sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Antenado nas noticias...


O mundo ficou pequeno mesmo; pela minha atividade profissional, tenho que me manter 'antenado', e costumo ler pelo menos 3 jornais todo dia (acho que já comentei isso aqui, mas que fazer, estou ficando velho e esquecido - hoje corri na Universidade para ver se tinha esquecido a carteira lá, e ela estava em casa mesmo... ô Senhor!!), dois em papel no UNIFAE e um, eletrônico, que recebo pela web. Mas o que mais estou gostando de percorrer ultimamente é o tal agregador de notícias acima. Muito bom recurso, e a gente que acaba determinando os assuntos que quer seguir. Todo dia aciono o aplicativo via iPad mini e é bem confortável de ler, principalmente pelo adensamento de pixels que meu leitor digital tem (o recurso Retina). Recomendo - vc não vai se arrepender...

Na verdade acho que estamos ficando mais solitários ainda, cogitando em nossas cabeças a enormidade de informação, digo, dados (informação é quando os dados são interpretados, criticados, assimilados produtivamente...) que 'chove' em nossa mente constantemente. A gente vive correndo, não é mesmo? E com isso tem menos tempo - quando tem - de refletir sobre as coisas. Na maior parte do tempo não se medita mesmo e vai-se vivendo (ou desvivendo...), hmm  sobrevivendo... se é que isso é vida, na acepção plena da palavra.

Ontem foi o último dia de aula, quer dizer, da necessidade de ir passar o cartão no leitor de chip corporativo da Universidade, para atestar nossa presença. Eu terei que ir todos os dias trabalhar nos projetos que tenho que dar conta, mas só de tarde; não preciso ficar os dois períodos. 'Fora' uma semana que vou estar realmente "'de férias",  os outros dias trabalharei  no UNIFAE para agilizar procedimentos e providências a meu encargo. Estou animado e feliz com os novos desafios; sou movido a desafios, definitivamente.

Uma vivência muito significativa que tenho experimentado nestes últimos tempos tem sido as epifanias que consigo divisar, pela graça do nosso Deus. Pequenos instantes só meus, que nem tento compartilhar, pois implicaria em diminuir linguisticamente o fato e me frustrar pela incompreensão do outro (ou outra). Na verdade cada um tem ou teria a sua, se a procurasse, se se abrisse a ela. Tem tanto recurso hoje em dia para quem busca a Deus...   Mas vejo que se me torna, a cada dia, algo mais vital, no sentido de significar a existência. Eu, que já li tanto sobre a vida de pessoas que se abrem ao numinoso, vejo confirmada agora em mim, a todo instante, a verdade estampada nesta outra dimensão do existir, que é, insisto, muito pessoal. É perigoso a pessoa vir a achar-se mais do que é, por esta relação tão especial que se desenvolve com o Criador, mas é a nossa tendência decaída - no fundo isto constituiria uma contradição em termos, mas nunca se sabe o tamanho de nossa depravação, no sentido calvinista do termo. Para mim, a chave foi  e é estar constantemente ligado à Palavra, que nos reanima e relembra as velhas lições que a carnalidade insiste me nos fazer esquecer, e nunca fraquejar no recurso da oração, a sós ou em comunhão. Como o Pai efetivamente responde a elas; fico 'assombrado', mas creia -  a relação é de alegria, de conforto, de satisfação, de estar-se amparado, de ser acompanhado a cada instante. O Senhor me leva pela mão, dando um beliscão de vez em quando, mas dou muita risada!! Não vejo a hora de encontra-Lo. O dia que eu me for, amigo, não se entristeça - vou feliz e jubiloso!

A chuva parece que voltou, felizmente, que saudades! Pena que vai demorar agora de 4 a 5 anos de regime apropriado de precipitação para recompor as reservas dos lagos e represas... E as autoridades fazendo 'cara de paisagem'... que incompetência (criminosa!).


Obtido agora (via Google Images) de
http://www.deskbeauty.net/


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Notas e informações...


(do Google Images)
  1. Gente... Estava aqui no blog escrevendo via iPad Retina mini... Nunca imaginei esta tecnologia toda, nem nos meus pesadelos mais sombrios. Muito desconforto há nesta opção, pois o tecladinho é improviso só... Mas que é mudança enorme, é... Guardarei o rascunho para terminar no PC, o que agora faço. Resumo: inviável escrever só por aqui; não é user friendly...
  2. Voltei outro dia do Asilo com um pensamento na cabeça - o cheiro da morte. Penso que já o senti, por 2 vezes, viajando de motocicleta (quase morri em acidentes) - pelo menos pensei nisto; antes era aterrador, medo puro, instintivo. Mas hoje, com o ensino dos Céus, transmutou-se - a morte - em libertação. Não é ruim estar-se aqui nesta esfera, apesar de tantas mazelas e injustiças mas, na Glória, nossa esperança aqui faz a vida futura certeza de boniteza incomensurável...
  3. Sobre trabalhar no Asilo, sou muito grato ao Senhor por me honrar sempre em servi-Lo. É o que me faz feliz hoje. Sempre.
  4. Tem uma cachorrinha albergada na casa ao lado da minha aqui, pela rua Theófilo Ribeiro. Que belo cão de guarda! Ela tem meia-idade, mas um vigor em sua função que fico impressionado. Chama-se Fofinha, e é sempre desconfiada de mim pois quando ela late sem parar (até para a Lua, penso) dou um "CHIU!!" bem sibilante e ela pára com a altercação - juro que não fui eu quem a condicionou; deve ter sido o velho que morava nesta casa aqui antes (pois os outros 2 cães que moram na casa em frente - pela Rua Prudenciana -  também exibem o mesmo comportamento). Ser um psicólogo bem observador ajuda nestas horas.
  5. Comprei um vinho chileno, da casa Viña Sur Andino, de uva Carménère, de nome Costa Pacífico, importado pela Miolo, veja só. Recomendo - ótimo vinho de mesa, bom e barato! Bom, eu só compro vinho chileno mesmo... Bilú e eu temos nossa hora diária de bebericar e colocar a conversa em dia, antes do almoço, com vinho ou cerveja (Budweiser ou Original). Depois, a oração antes da refeição principal do dia.
  6. Voltei a ler um livrinho maravilhoso, Discurso do Método, de René Descartes. É o livro que 'inaugura' a Ciência aqui no ocidente. Já indiquei aos meus alunos várias vezes.
  7. Fiquei álacre - Ruth resolveu ler as Institutas, de Calvino, depois de muitas loas que fiz sobre a magnífica obra, que foi a pá de cal sobre os enganos dos clérigos daquela época...
  8. Escrever no blog via iPad é ruim, pelas limitações, mas ler o meu jornal diário nele  é ótimo, incrível experiência que me faz pensar que muito dos livros, periódicos ou revistas transmudar-se-ão... A moçadinha - a petizada - e juventude já se adaptaram, ao que parece. Mas observo que esta turma não tem o costume de se aprofundar nos assuntos. O que existe hoje é muita superficialidade. Quando se pede uma análise ou posicionamento, o que se vê é somente dislates, superficialidades ou platitudes... Estou preocupado!
  9. Comprei uma bicicleta ergométrica - é um aparelho que usei muito quando moço, para ver se me animo - eu era tão entusiasmado para a atividade física, mas agora, quase-macróbio, deixo a desejar neste quesito. Que horror, 'feneço-me' a cada dia.  =(
  10. Bilú comprou um queijo cobocó, mineiro, que delícia; a vida plena é constituída de pequenos prazeres, alguns inusitados, mas só 'nossos'. Sou espartano e simples - meu pai assim me ensinou. 'Sem  apegos', aprofundou-me este viés a ética budista (e cristã também, porque não).
  11. Bilú tem se entretido em suas aulas de corte-e-costura. É a hora alegre dela. Mas que a casa fica muito vazia sem ela, fica. Boring... 
  12. A vida vai escoando, até se perder na poeira do tempo... Outro dia encomendei ao Google um back-up dos meus dados alocados lá; deu terabytes de arquivo - tentei o download, mas foi 'impossível' -  o computador ficou dedicado à tarefa, virando a noite, e ocorreram vários erros, tanto que desisti. Quando tudo acabar, que se acabe. A vida é assim, efêmera, e a gente não pertence a esta esfera mesmo; estamos de passagem, somos peregrinos. Meus avôs Lucas e José Antônio (Niniu) foram figuras tão maravilhosas, criaram filhos e tudo o mais e o que eu sei deles? Quase nada. Meus netos também vão saber 'nada' de mim, e é assim a vida. Portanto, vivamo-la nós mesmos, plena e saborosamente, mas no temor do Senhor, aviso logo!
  13. Outro dia lembrei-me de novo de um ebulitivo amigo, o Roberto Cerântula, onde andará? Ele tinha somente um braço, mas uma alma completa, plena, esfuziante!
  14. Ética - estou animado agora com a Bioética, assunto que nunca me afastei, mas agora, coordenando o Comitê de Ética da Universidade, estou a mil; dedico-me hoje, além das atividades quase-modorrentas do dia-a-dia das rotinas, à elaboração das POPs - Procedimento Operacional Padrão - que temos que ter lá naquele setor, para padronizar e melhor acompanhar as diversas ações. É coisa que gosto: planejar, regulamentar, analisar, discernir, prospectar, pesquisar, metodizar. Cada macaco no seu galho, não é o segredo para sentir-se feliz? Vou agora sair 'correndo' pois temos a nossa reunião ordinária mensal, para analisar os protocolos de pesquisa postados. 
  15. Agora nas férias estarei mais presente por aqui. Neste semestre, com as 9 classes que administrei, o tempo encurtou - veja só, fiquei quase um mês sem aparecer. Sorry!

sábado, 1 de novembro de 2014

Festa dos 60...

Fotos Luis Sérgio Vieira Dutra (o primeiro, abaixo, à direita)

Então... já devia ter postado algo aqui, mas ando com certo enfado - idade, talvez?? Mas foi um dia muito legal de se curtir; todos os primos queridos apareceram. O Neiroberto da Lucia, como sempre gentil, nos cedeu o espaço e ajudou sobremaneira a fazer do encontro algo agradável a todos.  

A Idade chega de modo cicioso e nos inclina a rabujar, se não nos acautelamos. Procuro agora a toda hora motivos para não ficar com tédio, pois parece que consegui tudo o que queria, o que não é verdade. Sou muito incompleto e falho - só isso deveria relembrar a todo instante o nosso inacabamento. Mas esta inclinação - amofinar-se -  se nos desaba no colo sem aviso! O maior contentamento que tenho atualmente é rapar bissemanalmente barbas e cabelos dos idosos do Asilo - pois nada dá mais júbilo que sermos honrados pelo Redentor em poder servi-Lo. Rogo que eu possa ter mais oportunidades como esta; terças-feiras e sábados são os dois dia que mais gosto, depois do domingo, quando posso louva-Lo em sua Igreja.

Marilia, o aniversariante, Rafaela e Livia


Tenho primos muito bacanas, e o mais velho, o Bira, primo mais querido entre todos (que veio de Goiás especialmente para me ver) sugeriu que nós nos encontremos todos todo ano, em outubro, o que foi endossado pelos demais. Está na hora mesmo de fazermos isto, pois muito de nossos pais já se foram, e logo vamos estar somente os filhos...  Não podemos perder o costume festeiro dos Vieira...

Família Geraldo Vieira Dutra e o primo Bira
(e rara ocasião em que o mano Luciano está - quase - a sorrir!)

Quando éramos crianças, a familia de minha mãe fazia festança enorme quando os tios faziam 50 anos; nosso costume agora é comemorar aos 60 - creio que nossos filhos farão patuscada aos 70! Mas já não estarei mais aqui, (in)felizmente... 

Louvai ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre. 
Salmo 118: 1

sábado, 27 de setembro de 2014

60 anos...


Gravura obtida (via Google Images) de
http://www.discountmugs.com/nc/clipart/11754/60th-Anniversary

Estivemos, Bilú e eu, em Mogi Mirim, para ultimar os preparativos para a celebração dos meus 60 anos. Como sempre, o chef Ney serviu acepipes regados a cervejas premium. O almoço será o dia 12 na vivenda do Ney, somente para os familiares. Meus filhos devem vir para o evento, talvez algum neto, mas não é certeza. Pelo menos vamos tirar muitas fotos para a posteridade.

Não tenho tido muito tempo para aparecer por aqui, infelizmente. Neste semestre minhas 9 classes estão consumindo muita atividade, problematizado pelo fato de estar tomando conta agora do Comitê de Ética em Pesquisa. Está difícil 'decolar' o CEP, por 'n' razões, que não cabem aqui. Mas não desisto - ainda vou dar risada destas dificuldades todas; 'faz parte'...

Que tempos estes! Leio todo dia os 2 melhores jornais de São Paulo, como já disse aqui, e a variabilidade de assuntos e posicionamentos de colunistas e jornalistas é assustador. Por vezes parece que o objetivo dos amanuenses não é esclarecer, informar, provocar, mas competir para ver quem mais choca os leitores. De qualquer forma, é sinal dos nossos tempos... muita falação e indizíveis maluquices... A mesma coisa quando ligamos a TV - tem coisas 'tipo', como se diz, construtivas, mas a maioria é lixo, programas para garantir audiência pelo fato das coisas bestas chamarem mais atenção que as boas. É assim o ser humano, ao que parece. Mas, nestes dias, o rol de asnices que vemos nas propagandas eleitorais, nas entrevistas concedidas pelos candidatos aos cargos eletivos nas diversas midias assume proporções impensadas. O que mais assombra é o descaso dos diversos candidatos com a nossa inteligência. E não tem jeito - até o fim do mundo parece que a parvoiçada só vai aumentar... Valores antes prezados estão démodé, deslocados, inúteis...

Mais e mais necessita a pessoa de um rumo para decifrar o existir - por isso que nossa ação com os jovens tem que ser cuidadosa; eles são o futuro, e tem muitos deles envolvidos com drogas, violência, etc. - ; está cada vez mais confuso tudo, que fazer. Fico assombrado em ver como a religião perdeu campo neste mister; para mim foi o que me resgatou, pois tinha muita dificuldade em decifrar o ser-aí, como provocou Heidegger. Cada um por si, parece que é a lei de hoje. Mas acho que temos que ter compromisso com as gerações futuras. Quem viver verá...

sábado, 6 de setembro de 2014

Bücherwurm...


Logo de uma simpática livraria alemã,
obtido (via Google Images),  de
http://www.buecherwurm-seligenstadt.de


Bücherwurm em português quer dizer 'traça de livros' uma figura para designar aquela pessoa que adora ler, que passa longos períodos em bibliotecas, etc. Noutra semana, visitando a mana Lia em Campinas, vimos um malfadado inseto perambulando ali e acolá e eu disse ao meu cunhado Thomas que o nome do mesmo em nossa língua era 'traça', e ele escreveu em alemão 'Bücherwurm'; e assim trocamos informação sobre termos equivalentes.

Gravura obtida (via Google Images),  de
http://de.123rf.com/lizenzfreie-bilder/b%C3%BCcherwurm.html

Pelo que vi, é um (figurativamente) bichinho bem querido pelos alemães - é uma boa imagem daquele povo, muito estudado, treinado em lidar com a vida. A formação cultural deles é impressionante. Praticamente todo mundo fala inglês. Mas aqui em brasólia costumamos dizer 'rato de biblioteca' àquela pessoa que aprecia avidamente os livros, debruçando sobre eles horas e horas. Eu já fui uma pessoa assim - preferia livros às pessoas ou animais. Li bastante mesmo, principalmente romances, boa Literatura. Hoje consigo ser mais equilibrado, pois minha cabeça já não guarda mais tanta coisa mesmo...

Mas coloco isso aqui porque parece que as novas gerações não tem paciência para ler - tudo é mais instantâneo e 'telegráfico' por causa dos terminais tipo smartphones, tablets e que-tais. Sempre pergunto em classe quem tem costume de ler, e poucos se identificam. Inclusive já apontei nestes comentários esparsos - os jovens nos interrompem muitas vezes em nossas falas, pois parece que nos estendemos por demais (para eles...)  Eles nos acusam de não sermos objetivos, de nos expressarmos de modo prolixo, verbosamente. Mas ocorre que as coisas não são simples, são complexas, e seus processos exigem análise por vezes minudente... Não sei como tal barafunda vai se resolver, mas continuo apreciando os livros por causa disto - só com paciência conseguimos decifrar um pouco que seja esta nossa realidade, e a compreensão se dá pela interpretação que fazemos e, portanto, para tanto (até rimou!) temos que ter pertinente informação prévia...  e da melhor maneira disponível ! Alea jacta est...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Momentaneamente 'fora do ar'...

Há muito tempo, lá na casa de Rio Claro...

Estive fora do ar por uns dias visto que meu blog, do nada, começou a dar problemas quando era carregado. Não sei se outros perceberam também: quando era acionado o endereço, entrava posteriormente (depois de poucos minutos) um endereço e site de um tal 'mediamonster' , sobrepondo-se - ou seja, 'apagando' o meu - um site de pesquisa e  venda de porcariadas. Meu site virou uma espécie de 'zumbi', carregando o tal virus nas costas. Coisa de quem não tem nada melhor para fazer...

Entrei num site de discussão em grupo (Foruns), no proprio Google e posteriormente recebi mensagens (obrigado Lorena e Castiel pela simpatica 'assessoria'...) dando dicas para resolver o problema. Deletei varios gadgets, pois não consegui encontrar o culpado - e parece que resolveu a 'parada'. 

Esta internet tem de tudo, como a Sociedade em geral - e a gente tem que se acostumar com estes eventos, cada vez mais.... mas temos que ser mais inteligentes do que eles, e não fazer tempestade em copo dágua, faz parte!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Boas lembranças na escola...



Cartoon encontrado (via Google Images) de
http://www.andertoons.com/cartoon-blog/2012/08/teacher-cartoons-2.html
( tem outros incríveis lá... enjoy!! )

Ontem ocorreu algo que, desde 1978, quando comecei a ministrar aulas na Universidade, poucas vezes sucedeu comigo. Mas tem um poder mobilizador/motivador enorme em minha pessoa. Fico muito feliz por um bom tempo, efetivamente!

Ao final da aula uma pessoa se aproxima e diz que a aula foi muito boa para ela; que estava com problemas e que o assunto discutido foi importante para sua tomada de decisão e que isso a ajudou muito. Eu agradeci muito na oportunidade e sempre digo à pessoa nesta hora: é por estas situações que sinto valer toda a minha profissão - sinto que minha missão tem sentido! A minha vida tem significado total nesta hora mágica. 

Nesta aula de ontem o assunto era a Ética Profissional, setor onde a Humanidade hoje em dia tem necessitado muita reflexão. É uma disciplina que gosto muito, pois nos instrumentaliza para lidar com a complexidade avassaladora que nos comprime a todo instante. Se não tivermos parâmetros seguros para guiar nossas decisões, naufragamos com facilidade, pelo que se observa a todo instante nos jornais com todo tipo de criatura. Por estas e outras razões é que temos que nos esforçar para cuidar desta mocidade, desorientada e bombardeada a todo instante por zilhões de informações, muitas vezes contraditórias...

Por outro lado, os alunos hoje em dia se esquecem facilmente do fato de que também somos gente, que precisamos de apoio, incentivo nesta nossa exigente profissão. A moda hoje é centralizar todo o ensino no aluno, deixando o docente de lado, ou mesmo demonizando-o, culpando-o pelas mazelas da aprendizagem imprópria, improdutiva. Por isso, quando um aluno (dentre tantos que temos) manifesta este tipo de carinho, que bem que nos faz! Mas na maior parte do tempo o docente leva muita pancada, cutucões, pescoções, puxadas de orelha, cotoveladas, provocações ... Que tempos, meu Deus! O professor não tem mais o valor que tinha antigamente, sinto muito!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Boa revista...


http://www.economist.com/

Esta é a revista que mais tenho lido ultimamente, e isto por causa do smart phone - é o nosso atual oráculo, disponível e acessível a qualquer hora. É esta uma das melhores revistas do mundo, sem dúvida. Baixei um app gratis com o qual sempre posso ler editoriais ou um ou outro artigo, e que prazer poder desfrutar de um texto primoroso, realmente. Eu amo as letras, e aprecio deveras um raciocínio bem burilado.

O Brazil tem sido objeto de bastante reportagens no periódico - infelizmente, muitas desabonadoras... que fazer; só podemos orar ao Pai Celestial para que nossos governantes mudem seu modo de gerir a coisa pública, pois andamos mal das pernas. Parece que o PT já cansou e esgotou o arsenal de recursos. Começa a cansar nossa paciência também. Acho que a atual presidente não vai se reeleger nas próximas eleições, ainda bem.

Veio, agora há pouco aqui em casa, o pessoal da provedora de internet.  Eu estava notando que a 'navegação' estava algo lenta, e descobri que posso aumentar a velocidade da web sem grandes incrementos na fatura mensal. Agora posso até assistir filmes se eu quiser. Felizmente não sou desta turma de viciados no terminal. Tenho pena da molecada que fica a todo tempo 'pendurado' nestes aparelhos que mais roubam nosso tempo do que qualquer outra coisa. Nem imaginam o mal que estão a fazer a si mesmos. O que tem de aluno que fica em sala de aula fingindo que presta a atenção na matéria é impressionante, pois a mini-tela reclama atenção constante. Parei de admoestar a estes aspirantes a beócios, pois é como pregar à massa ignara; "não adianta"... Mas fico, como educador, seriamente preocupado. Exemplo: semestre passado, por causa da concorrência da atenção, muitos alunos ficaram de exame comigo em algumas disciplinas - olha que eu avisei! - e foi o maior banzé. Recebi admonição dos superiores! Devo deixar menos alunos de exame, é a equação... Novos tempos! Como gosto de dizer, alea  jacta  est...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ciência levando à Verdade, o que seria?...


The Cosmos
(foto obtida agora, via Google Images, de
http://wall.alphacoders.com/big.php?i=153316 )


Tomando como base um dos textos do físico brasileiro radicado nos Estados Unidos Marcelo Gleiser fiz um pequeno texto didático para discutir com meus alunos. Versa sobre Ciência, verdade e conhecimento...

Desde o começo da Humanidade, a pessoa deseja ter conhecimento sobre tudo aquilo que sua mente tem acesso, e deseja conhecer bem, isto é, ter um conhecimento certo, útil e confiável, que permita utiliza-lo apropriadamente agora e outras vezes. Neste percurso, muitas formas de conhecer foram desenvolvidas, como a do senso comum, a filosófica, a religiosa e, mais recentemente, o científico. Esta última modalidade de conhecer adquiriu na pós-modernidade ares de ferramenta que garantiria, se bem empregada, um conhecimento ‘melhor’ que os outros, mais confiável e condizente com a realidade. Muitos acreditam que a verdade objetiva, originada de fatos, se obtém somente mediante o uso da Ciência, e dos métodos que ela preconiza, ainda mais porque se valem, no mais das vezes, do auxílio da Matemática, ramo ‘exato’ do saber.

Existe hoje em dia quem questione esta corrente majoritária da Ciência, como se fosse a resposta última para bem conhecer. A Ciência, para alguns, parece debochar das outras formas de conhecer. As críticas à Ciência são muitas – ela uma hora diz algo, e outra hora se contradiz (exibe versões antagônicas mediante o uso de métodos por vezes ‘iguais’); Ciência é feita por pessoas imperfeitas, que tem suas vontades, intencionalidades, que acabam refletindo o próprio fazer da Ciência; a complexidade da realidade é enorme, e se a realidade é uma totalidade, como pode haver tantas versões, tantas visões de mundo discrepantes? A lista é enorme. Existem críticas à Ciência que no fundo são um tipo de preconceito, como por exemplo aquelas pessoas que a acusam de negar que certos eventos 'existam'. A Ciência na verdade se pronuncia somente sobre fatos que consegue efetivamente se aproximar com certeza razoável, com evidência firme. Os discos-voadores, ou qualquer UFO, por exemplo; a Ciência não nega a sua existência - somente diz que, com os instrumentos e ferramental atualmente disponíveis, não se consegue estabelecer consenso na comunidade científica para descreve-los de forma inequívoca, ou seja, ter certeza firme de sua real (palpável cientificamente) existência.

Mas a Ciência não se move por certezas, e sim – paradoxalmente – pelas dúvidas, pelas perguntas! Para ter uma idéia crível sobre a realidade - para a Ciência dar respostas sobre algo que se desconhece da Natureza - em primeiro lugar necessitamos perguntar bem, saber estabelecer com clareza o quê estamos procurando saber - qual seria nossa cristalina questão, ou seja, nosso 'problema' científico. Muitas vezes não progredimos em nosso conhecimento porque não temos certeza se o que encontramos (com nossa investigação)  'responde', satisfaz efetivamente a uma dúvida que colocamos.

Em Ciência, os fenômenos tem que ser bem interpretados em seus constituintes; as hipóteses adequadamente testadas (a partir da sua trama teórica); as conclusões (a partir dos resultados encontrados e adequadamente discutidos) demonstradas; os caminhos deste tipo de conhecer passíveis de serem reproduzidos, e aquilo que é momentaneamente consensuado como o mais perto do que seja a real ‘realidade’ – ou seja, a ‘verdade’ -  permitir-se ser questionado e falsificável, mediantes novas observações.

A Ciência tem instrumentos sempre limitados – seu alcance e precisão são sempre limitados, visto que a (complexa) Natureza, como apontou Marcelo Gleiser, oferece barreiras consideradas intransponíveis (bem, hoje se pensa assim) para conhece-la em sua totalidade, como a velocidade da luz, a incerteza quântica, e o crescimento da desordem (entropia). Mesmo a Matemática parece ter seções que não ‘fecham a conta’, como os teoremas da incompletude de Gödel. Quem é cientista sério sabe que o Homem sempre será de certo modo ‘míope’ para enxergar a Natureza, pois ela não nos é (e parece que sempre será) descortinável com clareza em sua totalidade. Sempre que focamos uma 'janela' da realidade - este 'pedaço' aqui do que existe - deixamos de olhar para os outros componentes desta mesma realidade, o que pode estar comprometendo nossa visão do todo... Nietzche, Wittgenstein, e outros já nos alertaram que moramos todos em (diversas) ilhas de conhecimento (mais ou menos sofisticadas) cercados de oceanos de desconhecimento, de coisas que ignoramos ou de coisas com as quais nos iludimos.

Para um dia vir a saber de tudo, o Homem precisaria conhecer e postular todas as perguntas possíveis, o que parece ser certo ‘absurdo’ – segundo alguns, algo impossível. Se um dia chegarmos a isso, nossa vida teria ainda sentido? Ou ‘seremos como Deus’, conforme alguns filosofam (pois não se pode saber o que isso significaria)?


Talvez o que melhor possamos fazer mesmo é ter esta liberdade para continuar a questionar, a perguntar sobre esta Natureza, este Cosmos, inspirados por tudo aquilo que não sabemos.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Outro texto...Interdisciplinaridade



Foto obtida agora (via Google Images) de
http://agencia.fapesp.br/19502
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Realizei outra compilação, agora sobre interdisciplinaridade, que basicamente foi realizada a partir dos textos de dois dos maiores eruditos nacionais na área da Educação: PAVIANI, J., Interdisciplinaridade: conceitos e distinções. 2ª ed. rev.  Caxias do Sul (RS): Educs, 2008, e FAZENDA, I., (Org.) O que é Interdisciplinaridade? São Paulo: Cortez, 2008.

A origem da interdisciplinaridade situa-se nas transformações dos modos de constituir a Ciência e de conceber a realidade e, igualmente, no desenvolvimento dos aspectos político-administrativos do ensino e da pesquisa nos espaços científicos tanto institucionais quanto organizacionais. Entre as causas principais da necessária emergência da interdisciplinaridade estão a rigidez, a artificialidade e a falsa autonomia das disciplinas, as quais não permitem acompanhar as constantes mudanças no processo pedagógico e a produção de novos conhecimentos. A palavra interdisciplinaridade evoca a "disciplina" como um sistema constituído ou por constituir, e o termo sugere um conjunto de relações entre disciplinas, abertas sempre a novas relações que se vão descobrindo. ‘Interdisciplinar’ seria, grosso modo, toda interação existente dentre duas ou mais disciplinas no âmbito do conhecimento, dos métodos e da aprendizagem das mesmas. Assim, interdisciplinaridade seria o conjunto das interações existentes e possíveis entre as disciplinas nos âmbitos indicados.

Ainda que o termo interdisciplinaridade seja mais usado para indicar relação entre disciplinas, hoje alguns autores distinguem de outros termos similares, tais como a pluridisciplinaridade e a transdisciplinaridade. Estas também podem ser entendidas como forma de relações disciplinares em diversos níveis, como grau sucessivo de cooperação e coordenação crescente no sistema ensino-aprendizagem.

Interdisciplinaridade tem se constituído como termo polissêmico de estudo, interpretação e ação. Desde a década de 60, inúmeros foram os movimentos na tentativa de se definir seus limites epistemológicos, como que buscando uma unicidade conceitual. No emprego terminológico dos conceitos que procuram dar movimento e integração à disciplina, é a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade que parecem ter uma diversidade maior de sentidos. No que diz respeito aos conceitos de multidiscipinaridade e de pluridisciplinaridade, há quase um consenso quanto às bases conceituais de definição:

Multidisciplinaridade: é a organização de conteúdos mais tradicional. Os conteúdos escolares apresentam-se por matérias independentes uma das outras, sendo que as cadeiras ou disciplinas são propostas simultaneamente sem que se manifestem explicitamente as relações que possam existir entre elas. Multidisciplinaridade seria a prática de reunir os resultados de diversas disciplinas científicas em torno de um tema comum, sem visar um projeto específico. Ao que parece, então, muitos currículos ou programas de ensino se limitam a ser multidisciplinares, reunindo um conjunto do ensino de diversas disciplinas sem articulação entre elas.

A pluridisciplinaridade seria a existência de relações complementares entre disciplinas mais ou menos afins. Seria o caso, p. ex., das contribuições mútuas das diferentes histórias (da ciência, da arte, da literatura etc.) ou das relações entre diferentes disciplinas das ciências experimentais.  

Já os conceitos de inter e transdisciplinaridade provocam uma amplitude polissêmica de sentidos entre os mais diferentes autores. Zabala descreve a interdisciplinaridade como sendo "a interação entre duas ou mais disciplinas, que podem implicar transferência de leis de uma disciplina a outra, originando, em alguns casos, um novo corpo disciplinar, como, por exemplo, a bioquímica ou a psicolinguística".

Paradoxalmente, o conceito de interdisciplinaridade só pode ser explicitado de um modo interdisciplinar, exigindo inclusive a interferência da lógica, da filosofia, da história e de outras disciplinas. Seu âmbito de referência pode ser descrito de múltiplos modos. Pode-se, por exemplo, considerar as seguintes perspectivas: (a) a natureza do objeto de estudo ou o problema de pesquisa; (b) a atividade de diversos professores voltados para um objeto de estudo ou de diversos pesquisadores para a solução de um problema de pesquisa a partir de diversas disciplinas; (c) a aplicação de conhecimentos de uma disciplina em outra ou de um domínio profissional em outro.

Assim,  interdisciplinaridade constitui um princípio mediador entre as diferentes disciplinas, não sendo  elemento de redução a um denominador comum, mas elemento teórico-metodológico da diferença e  da inovação. Seria o princípio da máxima exploração das potencialidades de cada ciência, da  compreensão dos seus limites e, acima de tudo, é o princípio da diversidade e da criatividade.

Por todos estes aspectos parece ser praticamente impossível  conceituar consensualmente a interdisciplinaridade. De um lado há uma "interdisciplinaridade implícita" não dita, interna, própria da racionalidade científica que, pelo avanço de conhecimentos, acaba criando disciplinas. Por outro lado, há  um uso interdisciplinar constituído externamente através de campos operativos que articulam ciência, técnica e política, sobretudo através de intervenções sociais,  como é o caso da saúde.  Nas universidades, o debate, quando existe, se concentra no  diagnóstico sobre a excessiva especialização e a impotência unidisciplinar de  responder às pretensões do conhecimento.

Os contextos sociais, econômicos e políticos vigentes na sociedade, entre eles a instituição Escola, colocam liames que tornam uma ação interdisciplinar um grande e laborioso desafio de arrojo. A característica que demarca os estudos das práticas interdisciplinares sustenta a afirmação de que a interdisciplinaridade é possível por sua capacidade de adaptar-se ao contexto vivenciado, reafirmando o respeito às questões do que se apresenta como realidade contextual, seja no aspecto político, ou econômico, ou cultural. A interdisciplinaridade se nutre na base da leitura da realidade tal como ela é, assumindo suas nuances e peculiaridades, bem como a diversidade presente. Assim, age como infrator, abrindo lacunas às formas estabelecidas e enraizadas, dispondo as soi-disant certezas no âmbito da temporalidade e da incerteza. A interdisciplinaridade, portanto, convive com a disparidade, com a debilidade, com a hegemonia e com o poder, e dá um salto de possibilidades, precisamente atuando nas brechas.

No âmbito educativo e do ponto de vista cognitivo, a interdisciplinaridade recupera a unidade na compreensão das "coisas", uniformidade que foi fraturada durante a pesquisa científica, a qual procede na via de uma especialização progressiva. O trabalho interdisciplinar, portanto, não consiste no aprender um pouco de tudo, mas no enfrentar o problema (explicativo, previsível, interpretativo) com toda a competência do perito que domina o problema, suas dificuldades, as explicações e previsões dos outros competentes. Além do mais, do ponto de vista psicossocial, a interdisciplinaridade que se realiza através do trabalho de grupo, dos docentes e discentes, poderá ser um dos fatores que contribuem ao desarraigamento de competição na escola, enquanto impulsiona a ver no outro um colaborador e não um rival. A interdisciplinaridade é estratégia valiosa no combate dos efeitos alienantes da divisão do trabalho.

A interdisciplinaridade é percebida, quando existe a possibilidade  de transformação da realidade em que se atua, procurando-se colocar as partes em relação ao seu  significado perante a totalidade. A interdisciplinaridade é muito mais um processo que pressupõe “atitude  interdisciplinar” do que a mera integração de conteúdos programáticos, ou  do que a possibilidade de realização de investigação por diferentes estudiosos. A interdisciplinaridade pressupõe ausência de intolerância ou preconceito teórico, constituindo-se mesmo como apurada visão de mundo. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Complexidade...


Gravura obtida agora (via Google Images) de
http://www.europosters.pt/estilo-de-vida-poster/


Estou pesquisando um tema para um novo projeto no Unifae e coloco aqui umas reflexões. Eu fiz uma compilação de algumas idéias de um filósofo bem conhecido, EDGAR MORIN, a partir do seu livro Ciência com consciência (8ª ed. rev. e mod. pelo autor. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005), que recomendo a todos a leitura...

Quando se pensa em ‘complexidade’, imaginamos um emaranhado de eventos, atos e ações em interação recíproca, ou mesmo acasos, que determinam nosso mundo. Num primeiro relance, complexidade seria uma trama de componentes heterogêneos que se ligam de algum modo, expressando as relações aparentemente contraditórias entre aquilo que exibe unidade e aquilo que se revela com multiplicidade. A complexidade pode inicialmente ser apreendida numa situação interior de inquietação, de perplexidade, como que vislumbrando certa desordem, ambiguidade e incerteza, posto que as coisas se desvelam misturadas, embaralhadas, embaraçadas.

Quando se intenta articular um tipo de ‘pensamento voltado para a discussão do complexo’, uma das primeiras aquisições que se obtém é precisamente discernir que o problema da complexidade não é necessariamente o da completude, do acabamento, mas o da incompletude do próprio conhecimento. O pensamento complexo visa lidar com aquilo que os outros tipos de pensamento deixam de lado, ao recortar a realidade e seus constituintes segundo seus cânones. Os demais modos de pensar caem facilmente pelos caminhos da simplificação e do reducionismo, como que mutilando os fenômenos, truncando-os, separando-os, pois é isto precisamente a processualidade de seus métodos.

O impacto que os estudos da complexidade determinaram nas Ciências criou as condições para questionar o seu próprio fazer, permitindo considerar a ‘Ciência’ como legítimo suporte para estabelecer uma nova dinâmica do conhecimento e do processo de entendimento.

Parece, neste novo cenário, que o considerar o que é complexo pode permitir definir melhor o mundo empírico, a incerteza e a enorme dificuldade de se aproximar da certeza, de articular e enunciar hipóteses, teorias e leis científicas, de conceber uma ordem estável no universo. Poderá, certamente, contribuir para resgatar algumas funcionalidades da lógica, em especial aquelas que nos ajudam a evitar contradições. No pensamento clássico (que parece ainda viger no dia-a-dia), quando emergia contradição no bojo de uma argumentação, a mesma era entendida como sinal de erro. Tal situação determinava que era necessário voltar atrás e reformular os termos, ou erigir nova argumentação. Na visão do pensamento complexo, no percurso empírico-racional, ao deparar-se algum tipo de contradição, isso não é necessariamente evidência de erro, mas sim de descoberta de uma dimensão mais profunda da realidade que nossa lógica se revela inábil para lidar, oriunda das características dessa mesma profundez.

Algumas características do pensamento complexo já são suficientemente estabelecidas atualmente. Em primeiro lugar, e de modo coerente, o estatuto semântico e epistemológico do termo complexidade não está concretizado. Ao examinar-se a literatura, observa-se que os estudiosos em diferentes campos do saber empregam o termo de modo diverso. Parece, assim, que as enunciações sobre a complexidade constituem-se em discursos que se generalizam no âmbito de diferentes vias, visto que existem múltiplos caminhos de entrada à ela.

Outro aspecto fundador é que, ainda que estudiosos da complexidade exibam posições diferentes sobre o termo, quase todos diferenciam “complexidade” e “complicação”, ou entre um problema apenas quantitativo e um tema qualitativo, visto que, com o discurso sobre a complexidade, aborda-se  sempre um problema lógico e geral. A complexidade espraia-se não apenas à Ciência, mas também à Sociedade, à Ética e à Política, constituindo-se um problema de pensamento e de paradigma que envolve uma epistemologia geral. Podemos dizer que a complexidade surge como problematização, como dificuldade, como incerteza e não como uma clareza e como resposta. O problema é saber se há uma possibilidade de responder ao desafio da incerteza e da dificuldade.

Sendo um pensar necessariamente articulante e multidimensional, um pensamento complexo nunca constitui um pensamento completo. A natural ambiguidade do pensamento complexo é poder lidar com as articulações entre domínios disciplinares desarrraigados pelo pensamento desestruturador, fragmentador, como faz, p. ex., o pensamento simplificador, que isola o que separa, e parece ocultar tudo o que ata. Neste tipo de pensar, interpretar e compreender, entender algo revela-se necessariamente como interferir e retalhar a multiplicidade da realidade enquanto tal.

A partir destas considerações, depreende-se que não se pode chegar à complexidade por uma definição anterior, preliminar. No próprio fazer do pensamento complexo, necessita-se seguir caminhos diversos, o que nos leva a perguntar se existem complexidades, e não uma complexidade. Morin indica algumas das diferentes ‘avenidas’, vias que podem conduzir ao que ele denomina "desafio da complexidade". Uma delas seria o da irredutibilidade do acaso e da desordem, que estão presentes no universo e ativos na sua evolução. Não se pode resolver a incerteza que as noções de desordem e de acaso trazem, visto que o próprio acaso não está certo de ser acaso. A incerteza continua, inclusive no que diz respeito à natureza da incerteza que o acaso nos traz.

Uma outra ‘avenida’ possível é a transgressão, nas ciências naturais, dos limites daquilo que poderíamos chamar de abstração universalista que elimina a singularidade, a localidade e a temporalidade. Por exemplo, a biologia atual não concebe a espécie como um quadro geral do qual o indivíduo é um caso singular. Ela concebe a espécie viva como uma singularidade que produz singularidades. A própria vida é uma organização singular entre os tipos de organização físico-química existentes. E, além disso, segundo Morin, as descobertas de Hubble sobre a dispersão das galáxias e a descoberta do raio isótropo que vem de todos os horizontes do universo trouxeram a ressurreição de um cosmo singular que teria uma história singular na qual surgiria nossa própria história singular.

Outra ‘avenida’ possível é a da complicação. O problema da complicação surgiu a partir do momento em que se percebe que os fenômenos biológicos e sociais apresentavam um número incalculável de interações, de inter-retroações, uma fabulosa mistura que não poderia ser calculada nem pelo mais potente dos computadores, e daí vem o paradoxo de Niels Bohr que diz: "As interações que mantêm vivo o organismo de um cachorro são as impossíveis de ser estudadas in vivo. Para estudá-las corretamente, seria preciso matar o cão". Pensar o complexo abarca apreender uma misteriosa relação complementar, no entanto, logicamente antagonista , entre as noções de ordem, de desordem e de organização.

Tema muito interessante, sem dúvida. Inclusive porque aqui nem sequer arranhei a riqueza do tema, seguramente. Tente colocar este termo no Google -  surgirá milhares de páginas! É o retrato da (pós-)modernidade contemporânea: tudo junto e misturado...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Últimas elocubrações destas 'férias'...



'Calder ' 
( de Ferdinando Sorbo
Cellole, caserta - Italy,
obtido agora via Google Images, de
http://pixels.com/profiles/ferdinando-sorbo.html )

Fuçando na web vi uma Galeria virtual, onde figura esta pintura; encontra-se imagens lindíssimas lá; vale a pena conferir. Eu não gosto muito de arte moderna, mas quando é de qualidade, realmente aprecio!

Impossível deixar de comentar o placar de  7 x 1 do jogo Alemanha-Brasil nesta Copa. Quê 'apagão' dos futebolistas que nada; foi falta de preparo mesmo, em todos os sentidos. Muitos não souberam imaginar uma explicação plausível, porque a única é o amadorismo e improvisação que subjaz em muitas de nossas realizações. É da alma brazuca:  falta de seriedade em geral - 'todo mundo é assim', e acabamos nos acostumando, e nos rendendo a esta 'solução' - e depois tudo fica 'bem', vamos levando a vida. Compromisso pra quê? A isso não nos impede a mofa, a zombaria do resto do mundo; não é mais feio fazer papel de bocó... Paciência! (até quando, não se sabe, mas já começa a azoretar).

Vi na revista EXAME desta semana (uma das seis ou sete revistas que teimo em assinar...), a melhor revista de negócios daqui, interessantíssima reportagem de capa - que vou transformar em palestra eventual aos meus alunos - denominada "A Fábrica do Futuro" (edição 1068, ano 48, n. 12, 09 de julho de 2014, p. 32 a 44).  Ela versa sobre a nova revolução industrial que está a processar-se no mundo, e que envolve 3 forças que mutuamente se alimentam: o enorme e onipresente progresso tecnológico (principamente a computação e a automação - leia-se em especial a 'robótica'), a decorrente e extensa digitalização de 'tudo', e as novas frentes de inovação, que ocorrerá de forma cada vez mais colaborativa. 

Vou dar palestras aos meus alunos pois esta tendência constitui um caminho sem volta, e muitos deles não estão atentos a estas questões, por várias razões que  já abordei aqui neste espaço. Uma das mais excruciantes é a falta do hábito de ler sistematica ( quero significar com foco, e de modo critico) e disciplinadamente. Olho com preocupação para o que espera estas novas gerações, pois a velocidade das transformações vai acelerar-se cada vez mais, e temos que desenvolver recursos (complexos) para interpretar estas mudanças, mais e mais impactantes. E, para usar um jargão da área da Administração, mudança 'crítica', que significa que, se for mal gerida, influenciará tudo o que vier a seguir. Podemos imaginar decisões impróprias determinando carreiras perdidas e vidas comprometidas, pela falta de subsídios e ferramental adequado para tomar as diretivas de existência apropriadas...

Como tudo no Ser, como no Existir, vivenciar cada qual sua vida implica um tanto de ciência, um tanto de arte; um tanto de conhecimento, um tanto de sensibilidade, um tanto de objetividade, outro tanto de subjetividade. Combina-las bem - equitativamente -  é que é o sumo desafio... Eu consegui, mercê do Eterno, resgatar a religiosidade como fiel desta 'vivente' balança. Mas dirão que é um dos caminhos (para mim é o único); pode ser que, aos olhos terreais, existam outros, como p. ex. a procura do Belo, da Justiça, da Virtude, da (tal) Felicidade... - é só ler os jornais para averiguar o calidoscópio que constitui a existência humana contemporânea, em todos os sentidos!  Eu, se não tivesse a Fé Reformada, certamente acharia este Ser-e-Existir - como imagino ser para a maioria -  cada vez mais confuso!