domingo, 19 de junho de 2011

Hércules e o carroceiro

foto obtida de    http://cantodecontarcontos.blogspot.com    hoje!

          Do libreto de fábulas... 'Um fazendeiro estava guiando de modo negligente sua carroça ao longo de um caminho barrento quando as rodas ficaram emperradas, imersas na lama, deixando assim os cavalos paralisados. Vendo isso, o homem caiu de joelhos e começou a rezar para Hércules vir e ajuda-lo, sem no entanto fazer o mínimo esforço para livrar o veículo. Hércules respondeu ao carroceiro dizendo que ele deveria colocar seus ombros nas rodas, e lembrou-o que os céus somente ajudam àqueles que tentam ajudar a si mesmos'. O compilador finaliza com a máxima de que podemos orar o quanto for; se não aprendemos a ajudar a nós mesmos, todas as nossas preces serão ignoradas...

          Vejo aqui como uma verdade celestial, que podemos aprender na Bíblia, também é de conhecimento geral, acessível às pessoas comuns, tão verdadeira e eterna ela é. Mas vejo que nossa inteligência paradoxalmente nos incapacita, por vezes, de vermos o que precisamos fazer de mais precioso a nosso favor!

          Uma das lições do tempo em que tive o privilégio de aprender com o Patriarca Odival Luciano Barbosa, um líder eclesiático sério e  vero pastor (grande caráter e servo de Deus amoroso, algo escasso nos dias de hoje), foi a de que, após orarmos ao Pai Celestial, devemos ir e fazer de tudo o que nos compete para que nosso pedido seja realizado. Todos temos a fantasia de que basta orar (e orar, orar...) para recebermos as bênçãos. Felizmente fui orientado no sentido de que 'Deus ajuda a quem cedo madruga'... Sim temos que ter Fé, mas isto não significa cruzar os braços e ficar olhando para cima.

          Disse que nossa inteligência age por vezes de modo paradoxal visto que, não poucas vezes, quanto mais se julga a si mesmo sábio, não se apercebe o indivíduo de que o conhecimento do mundo é enganador, e não tem este conhecimento mundano o mesmo status do conhecimento que é apreciado por Deus. Para desenvolvermos uma intelecção mínima neste sentido, temos que aliar a prática do que aprendemos das sagradas letras com uma reflexão honesta consigo mesmo, o que nos faculta a 'ouvirmos' os céus nos instruir, e isso mediante também a colaboração dos demais irmãos (que são usados muitas vezes por Deus para nos ensinar o que é necessário). Que triste vemos pessoas que se arrogam sabedoria, conhecimento, autoridade etc. sobre o que Deus dispõe e que demonstram em sua diuturna práxis comportamentos desarmônicos, contraditórios, incongruentes!

          Todo ensino da Bíblia visa, no plano eterno, à salvação do homem e, no plano mundano (entre outros), ao aperfeiçoamento de nossa vida (e isso implica, além da vida  quase-solipsista de cada qual, nossa vida - por vezes trabalhosa -  social). Qual a vantagem de saber-se 'biblicista' se não se esmera em aplicar a si mesmo aquelas verdades (e no aperfeiçoamento da complicada vivência interpessoal)? E, pior, usar aquelas verdades celestiais  para fundar, fundear, fundamentar de modo interesseiro suas disposições e caprichos?

          Outro dia li numa revista denominada Cristianismo Hoje  uma reportagem comentando o fato de que muitos cristãos estão abandonando as igrejas onde congregavam e reunindo-se, aqui e acolá, com pessoas conhecidas ou não em suas residências, para orar, entoar hinos e cânticos e compartilhar as riquezas da Bíblia. Muitas pessoas estão feridas por problemas de relacionamento e, apesar de não apostatarem da Fé, evitam associar-se novamente a quaisquer tipo de agremiação religiosa. Creio que uma das  principais explicações  para o recorrente fenômeno é a qualidade da formação dos responsáveis pelos trabalhos eclesiásticos, que não aplicam o que a Bíblia dispõe àqueles que se comprometem a ser pastores. Saem dos Seminários com certa erudição sobre o Antigo e o Novo Testamento, mas paupérrimos, imaturos na vivência que se requer para apascentar o rebanho... E o pior, a prática pastoral de muitos anos por vezes não aperfeiçoa a pessoa em sua importante obra, em seu ministério. Nem falo daqueles mercadores da Fé que transformaram a idéia de religiosidade, grosso modo, em empresa de 'prestação de serviços'...

          Como a espiritualidade hoje está banalizada; virou também uma commodity (não, não é este termo um estrangeirismo oportunista, acabo de vê-lo no Houaiss!!), ao que parece... É como um produto, destes de consumo em massa, produzido em larga escala, como podemos ver em profusão pela mídia. Cada vez mais o crente tem dificuldade de discernir, como se diz, o joio do trigo. Mas sabe-se que a vida espiritual é primacialmente algo constituído como um relacionamento pessoal Criador-criatura, e temos, neste âmbito, que nos esforçar em nosso estudo da verdade revelada, para não dependermos tanto dos outros ou mesmo de nossa imperfeita inteligência. Eu, como sou muito limitado, procuro os comentaristas íntegros e lúcidos para investigar. Por isso que aprecio imensamente Calvino, Lutero, pois remetem sempre à Bíblia, e só a ela.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Niver do sogrinho e fábula...

         
          Acabo de tirar esta fotinho do meu apartamento (para variar, esqueci de ajustar a câmera com a data de hoje - é a idade...). São João da Boa Vista é conhecida pelos lindos crepúsculos verspertinos. Costumo colocar uma cadeira do lado de fora do apartamento aqui no condomínio para apreciar esta dádiva do Pai Celestial. Um poente assim deixa a mente mais leve!

          Ontem comemoramos, na linda chácara do concunhado Alzenir, os 90 anos do meu sogro, o famoso Barrosinho (na verdade seu natalício é hoje), figura 'terrível' na sua mocidade, segundo fiquei sabendo. Mas hoje é um homem de Deus, com uma Fé inabalável. Fez um belo discurso de agradecimento. Ele vai a mais de cem anos, pois tem uma saúde de ferro. É uma pessoa alegre, educadíssima, companheira mesmo. Ruth é sua filha-xodó, com quem uma especial ligação (ela também é MUITO ligada a ele). Vários parentes vieram prestigiar a festa, que foi 'surpresa'... e muitos, parentes por parte de sua falecida esposa.

José Barroso e a amiga Sandra

           Hoje vou comentar uma fábula do libreto já citado anteriormente - a Fábula dos viajantes e do urso (nro. LIV, p. 57). "Dois amigos estavam viajando juntos pela mesma estrada quando encontraram um urso. Sem se importar com o companheiro, um dos viajantes, espertalhão mas apavorado, subiu rapidamente numa árvore  e se escondeu. O outro percebeu que não tinha chance se lutasse a mãos nuas com o urso então caiu ao solo fingindo estar morto, pois escutara que os ursos nunca tocam um defunto. Assim ele permaneceu imóvel, e o urso aproximou-se de sua cabeça; cheirou seu nariz, ouvido e coração, e o homem ficou prendendo sua respiração. Finalmente o urso convenceu-se de que ele estava morto e retirou-se. Quando o urso ficou fora do campo de visão o homem fujão desceu da árvore e perguntou ao outro o que o urso tinha sussurrado para ele, pois percebera que o animal tinha colocado o focinho bem pertinho do ouvido do seu amigo. 'Não foi nenhum grande segredo', replicou o outro. 'Ele meramente me disse que ficasse esperto com meu companheiro de viagem e que não confiasse em pessoa que abandona seu amigo na hora do aperto!'..." O compilador das fábulas encerra a história com a máxima 'A adversidade testa a sinceridade dos amigos'.

          Em minhas palestras sobre gerenciamento de estresse e sobre outros assuntos de psicologia aplicada  eu costumo perguntar se podemos identificar um(a) ou d(uas)ois amigo(a)s de verdade em nossa vida. Se não temos um ou dois amigos, aquela(s) pessoa(s) que larga(m) tudo para te ajudar, estamos mal (muitos não são amigos nem de si mesmos!). Nestes tempos atuais temos muitos conhecidos, colegas, parceiros. Mas amigos, coisa cada vez mais rara. Sinais da época despersonalizada, massificada, tresloucada, mutante em alto grau nos valores humanos, cibernética ao extremo, plena de azáfamas. Tendemos a nos voltar para nós mesmos, e a solidão só aumenta, pois não se consegue confiar mais nos 'amigos'...  As pessoas estão cada vez mais 'vazias', é o lugar-comum. E as estatísticas insinuando que, também a cada vez, as pessoas "precisam" menos de Deus. Custa-me a entender isso. Mas estou investigando.  Enquanto isso, 'deixa' eu olhar mais um pouco o poente...
 
(clique duas vezes na foto para ampliar - você verá algumas casas do bairro
adjacente - meu condomínio fica ao alto - e, mais perto, no rodapé da foto,
detalhes da quadra de basquete ao lado do meu apartamento)

sábado, 4 de junho de 2011

Khalil Gibran (1883 - 1931)

foto obtida hoje de
http://felinanalua.blogspot.com/2011/01/gibran-khalil-gibran.html

          Hoje dou uma dica 'rememorativa' dos meus anos de faculdade. Uma das obras que a moçada indicava uns aos outros era o famoso O Profeta,  do autor citado acima. [[ obtenha o libreto no site  http://www.clube-positivo.com/biblioteca/pdf/profeta.pdf   Eu gosto mais da versão em papel que comprei em banca - baratinho!! - da editora L  e PM,  Porto Alegre, RS,  2001, coleção L e PM Pocket nro. 222, traduzido com muita competência por Bettina Gertrum Becker ]]

          Existe uma boa biografia do nosso autor em  http://www.paralerepensar.com.br/gibran.htm  Ele é um artista bem conhecido, apesar de hoje em dia não aparecer muito pela midia. Mas se voce colocar 'Khalil Gibran' no Google verá quanta coisa surge!

          Eu vou propor aos meus alunos da disciplina Psicologia Humanista-Existencial realizarem um trabalho a partir do conteúdo deste livro. Existem muitas coisas interessantes, sobre temas muito humanos e, o mais legal, ditos de forma poética, como convém nestes dias turbulentos, de tanta certeza...

          Tencionava escrever mais agora, mas tenho que sair correndo para trabalhar (sim, neste sábado!) numa atividade da Prefeitura na praça central da cidade - tipo 'domingo na praça' - como sou funcionário público, minha universidade participa da atividade e vamos colaborar. É divertido, e posso compartilhar com meus alunos, o que é deveras salutar.  Bom fim de semana a todos!