quinta-feira, 16 de julho de 2015

Entrevista sobre Ética...


Meu Fusca é igual a esse!!
(imagem obtida agora (via Google Images) de
https://utinuti.wordpress.com/2012/11/ )

Estive ausente demais, estava com saudades! Mas sabe o que aconteceu? Tenho agora Netflix e fiquei como que viciado! e tive 9 classes, inclusive de Mestrado (assunto novo) para ministrar. Correria é pouco. E o comitê de ética em pesquisa, como aumentou a demanda! E troquei minha motocicleta por um Fusca azul claro, dá para acreditarEntão não é que esqueci deste espaço - outras intercorrências intervieram...

Mas coloco aqui uma entrevista que acabo de dar para um jornal da região sobre o tema da Ética.  Enjoy...

Qual a melhor definição de ética para o senhor?

Ética é um exemplo daqueles termos para os quais  não se pode dar uma definição simplista. Grosso modo, Ética é o estudo sistemático sobre o modo reto de agir. Seria a educação da vontade pela Razão, para tornar a vida mais justa, feliz e bela.  Alguns autores julgam que reside na reflexão ética a base para a escolha entre o Bem e o Mal. A tarefa da ética seria  precisamente  refletir sobre as questões que fundamentam a tomada de decisão prática, e suas preocupações principais incluem a natureza  última dos valores e os padrões pelas quais as ações humanas podem ser julgadas certas ou  erradas. Um pensamento que gosto muito foi formulado por Giovanni Vidari em 1922  que afirma que o objeto da ética seria o estudo “das relações entre a vontade e a conduta; como isso se processa perante o coletivo e o individual, em causa, efeito, no tempo, no espaço, em qualidade, quantidade, em face das ambiências próximas e futuras”.

Qual a relação entre a ética e a política?

Deveria ser orgânica; ética nas relações entre as pessoas e grupos deveria ser parte da natureza do fazer Política.

As pessoas enxergam a ética como sendo o comportamento considerado correto ou aceitável em uma sociedade. Essa definição é muito simplista?

Sim, pois como vimos na definição que formulei na questão 4 acima o fenômeno é muito complexo. “Correto”, “aceitável” são conceitos muito relativos, ainda mais hoje em dia...

O senhor acredita que após tantas crises sociais e econômicas, a tendência é de que a sociedade passe a se balizar por valores morais?

Difícil dizer, pois o que falta é Educação, inclusive se valores e cidadania. Crises são sintomas da falta de prioridade em Educação, em todos os sentidos.

O senhor acredita que seja mais benéfico para a população investir em formação para melhorar a política brasileira ou desenvolver uma formação ética para o governo?

Não creio que reforma política seja factível – basta ver o que anda pelos jornais neste sentido. Agora, educar para valores e cidadania, creio que seria um caminho.

A falta de ética está diretamente ligada à corrupção?

Sim, creio que se houvesse mais consciência ética na Sociedade haveria menos espaço para estas práticas deletérias. Hoje a norma é cada um por si e defraudar o máximo que se puder.

Qual a opinião do senhor sobre as recentes manifestações populares que aconteceram em vários municípios brasileiros?

Descoordenadas, politizadas, esvaziadas, inócuas, infiltradas por baderneiros e vândalos, infelizmente. Mas inegavelmente é um sintoma que a paciência do povo anda no limite.

No último mês, um vereador de Espírito Santo do Pinhal apresentou atestado médico em duas sessões legislativas e participou nos mesmos dias de partidas de futsal na cidade de Andradas. Que análise o senhor faz de casos como esse?

A certeza de impunidade é que autoriza esta criatura a agir com tal nível de deboche para com as instituições democráticas e pior, com os seus eleitores. Mas não é o primeiro e nem será o último, a não ser que o povo passe a eleger seus representantes com mais consciência.

Geralmente, a população toma conhecimento de atos de corrupção apenas quando o caso vira manchete de jornais com números alarmantes de desvio de recursos ou de casos semelhantes. No entanto, não são penas os casos de enormes repercussões que envolvem corrupção. Como mostrar para as crianças que o que acontece ao nosso redor, na nossa rua, na nossa cidade, também são atos de corrupção?

A educação para a cidadania começa em casa. Se o pai ou mãe dá mau exemplo para o filho e depois fica cobrando que ele seja honesto ou ético a criança passa a ver a ambivalência hipócrita das atitudes dos adultos.

Como ser ético na vida, no trabalho e na sociedade?

Instruindo-se com valores democráticos, de cidadania, de sustentabilidade, participando e não ficando somente com postura passiva e auto-vitimizadora, como faz a maioria.

Qual o impacto da globalização das relações humanas atuais? Na sua opinião, essas relações estão mais ou menos éticas?

O impacto é enorme, pois há valores e valores, muitos deles que não nos pertence... Estão cada vez menos éticas, pois o que se vê é mais e mais violência, desrespeito e irresponsabilidade, a começar daqueles que deveriam dar o exemplo, como os políticos.

Qual o grande dilema ético da sociedade?

É uma resposta difícil de dar. Vou eu te fazer perguntas. É certo ser desonesto numa boa causa? Posso justificar a opulência frente à miséria?  Se convocado para uma guerra que não endosso,  eu devo desobedecer à Lei?  Quais nossas obrigações com as futuras gerações? Dilemas morais surgem com a ação humana, relacionados com o cotidiano de cada sociedade. Por exemplo, sair nu em público pode ser ou não ‘moral’, vejam os desfiles de carnaval. É uma hipocrisia só. Existem dois aspectos distintos de cada conduta: o prático, relacionado à ação, e teórico, vinculado à justificação dos valores que dão suporte à ação.  A existência de um dilema moral implica que a ação de um agente (ou grupo) contrariou aquilo que genericamente a maioria da sociedade crê ser o comportamento adequado para aquela situação. Dilema significa encruzilhada onde são se sabe optar – ficamos ‘paralisados’. Agora, como devemos viver?  devemos fundamentar  nossa vida na felicidade?   no conhecimento?  na virtude?  na criação do belo? na justiça?  Mas, se escolhemos a felicidade é a felicidade  nossa, ou a dos outros? E por aí vai. Então, qual o grande dilema ético hoje? É ter pouca Ética...