sábado, 10 de janeiro de 2015

Férias amodorradas...



Livia, eu e Ruth, em 08 de Janeiro de 2015

1. Liv veio passar uns dias aqui em casa, mas a levamos de volta ontem para Rio Claro... saudades! Está moça já, bem adolescente, e vive encafuada nos gadgets dela, mas até que desta vez ela devorou mais de 300 páginas de um livro que eu tinha comprado para ela na Livraria Saraiva... Está bem alta a rapariga, e acho que vai ficar do mesmo tamanho das outras duas manas (1,80m.) ...

2. Tenho tanta coisa para contar ao longo do dia, mas quando sento aqui no terminal as ideias me fogem... ando a cada dia mais esquecido, mas tem acontecido de brotar reminiscências assim, do nada, em minha mente - outro dia diverti a Ruth com lembranças do tempo da Indústria Química DPV, comentando sobre os tipos humanos que lá havia. O que mais gosto é o Celso, um afrodescendente que ria de si mesmo e de suas dificuldades, tendo uma disposição e temperamento admiráveis. Certa vez fiquei intrigado com certo esquete que ele teimou em fazer o dia inteiro com quase todos os seus colegas de trabalho. Ele era baixo, de compleição não muito, digamos, privilegiada para os padrões estéticos exigentes desta pós-modernidade, e ele de repente encarava o colega e perguntava "você queria ser eu??". Risos e mais risos, pelo absurdo da cena, e todos mofavam do fato das pessoas ficarem sem ação, totalmente sem jeito... ele era uma peça rara, como se diz. Outra cena: eu tinha um ornamento artificial na minha sala, uma folhagem com flores bonitas que ele admirava. Uma vez, vendo que ele gostou muito do vaso, eu pedi para ele ir pegar água para colocar na planta... e ele ficou conhecido na firma por ser aquele indivíduo que rega planta de plástico. Mas ele recebia bem as brincadeiras; era boa-praça! 

3. Que calor, cruz crédo! Vamos ficar uns dias na praia, vou recompor meus níveis de Vitamina D... Houveram arrastões na praia da Enseada, mas parece que o problema já foi debelado pelas autoridades. É o mundo atual... o negócio é não levar nenhum pertence de valor na praia, focar só na cervejinha e olhando a paisagem. 


4. Enquanto escrevo aqui coloco rádios de Smooth Jazz para ouvir. É o gênero mais apropriado para devanear... Quem gosta de ficar ouvindo música de fundo deve tentar colocar o aplicativo www.tunein.com - é um agregador de rádios, notícias e outras coisas mais... Eu recomendo!

  

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Sex-agenário...



Foto baixada agora (via Google Images) de 
http://l-amour.net/papi-et-mamie-saiment-encore/

1. Ultimamente tem sido engraçado: desde que virei sex-agenário tenho aproveitado as oportunidades em filas, estacionamento, etc. Por vezes as pessoas olham desconfiadas, intrigadas para a minha figura mas, não sei se pelos meus 1,90m. ou porque meu rosto normalmente é de poucos amigos, as pessoas não dizem nada - conformadas, ao que parece.

Agora há pouco estive no plano de saúdo ao qual sou filiado, para atualizar umas guias de exames. A sala estava cheia! Pensei que iria demorar bastante, mas com o acesso privilegiado pela idade, até que foi rápido. Sei que já amarguei muita fila interminável antes dos 60 anos, mas ainda agora sinto-me como que abusando, ainda que seja direito meu.

Mas vejo que logo-logo a coisa vai desandar: já tinha lá na oportunidade muito idoso na minha frente, sem falar nas mães com bebês de colo ou grávidas. Daqui a pouco, a taxa de idosos na população vai ser muito mais elevada e não vai adiantar muito ter a legislação a diferenciar as idades para dar mais qualidade de vida... 

Mas enquanto isso Ruth é que vai gostando mais da ideia: nos Shopping Centers agora podemos colocar o carro mais perto da entrada, aproveitando as vagas de idosos do estacionamento, e ela não precisa andar tanto como antes. Eu já acho que sempre uma atividade física a mais é bem vinda para tirar-nos da pasmaceira...

2. Hoje cedo fui no Lar São Vicente (antigo Asilo...) fazer barba e cabelo dos idosos, como sempre faço às terças e sábados. Sempre é um privilégio esta honra que o Senhor me concede em servi-lO. Ele me guia na ida e na volta à minha casa, e sinto-me jubiloso em realizar algo para engrandecimento do Seu Nome. Muitas vezes aproveito para relembrar algum idoso de lá sobre as bênçãos de nosso Deus e muitos ficam gratos em compartilhar. Neste mundo decaído e nas condições de saúde que muitos estão lá somente pelo espírito que se consegue proferir algo que seja edificante para a alma deles.  Falar de Deus é algo que nos aproxima da pessoa idosa, pois a maioria teve formação cristã, e estas recordações sempre são gratas, de parte a parte.

Não sei sobre o futuro, mas os jovens parecem estar sempre em outra motivação, onde a religiosidade não ocupa lugar primordial, como nas gerações pregressas. Com tudo o que vi e vivi, sei que religião ainda é a via que efetivamente resgata o ser-aí, que parece mais e mais perigosamente balançar entre a sanidade e o desespero, nestes nossos dias. Na sociedade de hoje, é muita maluquice alvoroçada, ansiosa e recorrente que se presencia, suscitada pela tecnicidade tirânica, onipresente, e também pelos valores cada vez mais hedonistas.  Tenho conversado muito com minha caçula, e parece que a mente dela é bem alerta, orientada, conscientizada. Quanta preocupação para o pai moderno! Quem viver verá...

3. Trouxe de Campinas mais alguns DVDs Blue-Ray para passar as tardes e algumas manhãs na minha 'maratona' de videos chambara. Tirei também do baú alguns mangás sobre as sagas samurai de diversos heróis, que aprecio sobremaneira. As histórias são um belo mostruário dos valores daquela época, que muito aprecio. E são muito bem desenhadas, com enredos emocionantes. Só quem conhece pode aquilatar a enormidade dos afetos envolvidos...

A julgar pelo que se vê cotidianamente nos jornais, a Civilização vai ter que se reinventar, pois parece que os valores mais elevados estão démodé, e o interregno das gerações maior, a cada vez.  No que tange à educação, tomei algumas decisões 'didático-propedêuticas' para adequar/facilitar minha vida profissional doravante. Vou mudar meus valores sobre o processo ensino-aprendizagem, e adaptar minhas ferramentas aos novos tempos. Não, não é só usar mais intensamente os recursos digitais, mas ter uma relação professor-aluno mais diversificada, em sala de aula principalmente. A moçada não tolera mais aquela aula tradicional, quase-professoral. A tônica hoje em qualquer organização é o trabalho colaborativo, e vou por esta via, inclusive porque facilita a aquisição de habilidades de tomada de decisão. Vou acelerar o processo de aquisição aos alunos destas competências. Vou ter que reformular muita aula, mas "faz parte"...  

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Primeira de 2015, 302a. postagem...



Gravura obtida agora (via Google Images) de
http://br.freepik.com/vetores-gratis/2015-minimalista_759245.htm

1. Primeiro post de 2015... A contagem de publicações deste blog indica que esta é a 302a. postagem, o que até acho baixo, levando em conta que desde o final de 2008 me propus a rabiscar aqui... é algo até  talvez psicoterapeutico; em vez de rabujar, escrever! E os poucos que são amigos podem acompanhar meu pensar (e portanto existir, segundo o Cogito) sem a quase-frieza pasteurizada do Facebook, que pouco frequento.

2. Vejo aqui no iPad Retina Mini as notícias que chegam pelos jornais virtuais. Assino o Correio Popular, de Campinas, mas acabo vendo também neste dispositivo o que existe nos aplicativos da BBC News, no Flipboard, no CNN, Slate, The Economist, The Root, no Zite, no The Sao Paulo Times, UOL ... vejo que sou viciado em informação. Preciso um detox...

3. Nestas publicações, além de assuntos de Filosofia (Ética, Epistemologia), Ciências e Tecnologia, procuro ler coisas ligadas à linguagem, à Hermenêutica, da Gramática. Creio que uma das atividades precípuas do educador seja corrigir o mau uso do vernáculo por parte dos alunos. Se deixar como se observa, daqui a pouco estaremos proferindo palavras irreconhecíveis... A língua é coisa viva, mas o que faremos se em duas ou três gerações os jovens só puderem ler nossa  literatura com dicionário??

4. Uma coisa intrigante que (primeiro por motivos profissionais e depois por motivos espirituais) volta e meia reflito é o suicídio, e parece coisa óbvia, mas não existe um trágico ato igual ao outro, pois as motivações são assemelhadas; mas, como as pessoas são únicas, pela biografia de cada qual se tornam eventos parecidos na finalização, mas únicos na origem e destinação. Ficava impressionado principalmente com o suicídio daqueles mais aquinhoados pela inteligência pois, à primeira vista, matar-se traz embutida certa contradição, mas quem pode julgar? Quanto mais penso vejo quão complexo é o tema. Creio que nunca vamos chegar a uma conclusão, pois fatores emocionais (leia-se aqui algo primitivo, instintivo) estão na base do fenômeno, e a Psicologia ainda sabe pouco sobre isso. Mas creio que, deslocando-se o foco da análise, o problema mesmo fica para aqueles que sobrevivem pois, ao morto, 'resolvido' está...

5. Acabo de receber convite, nesta sexta feira cedo, para um churrasco. Não costumo comer muita carne - creio que é algo tóxico se consumido em excesso (soube certa vez que uma pessoa vegetariana, vacilou e abusou, vindo a falecer por causa disso!!) e fico mais na verdura-frutas-legumes mesmo. Quero chegar aos 90 anos pelo menos, e lúcido!!

6. Paro tudo o que estou fazendo e vou preparar o café de minha esposa. Normalmente eu que ofereço a ela a bebida - ela tem as horas certas para sorver a tisana (às 07, às 10 e depois às 16hs), senão sobrevém certa dor de cabeça... Cada um  é cada um. 

7. Agora nas férias passo parte das manhãs vendo filme japonês (aprecio os chambaras - filme de samurai) fascinado mais pela fotografia, mas aprecio também os valores do bushido - o modo de vida daquela classe de militares - que veio a moldar muito do caráter do povo nipônico. Tem muito disso nas lutas marciais, em especial o sumô (aliás,  nas próximas semanas inicia-se o torneiro de janeiro...) mas vemos principalmente no kendô - a arte marcial das katanas, as mortíferas espadas super afiadas... Minha frustração é não ter aprendido esta modalidade de luta - só tem dojos nas grandes cidades...

8. Estudando agora pela terceira vez as Institutas, de Calvino, vejo ainda mais como esta voragem tecnológica despersonaliza as pessoas, pois ajudam muito a desvia-las do que é o mais importante - conhecer ao nosso Criador, mediante o (único e definitivo) Mediador. Como a religião está se tornando algo secundário! Cada vez menos pessoas vão aos cultos. Cada vez menos os pastores visitam os membros, que também não se congregam, em parte por falta de atividades além das costumeiras  - louvor e adoração -  da semana, levadas a cabo nos templos. Tempos tristes.

9. Semana que vem vou a Rio Claro - trarei a Lívia para passar a semana conosco. Cada dia fica mais lindinha a minha caçula. Mas está moça cada vez mais, e deixa o velho aqui orgulhoso. O tempo vai passando, às vezes rápido, outras vezes arrastando... Mas tudo passa mesmo, só não passa o (incomensurável) amor de Deus.