quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde

Oscar Wilde
(obtido nesta data de http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde)

          Tenho um libreto que ganhei há tempos de um amigo paranaense que costumava aportar por aqui, na época que ainda trabalhava no Centro Universitário UNIFEOB. Chamava-se Rodrigo, e era um vero empreendedor da área da educação, cativante mesmo (as mulheres diziam-no muito charmoso). Nunca mais o vi, mas ficou a lembrança. Este livro ('Aforismos', de Oscar Wilde, Rio de Janeiro: Newton Compton Brasil Ltda., 1997. Coleção Clássicos Econômicos Newton, vol. 02; tradutor Mario Fondelli) traz saborosos ditados do conhecido (e polêmico) poeta, romancista, comediógrafo, talvez o mais importante escritor da época vitoriana. Este simpático opúsculo (98 p.) traz também ótima nota biobibliográfica sobre Wilde, além de boa Introdução, de autoria do conhecido intelectual italiano Riccardo Reim (veja http://www.riccardoreim.it ). Pesquise no endereço da wikipedia acima um bom resumo da conturbada vida de Wilde. É um autor "obrigatório"...

          Suas frases fazem pensar, não tanto pelo inusitado da costumeira apresentação verbal - ele esgrimia com maestria as palavras - mas pelas verdades que embutem. Uma das minhas preferidas (e com a qual me identifico, de certa maneira) é   'Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo'. Um grande frasista sabe ser sintético, mas com estilo! Em verdade, serve esta frase a todos/todas e qualquer um; todos somos pessoas de imensa complexidade, todos nós, humanos, pessoas, mesmo os que recusam esta existencial determinação de pessoalidade.

          Mas o que gostaria de comentar hoje aqui é uma de suas frases modelares sobre a verdade. Aprecio também os ditos de Sebastian Melmoth (uma de suas conhecidas onomatóposes...) porque carregam um certo desafio de reflexão, como aqueles paradoxos zen que intentam realizar nossa iluminação mediante o estupefacto meditar nelas. Diz assim:

Raramente se dizem verdades que merecem ser ditas. Seria preciso escolher as verdades com o mesmo cuidado com se escolhem as mentiras, e escolher as nossas virtudes com aquele mesmo cuidado que dedicamos à escolha dos nossos inimigos (opere citato, página 89).

          Nesta nossa sociedade, progressivamente mais e mais adoecida, a cada vez 'precisamos' ser menos verdadeiros, ao que (paradoxalmente) parece... O medo do relacionar-se faz-nos pensar demais (e sucumbir à tentação) em falsear nossos relacionamentos, pois nunca vemos claramente o que os outros poderão fazer com as nossas 'verdades'. Mas, ao fim e ao cabo, demonstramos muito nosso não-ser, o que não nos pertence, de fato. Só pode resultar em confusão, o que, parece também, ser a marca destes nossos tempos.

          Interessante como nosso Autor liga aqui verdade com a idéia da virtude que, para mim, é esta inerente, intrínseco à idéia da Ética enquanto tal. Nossa pessoalidade é organizada e expressa em grande medida pelas virtudes que cultivamos. Pode-se estimar, avaliar muito o(a) outro(a) pelo que ele/ela demonstra com sua conduta virtuosa (ou viciosa). Na verdade é (esta estimativa) algo relativamente fácil, mas de dificultosa aquisição pelo homem/mulher simples.

          Se é trabalhoso, árduo proferir verdades aos demais, o mais precioso é, vejo, a partir destas reflexões de Wilde, aprender a dizer-se verdades a si mesmo...  Como nos auto-enganamos hoje em dia!

sábado, 26 de novembro de 2011

bons tempos...

Foto por Ruth Barroso

          Hoje, quase curtindo merecidas férias, ‘matei’ as saudades de um costume que desenvolvi na faculdade (anos 70...). Certa vez vi uma foto do grande psicólogo Carl Gustav Jung (26 julho 1875 – 06 junho 1961) degustando um belo cachimbo e comecei a pesquisar este antiquíssimo costume (veja umas fotos de Jung – existem outras por aí -  aqui neste endereço: http://briarfiles.blogspot.com/2010/01/featured-pipe-smoker-carl-jung.html). Antigamente não havia esta grita sobre o tabagismo, e havia ainda alguma aura (quero dizer aqui, como consta de uma acepção do Houaiss, ‘ambiente exterior de um estado de espírito’) charmosa associada a tal curtição...

          Sempre imaginei que apreciar cachimbo era algo que envolvia conhecimento e arte, e não me enganei. Adolescente, experimentei cigarro e achei a coisa mais cretina que se podia impingir, depois do álcool. Cachimbo e  charuto, diferentemente do cigarro, não se tragam; saboreia-se o aroma do tabaco, mormente temperado sob variegadas condições e, assim, instila-se no ar olores marcantes, por vezes sublimes, como só quem conhece pode afirmar. 

          Ao longo dos anos tornei-me bastante expert no assunto, comprando livros, adereços e equipamentos, e com ajuda de meus pais que, sempre que viajavam ao exterior, tinham a gentileza de trazer fumos tradicionais por onde passavam. Assim, pude conhecer os melhores fumos ingleses (incomparáveis), holandeses (os meus preferidos), dinamarqueses e americanos, em suas diversas expressões. Gostava muito de todo o ritual de ‘inicializar’ um novo cachimbo, de modo a torna-lo apropriado ao uso. Um cachimbo bom pode custar muito dinheiro, e eu tinha – e tenho ainda algumas peças - uma coleção ótima, constituída em sua maioria de fornilhos que tinha recebido de pessoas amigas e aficionadas pelo cachimbo. Era meu único hobby, e só parei com a prática regular, de um lado, por causa das crianças e, de outro, pelo crescente alarido em torno das melhores ações em prol da saúde – fumaçar hoje não ‘pega bem’, o que concordo, em geral.

          Agora há pouco peguei meu cachimbo inglês (legítimo! é aquele da foto...) Partner Black -- que ganhei de meu quase-sogro José Luiz Jacques Guisard, um verdadeiro gentleman, no final dos anos 70 -- coloquei um fumo holandês Amphora (Dowe Egberts, de Rotterdam), tipo Cavendish (um blend de tabacos Burley, Kentucky, Oriental e Virginia), mild aroma; acendi-o com palito de fósforo, como manda o figurino e, voilá! Contentamento...

          Cachimbar (veja as acepções que este termo tem no Houaiss...) é algo que se concede primacialmente de modo isolado, meditativo, solipsista. Ajuda a pensar e refletir. É algo que ajuda a ‘fugir’ desta barafunda que é a vida moderna; é um breve 'retiro', saudável (psicológica e espiritualmente falando...) e refrescante, que se auto-presenteia, geralmente em um determinado lugar da casa (o meu é uma cadeira de balanço da sala de estar, de onde posso ficar olhando a linda paisagem que se descortina da janela do meu apartamento). Hoje, para mim, cachimbar tem um sentido mais de nostalgia (no bom sentido), algo que se permite fazer de vez em quando, para recordar, remembrar bons momentos que não voltam mais...
(para saber mais sobre Jung, veja http://www.nytimes.com/learning/general/onthisday/bday/0726.html

sábado, 19 de novembro de 2011

A Pajem e o Lobo


Foto obtida nesta data do site
http://fohn.net/wolf-pictures-facts

         Conta a fábula (nro. LXXXV do livro Aesop's Fables, London: Penguin Popular Classics, 1996, p. 88) que um lobo errante, procurando comida, passou frente a uma porta onde uma criança estava chorando e sua pajem a estava censurando. Assim que o lobo parou para escutar, ouviu a senhora dizer "se você não parar de chorar agora, vou te colocar para fora e o lobo vai te pegar!!

        Imaginando que a mulher pudesse ser boa como afirmava, o lobo esperou quieto fora da casa, contando com uma ótima refeição. Mas assim que escureceu e a criança se acalmou, o lobo escutou a pajem mimando a criança  dizendo "Que menino bom! Pois agora se o lobo malvado aparecer eu vou bater nele até morrer! "  

       Desapontado e mortificado, o lobo pensou que era agora hora de ir para casa. Esfomeado como somente um lobo pode ser, ele foi embora murmurando consigo mesmo "Isto é o que acontece por escutar pessoas que dizem uma coisa, mas querendo significar outra..."

       Este é mais um exemplo das mazelas humanas; nossa comunicação é muito complicada. A linguagem é um fenômeno tão dúbio, tão enganador, que é notável que possamos nos compreender amiúde (pelo menos é o que parece!)... Sei, os termos são por vezes polissêmicos, mas falo mais da intencionalidade que subjaz no emprego das palavras. 

      Eu, psicólogo por profissão, educador por vocação (se bem que muitos pedagogos acham que este termo é privativo de sua prática, que viés ...), lembro sempre aos meus alunos como devemos ser muito observadores da totalidade do ser (e da situação) do interlocutor, se desejamos realmente chegar perto do que ele/ela tenciona em sua fala.... e mesmo assim não se garante a real intelecção. Eu sempre assumo que (talvez) chego 'perto', e assim tenho evitado muitas decepções. Mas creio que este fato seja mais uma evidência (ou decorrência?) do inexorável, inelutável solipsismo a que, ao que tudo indica, estamos todos encerrados.

       Este ano, academicamente, foi muito interessante para mim. Precisei substituir na Faculdade uma professora na disciplina de Psicologia Humanista Existencial e, em virtude dos debates dos diversos assuntos, realizei boa revisão destas idéias. Um tema pertinente é a atividade de conferir sentidos, que parece ser privativa dos humanos. Ainda que existam alguns, como o notável literato Rubem Braga (1913-1990) que afirmem que as coisas, em geral, não tem sentido algum, sabemos que o conferir sentidos é-nos imanente, mesmo essencial à nossa natureza e práxis. E fazemos isso primacialmente pela linguagem, ainda que imperfeita, provisória, enganadora...
   
       A arte de viver - que muitos hoje em dia aparentam desprezar seu aprendizado - está imbricada no aperfeiçoamento do nosso linguajar, seguramente. Agradeço aos céus ter tido este vislumbre logo cedo em minha juventude, o que tem, creio, me poupado de muito desalento e aflição. Estou ainda aprendendo. Vejo como uma das tarefas mais lancinantes (a que nos podemos propor) a imperiosa, preciosa introspecção - e como é trabalhosa! Mas como pretender saber um pouco do outro se não nos entendemos um tanto mais? Assim vejo a equação - entender ao outro a partir do entendimento que obtenho de mim mesmo. É divertido ver as agruras daqueles que querem se entender a partir do outro - tenho minhas reservas sobre tal estratégia...

sábado, 12 de novembro de 2011

fim de ano

Fim de ano na Ilha da Madeira
(foto obtida agora no site http://www.baixaki.com.br)

          Nossa, semana que vem iniciam-se as provas finais no Centro Universitário. Mês seguinte, os exames dos 'recalcitrantes', e merecidas férias... O tempo passa, nesta voragem dos fins dos tempos, cada vez mais rápido (pelo menos é assim que vislumbro, que sinto...) e não atinamos suas consequências. Hoje fui a Mogi Mirim no almoço de casamento de sobrinho José Antônio -  o 'casório' foi ontem; Ruth foi mas eu não pude, pois tinha que ministrar 4 aulas no UNIFAE - levei à tarde Lívia a Rio Claro e voltei a São João da Boa Vista, desta vez por Piraçununga (é assim que se grafa no Houaiss, significando cachaça; não sei se o nome da cidade é, no uso corrente, grafado, como desconfio, 'Pirassununga'...), pela estrada que vai a Aguaí, cidade perto daqui. Que 'périplo'... é muita kilometragem e só fico agradecendo ao Pai Celestial pelo livramento, pela bênção de poder fazer tudo isso em segurança! Sei que se Ele assim dispusesse, eu seria ceifado num átimo, num estalar de dedos (nem isso...) visto tantas são as situações, e Ele é Soberano, está no comando total, como dizemos na Igreja.

          Amanhã tenho, antes de ir à Igreja, muita correria, muito 'trabalho braçal': relatórios, corrigir trabalhos, averiguar o site americano de concessão de vistos de viagem ao exterior, examinar papers e outros documentos, elaborar aula da Escola Dominical (classe dos adultos), uff!, um 'monte' de coisas! É raro poder ficar em frente à TV por puro deleite, regalo, de 'papo para o ar'... Quanto tempo faz que não assistimos um filme no DVD, como assinala Ruth... Ainda bem que nas férias 'tiramos o atraso'...

          Quinta feira tivemos curso de Brigadista (noções de combate a Incêndio e Primeiros Socorros) aqui no condomínio. Isto é necessário para renovarmos a licença de funcionamento. Quantas instruções interessantes! Graças ao auxílio de um condômino de boa alma, conseguimos reunir o número necessário de 'alunos', face à existência de 96 apartamentos aqui. A meta agora é expandir as atividades para aperfeiçoar nossa segurança, em todos os sentidos.

          Sexta feira ministrei, representando nosso Centro Universitário, mais uma palestra sobre Auto-conhecimento e  Gerenciamento de Stress para os Policiais Militares da Vigésimo Quarto Batalhão da PM, sediado aqui em São João. Gosto deste trabalho, pois podemos cooperar para o aperfeiçoamento de tantos bons profissionais, que muitas vezes são injustiçados em suas atividades. A sociedade tem uma dívida enorme para com a Polícia Militar, frente à abnegação e dedicação destes homens e mulheres que, não raro, dão a sua vida em prol do bem comum. Ainda temos mais dois encontros similares, até o fim do ano.

sábado, 5 de novembro de 2011

Quarta netinha...

Noemia Marie Dutra
*02 de Novembro 2011, Salt Lake City (Utah)

          Estamos em festa, as Famílias Jones e Dutra - nasceu mais um membro! Como de praxe, digo que ela é muito parecida com meu filho, que coisa linda; lembro-me de quando ele nasceu, em 04 de novembro de 1982, lá em Rio Claro, no Hospital Evangélico. 
Minha filha Marília com a nova sobrinha
Marília é muito 'coruja' com a sobrinhada...

          Ficamos aqui orando ao Pai Celestial para que Ele abençôe esta nova pessoinha; que ela tenha todo o amor do mundo e o acompanhamento de seus pais em todos os seus passos. Os irmãos Drake (o mais velho) e Gavin estão 'babando', como o pai. Que 'inveja', imagino a felicidade!

 Drake Boyd, JD & Gavin Ross, os 3 Dutras...
 Meu filhão é 'agarrado'  nos meninos como eu era com ele!
(JD conta que os 2 são muito 'arteiros'...)

Olha os dois garotos com a irmãzinha; imagino o trabalho que ela vai ter com os dois manos e mais o pai 'pegando no pé' dela por causa de namorado, etc... Coitadinha!

Espero que Deus me abençôe num futuro próximo para que eu possa acompanhar o crescimento destes meus netos lá nos Estados Unidos. Tenho que ajudar meus filhos com a filharada... Bem, não esqueço que ainda tenho a Lívia - ela está com 10 anos e, 'imagina', daqui a uns 15 anos quem sabe também já encaminhou sua vida - ela já disse que ter 'muitos' filhos. Ela adorou a nova sobrinha - ela se dá muito bem com crianças, nenês especialmente; se tudo der certo iremos todos o ano que vem conhecer lá a nenezinha....

          Quando aposentar (faltam somente 8 anos) irei sempre para a América do Norte ver a turma. Marilia - quem sabe até lá também vai estar casada...- vai me dar outros netos e vamos fazer 'aquela' bagunça. Nada como curtir a familia - o tempo vai passando e os cenários vão se alternando, é a lei da vida. Oro para que o Pai Celestial me conserve com saúde para eu poder ver meus netos ainda por muitos e muitos anos!