quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Férias! (bem, quase...)


Foto obtida agora (via Google Images) de
http://faxo.com/majestic-creek-27597

1. Gosto muito de fotos, ou mesmo imagens que conseguem transmitir algum conteúdo que sensibilize o nosso 'lado artístico', por assim dizer. Sempre que assisto a alguma película chinesa ou japonesa Bilú, desinteressada, pergunta porquê vejo este tipo de filme. Digo, como um pai amoroso olhando para sua inocente e pequetita pequerrucha, que aprecio num filme não só o enrêdo, o entrecho, a trama, mas também as luzes, as sombras, o enquadrar do Diretor, a perspectiva da cena que se sucede. Qualquer obra de arte abarca muitas linguagens, por assim dizer, e temos que ser como um hermeneuta a buscar sentidos que estão ali à nossa espreita, indevassáveis aos incautos, mas inteligíveis aos sensíveis (não pretendia a rima, mas ei-la...). Nesse mundo árido, se não cultivarmos nossa sensibilidade às criações de Deus (e também às dos homens), o que subsistirá será somente o absurdo do existir, a nadificação, como reiteram os existencialistas ateus.  

 João Henrique Basso

2. Gente, acabo de receber pelo Correio um presente do amigo lá de Rio Claro, o João H. Basso. Trabalhamos juntos nas empresas de meu pai - ele entrou como Técnico em Contabilidade, e depois de muitos anos foi trabalhar na fábrica da Tigre Tubos e Conexões. Hoje é empresário de sucesso no ramo da alimentação. Sempre admirei a amizade que ele manteve e mantém com meu pai, que soube ver nele, ainda novo (ele ainda estava no Tiro de Guerra quando entrou na Dutra Comércio e Transportes), as qualidades que sempre o caracterizaram enquanto pessoa e profissional: retidão, seriedade, dedicação, disciplina, tudo aliado com uma disposição afável, acolhedora e simpática. Todos os colaboradores gostavam dele e nunca soube de qualquer fato que o desabonasse. Era reservado e circunspecto, como convém aos Contabilistas. Depois de tantos anos ainda se lembra da gente com carinho. Oro para que ele continue sempre com saúde e com sua personalidade cativante! 

3. Hoje seria talvez meu último dia de comparecimento regular no UNIFAE. Não tenho mais notas ou trabalhos de alunos a entregar para a Secretaria. Apesar de ainda ter de acompanhar algumas atividades acadêmicas extra-classe, como as performances da Trupe dos Palhaços, posso me considerar de férias, isto é, não tenho que anotar o ponto eletrônico nos domínios da Escola, de modo a evidenciar minha presença. Terei que ir de vez em quando na universidade para averiguar o Comitê de Ética em Pesquisa (que estou coordenando desde o ano retrasado), mas a próxima reunião do Colegiado só vai acontecer no final de Janeiro. 

4. Não dá para evitar o assunto da crise política (e a decorrente crise econômica) que se instalou. Estou muito curioso para ver os próximos lances. Os humoristas estão aborrecidos visto que os nobres parlamentares em Brasília estão produzindo diariamente tantas sandices que evocam risos (em ambos os sentidos do Houaiss...) mas também sentimentos de desesperança... No futuro nossa descendência não saberá como está sendo trágico estes tempos, visto que, como constato hoje, os jovens não tem idéia do que foram os anos de chumbo da Ditadura Militar - vê-se ali ou lá cartazes pedindo os militares de volta! Se eles soubessem o que foi a repressão naqueles tempos... Eu me lembro na Faculdade de Psicologia, nos anos 70, os  imensos tanques do Batalhão de Infantaria Blindada de Campinas subirem em coluna a avenida Francisco Glicério vez ou outra... Desconfortável é eufemismo... Eu tinha um professor militar - Major Enjolras era seu nome (tinha vários na PUC)  - que ministrava a disciplina que pregava a Doutrina de Segurança Nacional, de presença obrigatória, de nome algo como "Educação Moral e Cívica" (ou seria "Organização Social e Política Brasileira"?) - e tínhamos que comprar e decorar o livro do professor... Ninguém dava um pio em sua aula! Ouvíamos estórias tenebrosas a seu respeito...

5. Mas encerremos de modo mais alegre este post.  Férias é tudo de bom e, ao final do último mês, a gente joga fora muita 'tralha' que vamos amealhando durante o ano. Neste fim de semestre combinei com Bilú de fazer um "5S" (uma técnica tradicional de Administração da Qualidade)  em casa - inclusive no porão... - para ajudarmos a Cooperativa de Reciclagem do município e também a Higiologia aqui de casa. Quem viver verá. Toda semana juntamos um saco preto de lixo seco e o depositamos na rua para a coleta específica, mas no fim do ano os artigos são mais 'volumosos'...  Na verdade a saudade maior que terei agora nas férias será do Lions Clube, pois as reuniões semanais tem sido muito gostosas, não só pelo trabalho (fazemos fraldas descartáveis para idosos) mas pela camaradagem de todos os companheiros Leões e das Domadoras... Pelo menos irei todas as semanas no Asilo cumprir meu compromisso com os idosos. Toda sexta-feira!!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O ano passado...



Foto obtida (via Google Images) de
http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/10/capa/nacional/214188-tempo-seco-agrava-crise-hidrica-cantareira-baixa-para-4-7.html
(Do CORREIO POPULAR, de Campinas - é o
 jornal digital que eu assino... recomendo!)


O ano passado a gente estava bem assustado com a falta de chuva... Este ano graças aos Céus melhorou bem. Vai levar bom tempo - alguns anos, dizem... - para se encher os reservatórios como antigamente, mas pelo menos creio que o povo aprendeu a lição...  não dá para brincar com o meio ambiente, com certeza. Mas ainda se vê desperdícios por aí, que fazer?

Mas a sêca maior que observo é a seca de amor nos corações. A motivação para se corromper é a maior evidência nesse sentido. Hoje o mau-caratismo e a grosseria campeiam impunes! Não é mais tão feio fazer coisas reprováveis, ao que parece.  Veja o que está a ocorrer no Congresso, nas duas casas legislativas. Não sei como o povo não pega em armas e põe todo aquele povo no paredón... que horror, que palhaçada!! As consciências aparentam estar anestesiadas... cavalheirismo é virtude cada vez menos apreciada, ou mais desejada, sei lá; nobreza de caráter ainda existe, mas é item raro.

Outro dia uma conhecida perguntou como iam as coisas... respondi que 'envelhecendo', com dores aqui e acolá... aí ela me disse... 'envelhecendo e reclamando!!'  Assim, tomei consciência do meu mau costume; na verdade, não era a minha intenção reclamar, mas ilustrar, retratar, mas a percepção da pessoa foi noutra direção... Corrigi logo a má impressão, dizendo que, ao contrário, eu agradeço, e muito, meu entorno e a vida que tenho, pois me considero privilegiado, em todos os sentidos!! Mas depois fiquei pensando, que 'intimidade', que comentário desnecessário que a pessoa fez; nem pensou que poderia me constranger. A troco de quê? Dar-me lição? Sim, quero aprender sempre, e eu sou agora meu principal instrutor; busco as Escrituras todo tempo, pois é de lá que me vem a Luz e a motivação. Ah, a Razão me ajuda, mas parece que a Lógica é disciplina pouco valorizada hoje em dia...  Mas de qualquer forma vou 'policiar-me'. Deve ser chato conviver com pessoa 'reclamona'. Bom, afinal tenho já 61 anos, sou idoso (tenho até a permissão para parar em vaga especial!!) Mas é chato pessoa assim, e isso não é exclusivo de velho, concedamos...

Quando eu era criança, minha querida mãe sempre se preocupava em nos ensinar a sermos escrupulosos - nos perguntar a nós mesmos se não estávamos sendo inconvenientes ou mal-educados, grosseiros com os outros. Ela contava estórias de pessoas que tinham condutas muito nobres no sentido de se importarem com os demais (lembro de muitas delas - ela aproveitava todos os momentos para nos alertar - que Mãe maravilhosa que Deus me agraciou!), e eu creio que esta era a marca tempos atrás: as pessoas se preocupavam em ser educadas aos olhos dos outros. Não é isso o que se chama civilidade, urbanidade? Saber precisamente como bem conviver? Pois todos somos neuróticos mesmos, mas é nobreza poupar o outro de nossas deficiências, o mais que pudermos. Já falei aqui sobre o tal 'desconfiômetro', que a minha mãe (e meu pai também) nos recomendava desenvolver... Obviamente tentei passar muito disso para meus filhos e acho que tive sucesso, pois são muito polidos, educados, acolhedores e queridos.  Oro todo o dia por eles, para que tenham Deus em seus corações. 

Mais uma semana e... férias!!  Mas não vou ficar parado; tenho que escrever artigo científico e preparar aulas escaladas para o programa de Mestrado no ano que vem. E seguramente terei atividades do Comitê de Ética para realizar, mesmo no fim do ano. O gostoso é que sempre tenho um tempo a mais para rever na TV meus shambara (ou chambara, filme japonês de samurai e/ou com as técnicas de kenjutsu...) - tenho vários aqui em casa! Ah, e vou manter minhas atividades no Asilo e no Lions, me fazem muito bem!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Paraphernalia...

Imagem obtida agora (via Google Images) de
https://www.flickr.com/photos/rw_photography/3231613295

1. Este mundo moderno é de deixar qualquer um boquiaberto... (imagine agora - tempo real -  que estou a batucar aqui estas mal-traçadas linhas e que acabo de 'receber' um pop-up informando que existe uma atualização do software Java disponível... cacildis! - nossa, sou muito fã do Mussum...) Mesmo aqui em brazólia tem começado faz tempo iniciativas de empreendedores oferecendo serviço de qualquer coisa - não digo em São João, uma quase-bucólica cidadezinha do interior - mas nos centros maiores... maluco!, e tudo facilitado pela mobilidade facilitada pelos aparelhos celulares. Temos hoje em dia uma parafernália, gadgets, softwares, de todo tipo, à disposição do vivente... é só ficar antenado. 

2. Estou usando o micrinho de Bilú para perpetrar este post, pois os meus outros equipamentos estão longe dela (no escritório o principal, de uso mais ou menos dedicado; outro no meu cafofo de trabalho, no porão aqui de casa, ao lado do consultório da Fisiodermato da patroa, e o quarto micrinho nosso - um notebook - deixo no UNIFAE, para trabalhos esporádicos ou ministrar aulas com MS power-point, a partir de um projetor de multimídia que comprei há tempos) e agora na hora do almoço a gente sempre toma ou um vinho ou uma cerveja enquanto ela prepara a comida; então, assumo que gosto da companhia dela. Digo micrinho porque é um netbook HP muito bom, e que não é desconfortável para digitar. 

3. Até que este clima, apesar de não ser verão efetivamente, não está de todo mal - tem chovido bem e as manhãs são agradáveis. Depois que coloquei ar-condicionado no quarto de dormir a vida aqui melhorou em sua qualidade... De dia a gente vai levando; o ruim é ter que tomar 2 ou 3 duchas, gastando mais água, ainda que sejamos breves neste ritual...

4. Novamente vamos a Campinas nas festas de fim de ano - é tradição na família e temos que aproveitar bastante, principalmente pelo fato dos velhos ainda estarem com a gente. Não consigo imaginar como vai ser triste quando eles forem se encontrar com o Absoluto; é o destino de todos nós, mas a mudança é por demais portentosa e acachapante, como se dizia em Rio Claro. Espero que eu consiga ter meus irmãos juntos nos posteriores festejos, mas cada qual tem sua família, e como eu só tenho Bilú, a tendência é a gente ir ficando meio de escanteio quando os nossos pais se forem. Não tenho filhos ou netos comigo há muitos anos, para a alegria de minhas ex-esposas.  

5. Pelo menos as perspectivas de trabalho para 2016 melhoraram. Para manter minha posição como professor no Mestrado de minha Universidade terei que publicar um ou dois artigos científicos por ano, trabalhar a interlocução com colegas em Grupos de Estudo CNPq  e atender a orientandos, coisas que não me causam espécie de forma alguma. Preciso de ânimo mesmo, pois o avançar da idade, além de periclitar a saúde e as demais potencialidades corpóreas, costuma abater o espírito aos desavisados. Não creio ser bem o meu caso esta última cláusula, visto que - até estava a comentar isto agora há pouco com um humilde Pastor amigo meu, o Ricardo, marido da Deise, via telefone - depois que um cristão devoto estuda as Institutas da Religião Cristã, de Calvino, não há mais desculpa para enfraquecer a Fé. Não há meio-termo. Sabe-se de plano, com clareza, de que lado deseja-se estar.

6. Gente, em todos os jornais que leio diariamente (são pelo menos 4) só vejo notícia ruim sobre Economia e Política, principalmente. O negócio é não ter dívidas, para passar incólume por esta crise (aliás, desde que me conheço por gente escuto que o Brasil "está em crise"...) e saber manter o bom humor. Eu sou muito abençoado, e o Lions, os Gideões e meu trabalho (especialmente este, com todos os seus desafios...) são a fonte de minha disposição positiva, além da esposa abençoada com que Deus me coroou. Sinto-me um privilegiado num mundo de tanta tristeza. Por isso que me sinto tão bem quando Deus me honra em permitir que eu sirva no trabalho como voluntário no Asilo, toda quinta feira. É uma fonte de alegria esperar por quinta feira!!

domingo, 15 de novembro de 2015

Kelci Lewis...

Kelci Lewis

Katerra Lewis
Fotos obtidas agora (via Google Images) de 
http://www.mirror.co.uk/news/world-news/boy-8-charged-murdering-baby-6812100

A notícia que mais (me) impactou recentemente foi o motivo do passamento da bebê Kelci Lewis (um ano de idade),  assassinada por um garotinho. Ele, de oito anos, será indiciado segundo as leis do estado americano de Alabama. A mãe da bebê, Katerra, que também será indiciada (por homicídio culposo), havia saído pra balada com uma amiga, deixando sozinhas as seis crianças (nenhuma com mais de oito anos de idade) com quem viviam em casa.

O menino, que não era aparentado, espancou Kelci 'porque ela não parava de chorar', segundo a polícia da cidade de Birmingham, onde ocorreram os fatos. Esta notícia apareceu também no jornal Folha de São Paulo (Ano 95 #31.634, 12/11/2015, Cad. Mundo, p. A-15). 

Este tipo de acontecimento suscita diversos questionamentos, inclusive sobre o problema do Mal - porque Deus, amor infinito, permite este tipo de coisa (a questão já começa na forma desta frase, mas é complicado analisar agora - fica a dica). Isto já me perturbou anteriormente, quando ignorava a Palavra. Era uma das razões pelas quais minha ficou abalada até os alicerces (faz tempo isso!). O que me resgatou definitivamente foi a leitura das Institutas, de Calvino, fato que já relatei aqui. Mas imagino o que pensam aqueles que não buscaram na fonte o entendimento de tais desafios. Fica difícil conciliar a paz de Espírito, seguramente, pois esta esfera aqui  não tem muita 'lógica' mesmo.

Na verdade, o sistema todo se-nos mostra embaçado e confuso se vemos somente suas partes - o todo é necessário pra averiguar as parceladas expressões. Não tem sentido mesmo o mundo se visto parcialmente (esta é uma das causas de suicídio - falta de sentido para a vida, que se revela como um absurdo mesmo, visto deste prisma). Precisamos de um marco que organize estas expressões, por vezes dissonantes. A Religião foi para mim este critério. Cada um deve buscar e vivenciar por si mesmo - ainda que tenhamos guias e mestres, o nosso relacionamento com Deus é particular e único; é uma relação pessoal. Só Ele poderá conferir ao vivente a Paz no coração. Além disso só Ele poderá responder a algumas perguntas que nos deixam aqui atazanados...

sábado, 7 de novembro de 2015

Trupe dos Palhaços


Gente... Tem um grupo de alunos no UNIFAE que está realizando um trabalho muito bonito em duas das mais conhecidas Instituições Asilares aqui de São João da Boa Vista.  As fotos deste post acabaram de ser recebidas agora via WattsApp, retratando as atividades de hoje no Lar São José. Que alegria que contagia, não é mesmo? É uma das vantagens de trabalhar com a moçada. O legal é que todos os idosos adoram a proposta e participam intensamente das 'bagunças'. O riso colabora removendo possíveis resistências naturais que possam existir, oriundos da idade ou de problemas de saúde.

A alegria é reconhecida há milênios como um eficiente recurso colaborador ou mesmo o principal sanador dos mais variados problemas humanos, tanto do corpo como da alma. Divulgando esta estratégia, um dos grupos mais conhecidos no Brasil é os Doutores da Alegria (http://www.doutoresdaalegria.org.br/)  que inspiraram muitos outros grupos. 

O aprendizado vivencial para estes estudantes de Psicologia, Medicina e Fisioterapia é inestimável. Sei que a visão do ser humano para eles será, a cada vez, mais significativa naqueles valores que realmente importam e,  como um bônus, muito mais produtiva em suas futuras profissões.  Mas o que é mais bonito é o exercício da compaixão àqueles que mais necessitam, através do voluntariado. Que Deus os abençoem sempre!




Fotos enviadas por Guilherme Ribeiro Bueno, o PEPPERONI

sábado, 17 de outubro de 2015

Gideões... e calor insuportável !!

Obtido agora de
http://www.gideons.org/sendtheword/ecard-personalization 


1. Ontem Bilú e eu fomos ao encontro de confraternização dos Gideões da nossa região, na casa do irmão Edson, que nos brindou com um apetitoso churrasco e suas deliciosas guarnições. Marcamos uma reunião de oração e trabalho em minha casa semana que vem. Sim, além de distribuir a Palavra de Deus, Gideões significa também um ministério de Oração.

 2. Tem surgido na mídia diversas notícias envolvendo assuntos bioéticos. A mais impactante foi, recentemente, a polêmica envolvendo uma substância química, a fosfoetanolamina que, segundo consta, é um componente metabólico precursor de fosfolipídio, apresentando a sua molécula a massa molecular de 141,1 g/mol, sendo um fostomonoéster. Se você colocar no Google o termo, verás quanta coisa tem sido ventilada sobre esta substância e a cura do câncer nestes últimos dias. Hoje também saiu reportagens, como a do jornal Estadão (no Caderno Metrópole, página A-14)  Mas o que realmente vai interessar, ao fim e ao cabo, é o que a ANVISA publicou - ver em http://bit.ly/1VXRA6n  A lição que fica, após lermos tudo e acompanhar o caso, é que somos realmente muito atrasados: povo, instituições e, mais lamentavelmente,  algumas de nossas autoridades judiciárias...  Estes últimos parecem mesmo adeptos do "quanto pior, melhor".

3. O calor chegou forte nestes primeiros dias de primavera. Já uso o ar-condicionado à noite como se estivesse no verão. Diz-se que, por causa do El Niño, a coisa vai ser mais 'brava' este ano. Eu já acho que, há tempos, o clima tem sido cada vez mais inclemente neste particular...

4. Na edição 330 da revista Ciência Hoje (http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch ; se você digitar http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2015/330 poderás ler uma versão resumida da ótima revista)  leio uma interessante notícia à páginas 18 e 19  - que, ao que parece, não está nesta opção resumida - sobre a possibilidade do Alzheimer ser transmissível. Tal observação foi levantada pesquisando-se cadáveres de doentes cujas pessoas tinham tomado hormônio do crescimento humano contaminado por príons, uma forma anormal de proteína. Este hormônio é normalmente extraído da hipófise (ou glândula pituitária) de cadáveres. Esta notícia de Ciência Hoje baseou-se em trabalho publicado na prestigiada revista Nature (veja em http://www.nature.com/nature/journal/v525/n7568/full/nature15369.html )

5. Leio, instigado pela coluna do biólogo Fernando Reinach no jornal Estadão,  que existem duas felicidades, a de longo e a de curto prazo ( http://bit.ly/1yjT41O ). Para mim, a religião está na essência da questão, pelas vivências que cumpri até aqui. Mas é um assunto por demais polêmico, apesar de atual (mas no fundo é tão antigo tema quanto a própria humanidade). O que se vê é que, mais e mais, as pessoas, de um modo geral, estão insatisfeitas e infelizes.  Mas creio que uma chave para seu entendimento é que ser feliz  vem 'de dentro', não 'de fora' - é algo que se constrói experiencialmente, ou seja, de modo personalístico, idiossincrásico. Sigo sempre aquilo que o sábio Epiteto disse: não são as coisas que são problemas, e sim o quê você pensa sobre estas coisas. E o mundo está cheio de filósofo/sábio/religioso ditando reflexões sobre esta temática; cumpre examinar, complementarmente ao que eu disse antes, nossos quase-devaneios neste particular, para discernir nossas ideias e afastar os grandes equívocos. Não há outro caminho!

sábado, 10 de outubro de 2015

Aniversário e Boulangerie-pâtisserie

Foto obtida agora (via Google Images) de
http://www.boulangerie-mittenaere.com/

Gente... uma coisa que gosto muito é pão!! Tudo que tem massa, pasta, hmm, que coisa boa, adoro mesmo... Às vezes junto bons vinhos (adoro os chilenos!) e pães diversos e fico degustando com meu amor na espaçosa cozinha (que é o lugar mais preferido da nossa casa...). Mas agora a nossa médica cardiologista mandou evitar, bem como o açúcar, pode? Parece que tenho certo pendor ou propensão ou disposição para ter pressão alta, e estou no limite em alguns índices (mas nada  tão preocupante assim). Sim, não inspira maiores cuidados, tanto que ela não me receitou nada de remédio (Ruth já está tomando pilulinhas para pressão,  e nem está acima do peso ou faz uso de tabaco ou bebidas alcoólicas, imagina!) e vamos repetir os exames daqui a seis meses para ver se meu regime e ginástica (faço bicicleta ergométrica e um pouco de musculação dia sim dia não aqui mesmo em casa; comprei há tempos alguns equipamentos de academia que coloquei lá no porão...) conseguiram debelar a ameaça. Coisas da idade! Tenho me divertido muito com Ruth pois uma parte do salário agora vai para as coisas da Farmácia! Até agora eu gastava praticamente nada neste setor...

Fim de semana esticado (segunda feira é feriado, dia das crianças e de nossa senhora de Aparecida, hurra!!), com meu niver neste dia de hoje. Não ligo para aniversários, acho que é um dia igual aos outros. Tem gente que fica esperando telefonema, recados no Face, lembranças etc.,  mas eu não. Acho aborrecente. As pessoas ficam constrangidas por vezes pelo fato de ter esquecido ou não retribuído a gentileza. Desnecessário. Mas eu fui no Face agradecer às almas caridosas que se dispuseram a gastar algumas palavras com este diletante alfarrabista. Mas o legal é que minha família virá amanhã aqui em casa para celebrar tanto o natalício quanto o fato do meu pai ter tido sucesso na sua angioplastia (e colocação de 3 stent), e também a gente ter conseguido consertar os telhados aqui da casa, que estava precisando (telhado principal e cobertura da garagem de cima - pois tem outra garagem no piso inferior, junto ao porão).

Momento cultural. Ganhei um livro de Ruth (3 volumes) muito legal... Ela foi num congresso da Igreja Presbiteriana em Serra Negra e me trouxe "Uma história do pensamento cristão", de Justo L. González (2a. edição, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2015 www.editoraculturacrista.com.br).  Muito bom, obra bem acabada, e que não defende nenhuma confissão em particular, apesar de ser impressa por esta Editora de linha Reformada, pertencente à IPB - Igreja Presbiteriana do Brasil. É uma discussão impressionante pela amplitude (quase mil e duzentas páginas) e bem acadêmica, densa e bem escrita. Adoro este tipo de literatura, informativa, que provoca, que esclarece! O afamado Professor Justo leciona no ITC - International Theological Center, de Atlanta, na Geórgia (USA). Recomendo...

Hoje cedo já fui dar um rolê com o fusca, e aproveitei para comprar jornal na banca preferida. Adoro dirigir o Toyota Corolla, carro fantástico, mas o fusqueta é emoção, e saudade - meu primeiro carro era um fuscão assim, 1500cc, ano 1971. Este atual que tenho foi fabricado em 1974, e está bem 'ajeitado', conservado, gostoso de dirigir, macio, econômico e marca presença porque coloquei escapamento esportivo para possibilitar certo ronco do motor (é a única hora em que gosto de um pouco de barulho...). Já arrumei diversos 'catadinhos' que a gente herda quando compra um carro idoso assim - é o nosso divertimento, e arruma-se conversa e amizade onde se estaciona (ou mesmo nas oficinas onde costumeiramente  levamos) o bólido...  E de quebra, não se paga IPVA de carro com mais de 20 anos... Legal!

Acabo de receber uma ligação via Facetime (Apple) de minha filha Marilia, lá de Salt Lake City (Utah). Que maravilha esta tecnologia - é só ter um wifi perto e a gente fala ao celular vendo perfeitamente a pessoa do outro lado, que bênção!! E amanhã o meu filho José Geraldo (que agora está publicando livros, imagina! ) vai nos ligar na hora do almoço, para poder falar via Facetime com os outros familiares aqui presentes.  Vai ser um aniversário muito legal!

sábado, 26 de setembro de 2015

Que fazer...

figura obtida agora (via Google Images) de
http://www.campusghanta.com/latest/how-to-survive-something-boring

Estamos (bem, Bilú só chega amanhã... Ela foi num Congresso da Igreja) no apartamento dos pais, em visita. Meu velho descobriu entupimentos em veias importantes e vai colocar stents na terça feira. A gente veio dar uma força e rever os irmãos. Aproveitei e fui conhecer a sede dos Gideões ontem, e fiz lá umas compras. Que privilégio poder privar com pessoas especiais, unidas em um objetivo tão elevado. Gostaria de trabalhar lá; creio que o ambiente é muito especial - pelo menos foi o que eu respirei no pouco tempo que lá estive. Fui a pé mesmo, gosto de andar e não temi a longa distância. Gosto de ir vendo a paisagem. E não é que a sede dos Gideões fica ao lado da Clinica de Stress da famosa Professora Dra. Marilda Novaes Lipp? Esta conhecida Psicóloga foi uma das minhas docentes no programa de Doutorado que eu fiz na PUC-Campinas. Na época ela me convidou para dar orientação; me senti honrado com a delicadeza dela, mas minha temática era bem outra, mas se fosse estudar o tema do estresse, seria a melhor opção, sem dúvida. Que profissional!! Grata memória.

Mas o tédio que me caracteriza há tempos é com esta situação pós-moderna de violência e falta de caráter por parte das pessoas. Li ontem uma crônica do novel colunista do jornal Folha de São Paulo Leonardo Padura sobre a 'licença' que certos esportistas tem atualmente para burlar a ética. Eu já acho que a coisa não se restringe mais ao campo esportivo, mas a todas as áreas, posto que é uma marca destes tempos. Seremos conhecidos no futuro pelo mau-caratismo desenfreado e desabrido. Não é mais feio ou censurável ser aético (sobre o uso do termo, veja por favor http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3593856 ). É a minha maior fonte de stress atualmente. Já comentei que a educação que recebi dos meus pais faz-me ficar, ao fim e ao cabo, chocado demais com as condutas periféricas. Quer ver? Desisti de combinar serviço com pedreiros e assemelhados. Ôo pessoal 'enrolado'; prometem na cara dura e nem aparecem! Sinto-me um idiota por confiar na palavra deles. Fico imaginando ser indenizado se gravasse a promessa solene que estes cascateiros fazem (pelo telefone ou vis-à-vis mesmo) e os acossasse com um processo judicial. Outro dia marquei hora com um mecânico especialista em eletricidade para fazer um serviço no meu bólide (meus amigos sabem que falo do meu querido Fusca) e quando chego lá, haviam 3 carros na minha frente! E vou dar um sopapo no mau profissional, que é o que ele merecia? Aí viro eu o culpado - violento e tal, e ainda por cima bem maior que o outro etc. Duvido se antigamente ele faria isso... Por medo ou por ser efetivamente ético/educado, coisa que a cada dia mais se perde pelo poviléu.

Mas o ápice desta falta de ética em nossos tempos aqui em brazólia são as falcatruas dos políticos e dirigentes democraticamente eleitos, coisa pela qual seremos lembrados por todas as futuras gerações. Não sei se um dia sairemos desta enrascada, mas que desanima, desanima! Lembro-me agora que há mais de dez anos meu amigo José Márcio já me dizia que Brasília tinha virado um balcão de negócios!

Para equilibrar nossa mente e não sucumbir, só procurando pessoas que comungam de nossos valores. Tenho encontrado lenitivo no Asilo, no Lions, no trabalho do Gideões. A leitura de boas obras sempre é seguro refúgio também, a Bíblia principalmente. Gosto de diariamente realizar meus estudos, e uso para isso 3 ou 4 devocionários (a editora Ultimato tem ótimos - www.ultimato.com.br - comprei lá um com textos selecionados de Martinho Lutero que é ótimo!), além das Institutas da Religião Cristã, de Calvino. Tenho relido também a Hermenêutica de Hans-Georg Gadamer (Os dois volumes de  Verdade e Método, sua obra-prima), que empreguei na minha Tese, e matado as saudades. Quanto esclarecimento!



Mas creio que o que nos faz de certo modo macambúzios com nosso entorno é a saúde que, mais e mais (dado o processo de envelhecimento),  se mostra fragilizada e comprometida. Isto nos tira o foco e o enlevo da vida, certamente. E só vejo duas estratégias possíveis para minimizar a inexorabilidade da tendência: boa alimentação e atividade física.  

Amanhã Bilú chega (que saudades da baxinha!) e iremos passear no Shopping Center, que é a praia dos paulistas. Vamos, no Iguatemí, visitar a Livraria Saraiva, que é uma espécie de paraíso para mim, e ver as novidades. Pelo menos isso! 


domingo, 6 de setembro de 2015

Razões...

última foto que tirei.. (agora)

Sim, tenho escrito pouco, quase nada. As razões?

1. Troquei minha moto pelo Fusca, como disse, e agora a parte mecânica está ok, permitindo-me extrair do recurso automobilístico seu ótimo emprego, sem sustos ou outras intercorrências. Vou me divertir muito (por muitos anos) com este bólido, reciclando também os neurônios, seguramente, pois ainda tem muita coisa para nele consertar -  de pequena monta, mas tem. Mas aí reside a beleza de ser ter um carro quase tão velho como eu, coisa que muitas mulheres não entendem... 

2. Tem acontecido tanta coisa maluca neste mundo absurdo e no meu entorno (especialmente no meu trabalho), que certo desânimo se me acometeu, infelizmente. A maioria não devo comentar aqui, em especial para não aborrecer meus poucos leitores. A última foi...



Ainda que eu ache certa hipocrisia de todos, foi muito impactante, realmente, ainda que logo fique esquecida... Quer ver? Imagine se fosse um menininho afrodescendente, será que seria a mesma enormidade a ampla comoção? Creio que não.

3. Tenho me preocupado mais em fazer o que preciso. O que tem significado mais minha vida atualmente são 3 coisas: distribuir a Palavra trabalhando como Gideão (www.gideoes.org.br) ; fazer semanalmente a barba e cabelo dos meus velhinhos no Lar (Asilo) São Vicente de Paulo, e atuando com meus companheiros do Lions, fazendo fraldas geriátricas e outras ações para melhorar nossa Comunidade Sanjoanense e da região. Tenho encontrado muito companheirismo e coleguismo nestas atividades, coisa que vinha sentindo muita falta, e que cada vez menos se encontra no mundo em geral, em especial no trabalho 'oficial' que fazemos. (Não, na minha Igreja não temos vida social ou mesmo muitas atividades, infelizmente.) Como decorrência destas minha atividades voluntárias, nossa vida social ficou um tanto mais agitada - mas estava muito 'parada' mesmo, inclusive porque Ruteca e eu somos muito caseiros!

4. Fiquei sabendo outro dia que mesmo estas nossas memórias registradas aqui na nuvem podem se evaporar dentro de alguns anos. Pen-drives, DVDs e outros suportes não duram mais que papel ou outro material assemelhado. Como não dá para gravar tudo em aço ou pedra, fica ao sabor das conveniências. Por outro lado, não sei se o Google vai durar tanto, se não vai virar outra empresa ou mudar de política. Mas no fundo sei que depois de uma ou duas gerações ninguém vai se lembrar da gente mesmo. Não sei quem foram os pais de meus avôs, e alguns destes nem conheci pessoalmente, como a mãe de minha mãe. E veja só, no meu caso, como não convivo com meus netos, talvez nem destes serei relembrado daqui a alguns anos! Meus irmãos, esposa e filhos falecendo, serei menos que uma poeira de estrela, como sou agora...   < certa vez tentei baixar todo meu conteúdo googleano para fazer back-up... Ia demorar alguns dias para isso se realizar, e ia gastar um 'monte' de DVDs. Com a baixa conexão que dispunha, desisti. >

5. Reformei todo o telhado aqui da cazupita. O dono anterior fez uma reforma muito pobre e deixou todo o telhado 'quase-centenário' sem qualquer manutenção. Removemos uma grossa camada de fuligem entre o telhado e o forro. Estava um horror. E o que foi retirado de ninhos de passarinhos... Imagino se houvesse uma faísca o incêndio seria total!. Mas agora, com a graça de Deus, estamos com a casa bem ajustada. Futuramente realizaremos a pintura e vai ficar cem por cento. Tenho muitos anos ainda, se o Pai Celestial permitir, para me entreter aqui com a casa.  É o meu castelo, e muito bem cuidado pela Ruth; que amor ela tem pela casa - como cuida bem dela (coisa que matrimonialmente nunca tinha visto)...

6. Viciamo-nos, Ruth e eu, no Netfix. Bilú comprou uma Smart TV e agora nossa programação de filmes e documentários está bombando via streaming, coisa louca! E nem precisa ter uma conexão tão veloz de internet como eu imaginava. A enormidade de séries e filmes é avassaladora. Tenho agora  'mil'   filmes para ver e o lazer nosso é garantido e, melhor, por um preço muito baixo!

7. Tenho tido alguns problemas de saúde. A última coisa, de certo modo muito 'aborrecente' foi o herpes zoster nas costas. Coisa de maluco. Nunca tive isto; herpes simplex (nos lábios) sempre tive, mas nos últimos anos parece que desapareceu, o que não é verdade - está ali nos recônditos, amortecido... Mas com este herpes zoster, que não sei como surgiu, pensei estar com pedra nos rins, problema na vesícula biliar, problema de estômago, problema muscular, coceira, tudo junto!! (nossa, coisa de idoso ficar falando de doença, mas sou-o!!)  Teve noites que não consegui dormir com o desconforto geral. Tive que me valer dos remédios da farmacinha de Bilú, coisa que nunca faço. Mas já foi tudo resolvido, com a graça do Pai Celestial. Mas foi um mês de infortúnio. E temperado com mau atendimento de médicos, etc. Ôo vidinha (rs rs rs)  Estou sentindo falta de alguns emoticons aqui do WatsApp...

Bom, vamos ver se volto mais vezes aqui neste espaço. Tenho muitas coisas para dizer, mas será que vale? Às vezes me pergunto - iniciei meus escritos aqui neste espaço por causa dos netos e dos meus alunos, mas estes... não sei se se incomodam mesmo - em sala de aula vejo tanta alienação e desrespeito! É a maior fonte de certo banzo que se me instalou no espírito... Imagine você sonhar em realizar ( e isto operacionalizar arduamente depois de tantos anos) uma vocação que acredita possuir e, depois, como que se arrepender de ter trilhado aquele caminho... Ainda bem que tenho encontrado minha significação de vida nas minha atividades voluntárias!




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Entrevista sobre Ética...


Meu Fusca é igual a esse!!
(imagem obtida agora (via Google Images) de
https://utinuti.wordpress.com/2012/11/ )

Estive ausente demais, estava com saudades! Mas sabe o que aconteceu? Tenho agora Netflix e fiquei como que viciado! e tive 9 classes, inclusive de Mestrado (assunto novo) para ministrar. Correria é pouco. E o comitê de ética em pesquisa, como aumentou a demanda! E troquei minha motocicleta por um Fusca azul claro, dá para acreditarEntão não é que esqueci deste espaço - outras intercorrências intervieram...

Mas coloco aqui uma entrevista que acabo de dar para um jornal da região sobre o tema da Ética.  Enjoy...

Qual a melhor definição de ética para o senhor?

Ética é um exemplo daqueles termos para os quais  não se pode dar uma definição simplista. Grosso modo, Ética é o estudo sistemático sobre o modo reto de agir. Seria a educação da vontade pela Razão, para tornar a vida mais justa, feliz e bela.  Alguns autores julgam que reside na reflexão ética a base para a escolha entre o Bem e o Mal. A tarefa da ética seria  precisamente  refletir sobre as questões que fundamentam a tomada de decisão prática, e suas preocupações principais incluem a natureza  última dos valores e os padrões pelas quais as ações humanas podem ser julgadas certas ou  erradas. Um pensamento que gosto muito foi formulado por Giovanni Vidari em 1922  que afirma que o objeto da ética seria o estudo “das relações entre a vontade e a conduta; como isso se processa perante o coletivo e o individual, em causa, efeito, no tempo, no espaço, em qualidade, quantidade, em face das ambiências próximas e futuras”.

Qual a relação entre a ética e a política?

Deveria ser orgânica; ética nas relações entre as pessoas e grupos deveria ser parte da natureza do fazer Política.

As pessoas enxergam a ética como sendo o comportamento considerado correto ou aceitável em uma sociedade. Essa definição é muito simplista?

Sim, pois como vimos na definição que formulei na questão 4 acima o fenômeno é muito complexo. “Correto”, “aceitável” são conceitos muito relativos, ainda mais hoje em dia...

O senhor acredita que após tantas crises sociais e econômicas, a tendência é de que a sociedade passe a se balizar por valores morais?

Difícil dizer, pois o que falta é Educação, inclusive se valores e cidadania. Crises são sintomas da falta de prioridade em Educação, em todos os sentidos.

O senhor acredita que seja mais benéfico para a população investir em formação para melhorar a política brasileira ou desenvolver uma formação ética para o governo?

Não creio que reforma política seja factível – basta ver o que anda pelos jornais neste sentido. Agora, educar para valores e cidadania, creio que seria um caminho.

A falta de ética está diretamente ligada à corrupção?

Sim, creio que se houvesse mais consciência ética na Sociedade haveria menos espaço para estas práticas deletérias. Hoje a norma é cada um por si e defraudar o máximo que se puder.

Qual a opinião do senhor sobre as recentes manifestações populares que aconteceram em vários municípios brasileiros?

Descoordenadas, politizadas, esvaziadas, inócuas, infiltradas por baderneiros e vândalos, infelizmente. Mas inegavelmente é um sintoma que a paciência do povo anda no limite.

No último mês, um vereador de Espírito Santo do Pinhal apresentou atestado médico em duas sessões legislativas e participou nos mesmos dias de partidas de futsal na cidade de Andradas. Que análise o senhor faz de casos como esse?

A certeza de impunidade é que autoriza esta criatura a agir com tal nível de deboche para com as instituições democráticas e pior, com os seus eleitores. Mas não é o primeiro e nem será o último, a não ser que o povo passe a eleger seus representantes com mais consciência.

Geralmente, a população toma conhecimento de atos de corrupção apenas quando o caso vira manchete de jornais com números alarmantes de desvio de recursos ou de casos semelhantes. No entanto, não são penas os casos de enormes repercussões que envolvem corrupção. Como mostrar para as crianças que o que acontece ao nosso redor, na nossa rua, na nossa cidade, também são atos de corrupção?

A educação para a cidadania começa em casa. Se o pai ou mãe dá mau exemplo para o filho e depois fica cobrando que ele seja honesto ou ético a criança passa a ver a ambivalência hipócrita das atitudes dos adultos.

Como ser ético na vida, no trabalho e na sociedade?

Instruindo-se com valores democráticos, de cidadania, de sustentabilidade, participando e não ficando somente com postura passiva e auto-vitimizadora, como faz a maioria.

Qual o impacto da globalização das relações humanas atuais? Na sua opinião, essas relações estão mais ou menos éticas?

O impacto é enorme, pois há valores e valores, muitos deles que não nos pertence... Estão cada vez menos éticas, pois o que se vê é mais e mais violência, desrespeito e irresponsabilidade, a começar daqueles que deveriam dar o exemplo, como os políticos.

Qual o grande dilema ético da sociedade?

É uma resposta difícil de dar. Vou eu te fazer perguntas. É certo ser desonesto numa boa causa? Posso justificar a opulência frente à miséria?  Se convocado para uma guerra que não endosso,  eu devo desobedecer à Lei?  Quais nossas obrigações com as futuras gerações? Dilemas morais surgem com a ação humana, relacionados com o cotidiano de cada sociedade. Por exemplo, sair nu em público pode ser ou não ‘moral’, vejam os desfiles de carnaval. É uma hipocrisia só. Existem dois aspectos distintos de cada conduta: o prático, relacionado à ação, e teórico, vinculado à justificação dos valores que dão suporte à ação.  A existência de um dilema moral implica que a ação de um agente (ou grupo) contrariou aquilo que genericamente a maioria da sociedade crê ser o comportamento adequado para aquela situação. Dilema significa encruzilhada onde são se sabe optar – ficamos ‘paralisados’. Agora, como devemos viver?  devemos fundamentar  nossa vida na felicidade?   no conhecimento?  na virtude?  na criação do belo? na justiça?  Mas, se escolhemos a felicidade é a felicidade  nossa, ou a dos outros? E por aí vai. Então, qual o grande dilema ético hoje? É ter pouca Ética...