão (situação de quem se acha ou se sente desacompanhado ou só) ou isolamento, aquela sensação de quem vive afastado do mundo ou isolado em meio a um grupo social, revela-se para os idosos entrevistados como abarcando principalmente sentimento de tristeza – “sofrimento” (que ocorre, no caso de alguns idosos, precisamente ao cair do poente, ao entardecer), oriundo basicamente de cogitações subjetivas, pessoais, e disseminadas ao longo de dois pólos significativos. O primeiro, o das reminiscências vitais, ligadas (a) a entes queridos (ou na sua imaginada existência, para os solteiros) vivos (e/ou ausentes da vida da pessoa) ou falecidos, e seus atos, como por exemplo, a família colocar o idoso em instituição asilar, ‘abandonando-o’, ‘desprezando-o’; ou (b) a determinados espaços, como uma propriedade onde viveu anteriormente por período apreciável.

Como se pode ver, uma dimensão da tristeza sentida pelo idoso naqueles depoimentos traduz-se na ausência da pessoa querida. A pós-modernidade está, ao que parece, recrudescendo o afastamento dos viventes, em especial dos familiares. A individualidade, salvo erro ou engano, cada vez está mais valorizada, e isto às custas da intimidade, da cumplicidade, da entrega, da amizade. Sim, sei que generalizo, mas sempre que falamos, discutimos, refletimos sobre pessoas, abarcamos percentuais, quantidades determinadas de tal e tal população. 

Vejo sintomas do afastamento entre as pessoas diuturnamente nas conversas, nos encontros, nas falas intercambiadas. A 'moda' agora é não ter paciência para escutar o outro ou a outra  terminar sua fala - falamos 'em cima' do que o outro está a falar, interrompendo-o. Eu não me calo, como é habitual; costumo muitas vezes continuar com o que estou dizendo, até deixar patente ao outro o abuso que comete, pois ninguém entende nada com duas bocas falando ao mesmo tempo. Nos casos mais recalcitrantes apelo para a metalinguagem: 'abro um parênteses' e intento conscientizar o interlocutor acerca da impropriedade de tal conduta de interromper, mas muitos 'não entendem', ficam chocados pois nunca esperariam tal observação direta sobre a conduta deles. De qualquer maneira, vejo que é muito difícil livrar-se de tal cacoete, principalmente 'de uma hora para outra'. Mas o que quero ressaltar é que tal vício e assemelhados 'antigamente' eram exceção; hoje parece ter tornado regra de conversa... Lamentável. Tudo parece tão 'acelerado', as pessoas correndo atrás do vento...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Do libreto de fábulas: Os Gansos e as Garças...

gravura obtida hoje de
 http://www.reporterdiario.com/blogs/ocorvo

Conta a fábula de Esopo (Jack Zipes' AESOP'S FABLES, Londres: Penguin Books, 1996, Penguin Popular Classics #20, fab. n. XCII, p. 95) que alguns gansos e garças estavam certo dia alimentando-se conjuntamente no mesmo campo quando uma armadilha caiu repentinamente sobre eles e elas. Desde que as garças eram mais magras e leves, elas puderam  voar facilmente e escaparam das redes da emboscada, do alçapão. Os gansos, entretanto, de certo modo presos ao chão pelo seu peso, não puderam alçar vôo tão facilmente e foram todas capturadas. Moral da história: Aqueles que são apanhados não são sempre os que tem maior culpa...

Longe de mim interpretar mal esta pequena estória. Quero 'filosofar' apenas num pequeno aspecto. A palavra culpa é por demais danosa em seus efeitos em nossa alma e, por vezes, nos apoquentamos, nos mortificamos desnecessariamente. Não creio que a maior parte dos arrependimentos ou tristeza em situações (principalmente de injustiça) se deva a auto-piedade ou desalento com o infortúnio, e sim com o fato de não podermos nos defender, de um lado ou, de outro, por estar a sofrer-se a desdita por ter agido bem, corretamente. 

Chega-se, em certos casos, a se arrepender da bondade ou da correção, da retidão,  que acreditamos fazer parte de nossa personalidade. Imagine: arrepender-se por ter agido bem, e somente pelo resultado não ter saído como esperado. É o maior conflito interior, horrível de se vivenciar! Mas este sentir se revela no seu possuidor como resultado de um raciocínio superficial, rasteiro, limitado. 

Uma alma assim ao que parece, ressente-se de não ter lido mais, não ter estudado sobre o testemunho de tantos que sofreram injustiças (até alguns com a própria vida), faltando um certo lastro de valores que instrumentalizem a tomada de decisão consciente de nossas condutas em situações de crise, que nos sobressaltam de qualquer forma.

Temos que agir bem porque é correto em si, e não porque vamos sofrer consequências se agirmos mal. Aquele ou aquela que não detém um estoque de virtudes que o(a) habilitem a agir da melhor forma no dia-a-dia não é mais do que uma folha ressequida ao sabor do vento ou das chuvas, que nem precisam ser assim, digamos, torrenciais.

O ser humano, como bem identificou Calvino (principalmente na sua obra prima As Institutas da Religião Cristã) e tantos outros, é um ser decaído, corrompido, tendente ao mal por natureza. Temos que nos vigiar constante e inexoravelmente, pois estamos tanto mais perto de Deus quanto podemos estar, no momento seguinte, nas garras do arrenegado, do beiçudo, do capeta, do demônio, do lúcifer, do mofento, do rabudo, do satã, do temba, do tinhoso...

Portanto, nada de desanimar; vamos ser tentados e provados nesta terra, e o perigo vem tanto de nós mesmos, por causa de nossa mente imperfeita, quanto do nosso próximo, imperfeito tanto quanto nós mesmos. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Razões para viver ;-)

fotinho que Marília me mandou do seu diário...

Agora é hora de celebração.... Coloco um CD de George Benson no CD Player, ponho um mug com cappuccino na mesa, uma bala coffe drops (Cavendish and Harvey) para degustar depois e... dar asas à emoção!

Marília me mandou singelo e-mail comentando a última postagem deste blog; adicionou a foto acima, que ora reproduzo (clique nela para aumentar). Tal lembrança me deixou emocionado. Ela fotografou um pedaço de papel que ela guardou, no qual eu resumia alguns dos muitos ensinamentos que eu procurava passar para meus filhos, conversando (e eu gosto de fazer esquemas, para ajudar a fixar). Analisando mais a foto (que inclui outra foto de Marília adolescente, linda, no meu colo - até hoje meus filhos 'monstrinhos' sentam no meu colo, inclusive o JD, com seus quase 2 metros - somos muito afetuosos, sempre fomos!) podemos ver que no meu rascunho consta 3 dos melhores aprendizados de minha vida, que comento abaixo.

O primeiro é um ensino do famoso filósofo ateniense Epicuro (341 - 270 A.C.), um 'remédio' quádruplo que ele costumava ensinar aos seus contemporâneos, e que nos serve ainda hoje. Ele estabeleceu, nestas quatro afirmativas, àquele que se disponha a meditar nelas, que o mesmo estaria como que 'vacinado' contra a depressão e outros males da alma, por isso ele a chama 'tetrafármaco' - um remédio quádruplo. Consta assim:

Não há o que temer aos deuses,
Não há que temer a morte,
O sofrimento pode acabar,
A felicidade é possível.

Poderia comentar extensivamente estas asserções, mas fica o desafio para quem se dispuser... Na verdade elas são quase auto-explicativas. Quantos 'deuses' imaginamos a nos apoquentar, apegos que nos fazem escravos e nos mortificam, determinando-nos, pela nossa mente defeituosa, a sermos mais miseráveis do que somos realmente. A morte, ahh, este pavor que todos sentimos, como se fôssemos terminar, sermos aniquilados... Que lancinante medo deve ser para aquele que a teme. Mas compensa averiguar porque Epicuro assim afirma ser a morte não tão apavorante assim!

Sobre o sofrimento não ser eterno e ser possível ser feliz, isto resume a aventura humana em querer evitar toda e qualquer dor, desconforto (e a quimera que isto significa), contrastado com a promessa de que, se desejarmos e batalharmos para isso, efetivamente podemos, todos   e cada um, sermos felizes, posto que é processo, e não necessariamente estado, condição. Mas fica reafirmado este desafio, para cada um averiguar por si só como é verdadeiro este tetrafármaco...

O segundo ensinamento é uma frase antológica atribuída ao ex-escravo romano Epiteto (55 a 135 D.C.), outro grande filósofo (uso esta palavra no sentido que pretendeu Pitágoras - séc. VI antes de Cristo - 'aquele ou quem ama a sabedoria, movido pela consciência lúcida da ignorância inerente à condição humana' ), talvez o maior moralista estoico.   [ Estoicismo, segundo o Houaiss, é a doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 A.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma Ética em que a imperturbabilidade, a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino são as marcas fundamentais do homem sábio, o único apto a experimentar a verdadeira felicidade. O estoicismo exerceu profunda influência na ética cristã, e é por isso que a aprecio. ]  

Mas Epiteto teria afirmado uma sentença (que muito uso em psicoterapia): "Não são as coisas que são problemas e, sim, o que o Homem pensa a respeito destas coisas" . Ou seja, as coisas são o que são; o significado que acrescemos, juntamos a elas, é o que as fazem (ou não) nos perturbar, posto que considerados como problema. Isto significa que podemos lidar eficientemente com os desafios e percalços quando questionamos, em princípio, o mecanismo mental que utilizamos para retratar as coisas como tal e tal, etc. Cristalino ensinamento: assim podemos ver que muitas vezes mais criamos 'problemas' do que eles realmente existem.

E o terceiro ensinamento (que coisa linda que este encontro - que eu nem lembrava mais -  tenha ficado assim no vivenciado de minha filha - é por isso que vale a pena viver!) vem de meu diuturno experienciar - trata-se do que é o amor, coisa difícil de definir e constituir em nós.

Em minhas palestras e terapias coloco para as pessoas que AMAR na verdade é a somatória dinâmica de 3 instâncias imbricadas, interligadas: Zelo, Comprometimento e Respeito. Analise bem, quando somente vemos - no outro, nas relações, na vida enfim - 2 ou uma só destas 3 coisas, não é amor, é 'interesse', 'conveniência', 'oportunidade'... Mas amor, amor a Deus, ao seu trabalho, amor a alguém, só é amor se compreende, abarca estas 3 dimensões. Faça seu check-list para quem ou o quê te importa; se passar pelo teste de ali existir estas 3 coisas, temos então 'amor', senão, é outra coisa...

Agora, a hora da verdade: você se ama? Zelas por ti mesmo, te cuidas de verdade ou te arruína com comidas, fazeres, coisas que te estragam? Estás comprometido(a) contigo mesmo, com tua vida, onde queres estar daqui a 15 anos? Você se respeita, ou exige de si mesmo(a) algo que não tens, que não podes fazer, você se deprecia, etc.?  Se você não se amar, como o outro vai poder também fazer isso? Temos que ter amor-próprio, menos valioso  neste mundo somente do amor a Deus, que nos é requerido.

Se você olhar na foto acima, esquematizo o amor figurativamente como um banquinho de 3 pernas, com cada dimensão sendo uma perninha que, tirando uma, o banquinho não fica de pé...

Obrigado, Marília, pela alegria que mais uma vez me deste!


foto por Ruth R. B. V. Dutra

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Visita da Marilia e também, mais uma vez, ateus X religiosos...

Marília Barbosa Domingues Vieira Dutra, meu pingo de mel
(fotos por Lucas Vieira Dutra, janeiro 2012)

Como havia dito anteriormente, minha filha caçula do primeiro casamento resolveu, de última hora, nos visitar; fazia muitos anos que ela não saía dos Estados Unidos. Que coisa boa; pudemos passear e conversar bastante! Visitamos Poços de Caldas (MG), Campinas e fomos em lugares 'descolados' aqui de São João, 'só' para deixar a homarada intrigada com o broto (este termo é que se usava nos anos 50 para gatinhas charmosas e estonteantes como você pode constatar pela amostra acima). É um 'avião' e, não bastasse, seus 1,80m deixou alguns dos meninos encabulados. Os céus me abençoaram com 4 filhos altos, bonitos, simpáticos, todos eles. Dizem que todos 'puxaram' bastante as respectivas mães, mas algo de mim a meninada herdou, com certeza.

'Pingo' foi o apelido que eu dei para ela quando criança, pois seus cabelos cacheados dourados assim me inspirou (não sei se sou o único a chama-la deste modo...). É muito charmosa e está estudando Nutrição (não gostou mais de Psicologia, que estava estudando anteriormente...) Levou de volta um 'monte' de presentes e lembranças; dei a ela uma figura de barro feita pelo tio dela, o Zezinho, figureiro premiado, que estava em minha posse. Não sou apegado a coisas, e vou começar a distribuir objetos pelos filhos, reservando o que darei futuramente à Lívia. Já dei bastante fotos minhas quando criança (que recebi de minha mãe) para o José Geraldo - Mariana e Marília, podem 'cobrar' o gugu... tudo o que tenho pertence a vocês!

Dia 25 de janeiro a levamos ao aeroporto de Guarulhos, onde tomou o avião para os EUA às 22:30 horas. Vamos visitá-la em Salt Lake City, Utah (e ao José Geraldo em Fresno, California), Ruth, Lívia e eu, em julho, se tudo der certo com o visto da Embaixada americana - 99,9% certeza... Quem viver, verá.

Semana passada (e esta), preparando as aulas deste semestre - terei 4 classes, 3 do curso de Psicologia e uma, do curso de Ciências Contábeis. Preparo também uma pesquisa científica com idosas sobre percepção de asilamento, com metodologia qualitativa (hermenêutica-fenomenológica), além de um trabalho que meu Centro Universitário realiza com idosos em duas instituições aqui da cidade (supervisionando alunos). Boas perspectivas...

Estava estudando uma passagem de Isaías 55, 6 a 8, que diz:

Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. 
Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. 
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. 

Não fosse revelação estas palavras, admira-las-ia pela beleza dos vocábulos, pela narrativa que nos interpela, pelo temor reverente que a fala celestial suscita em meu ser. Eu, converso e regenerado, vejo estas palavras de modo muito diverso do que um agnóstico ou um ateu. Sei que para eles 'são' fábulas, literatura, devaneios de homens rudes, agrestes, toscos. Para mim inserem-se num todo que explicita uma atitude eterna da Deidade para com sua preferencial criação, incompreensível a quem desconhece o entorno e o contexto disto tudo, sua significação e valoração. 

Termino esta breve digressão com um versículo do apóstolo Paulo, de sua carta aos Romanos (v. 08):

Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. 

Para o crente, esta asserção é cristalina, intrínseca, inerente à sua condição de pessoa, epítome do seu ser enquanto filho(a) do Pai Celestial, totalmente dependente d'Ele, soberano e misericordioso. Lembro agora do que disse Benjamin Disraeli: "a vida é muito curta para ser pequena". O que faz nossa existência ter sentido é compreender nosso lugar no Cosmos, posto que somos um átimo dele, fragibilíssimos, efêmeros ao extremo, percorrendo fragoso caminho nesta esfera.