sábado, 19 de junho de 2010

Sumido...

Sim, sei, já havia prometido aparecer mais.... Ocorre que, como uma 'desculpa', consegui amealhar mais atividades às que eu realizo. Durante 3 tardes na semana eu supervisiono o trabalho de estudantes universitários em asilos de São João. É muito gratificante este tipo de trabalho. Fazemos estimulação psicomotora/cultural/interpessoal com os asilados. Como daqui a algumas décadas o Brasil será o sexto país do mundo em numero de idosos (projeções apontam para até 25% da população com mais de 60 anos...) esta especialização tem futuro!

O 'chato' é a inevitável burocracia que acompanha estas intervenções na comunidade, mas necessária. Um 'gargalo' na atividade é o nivel de conhecimento/destreza/motivação da equipe, o que limita o escopo e alcance do trabalho. Mas um pouco que se faça é recompensador e realiza enormes progressos entre os atendidos.

Agora tanto se fala da Copa de futebol, que tive oportunidade para averiguar o nacionalismo incipiente dos brazucas. Nossa patria tapuia/tupiniquim parece se revelar por vezes incipiente (não falei 'insipiente', por favor) neste quesito, e demoro a intuir a razão. Muitas explicações são veiculadas pelos nossos luminares de plantão, mas desconfio de todas/todos, posto que as ideologias lhes são intrínsecas. Saber, quem há de? Não imaginem que o desfile de roupas, de carros e adesivos etc. diz algo neste sentido; o brasileiro gosta demais do que está na moda... ou que aumente sua exposição... ou... ou não (para usar um 'gag' - quase caco - do Caetano Veloso... este sobrenome é com um 'éle' ou dois 'éles' ?).

Vou agora a uma festa junina familiar. Tem gosto de infância e saudade de outros tempos. Tenho duas classes para corrigir provas, além das 4 outras que já corrigi, digitei as notas no portal do Centro Universitário e entreguei a documentação pronta e pontualmente na Secretaria. Todas as disciplinas agora são semestrais, o que está causando certo rebuliço na Instituição. Mas entre mortos e feridos serão todos salvos.

Pequena e despretenciosa digressão sobre o Livro de Jó

O livro de Jó, além de ser uma preciosidade dentro da Religião, o é também entre aqueles que apreciam a boa literatura, em todo mundo. A grande riqueza está em discutir um amplo assunto bem abordado no texto – não o sofrimento em si, ou a questão das origens do sofrimento, ou o culpado pelo sofrimento (como muitas das pessoas que estudam Jó podem apressadamente atentar) – mas, em sua universalidade, convidar à reflexão uma necessidade vital a todos nós: a agonia do humano coração torturado pela angústia e pelas diversificadas aflições a que a carnalidade é sujeita, advinda do pecado.

Jó precisamente aponta, denuncia, desvela a incapacidade, a insuficiência de nossos horizontes para compreender apropriadamente o problema do sofrente existir, posto que tendemos, entre outros desvios, a reduzir a complexidade desta crucial problemática a formulas simples, ‘acessíveis’, enfim, reducionistas. No livro de Jó vemos que o mistério da causa do sofrimento permanece um mistério para o protagonista, e que o principal discernimento que podemos auferir, como bem demonstrou a leitura da semana, é que o cerne do ensinamento reside no aspecto motivacional da religiosidade e da Fé do personagem, e que para esclarecer isso o Pai Celestial emprega na trama até a Satanás, além dos amigos de Jó. A pessoa de Jó vem a compreender, ao final da caminhada, que Deus, em seu Trono, é Soberano e recompensa aqueles que Lhe pertencem, apesar dos tempos de dor, de prostração, de acrimônia, de provação, enfim.

Na Bíblia do Peregrino (2ª. Ed., SP: Paulus, 2006, p. 1060) lemos que Jó abarca “um drama com pouca ação e muita paixão”, tendo o autor deste santo livro infundido no protagonista uma paixão arrebatada, inconformado com a doutrina tradicional da retribuição. Nosso personagem Jó se opõe, segundo Carson (Comentário Bíblico Vida Nova, 3ª. Ed. 8ª. Reimpr., SP: Vida Nova, 2008, p. 696) à idéia de que o sofrimento é sempre uma punição pelo pecado. A grande lição que fica é que temos somente duas respostas quando estamos em sofrimento – realizar uma calma aceitação da vontade soberana de Deus e, buscando-o como um filho busca a seu Pai, efetivamente encontra-Lo, a Deus que, ao fim e ao cabo, tudo concede, inclusive o sofrer. No fundo, o livro de Jó louva a soberania, a sabedoria e a glória de nosso Criador.

Recomendo a todos este estudo, em especial porque vemos que Jó sofreu não porque era um dos piores homens, como apressadamente se poderia imaginar, mas porque era um dos melhores, e sua provação veio, como apontamos acima, a glorificar a seu Deus.

Não menos importante, vemos que, nesta esfera mundana e nessa amplitude do celestial ensinamento, o livro de Jó nos anuncia precisamente a Cristo posto que, surgindo problemas e gemidos de agonia, somente Jesus pode efetivamente nos responder: no coração de cada mulher e cada homem existe, desde Adão, um vazio que só o Mestre e Redentor pode efetivamente preencher.