sábado, 27 de abril de 2013

A morte...

Gravura obtida agora (via Google Images) de
http://alesfuck.deviantart.com/art/Death-is-Coming-176501316

As notícias recentes dos meios de comunicação de massa mostram como tirar a vida do semelhante banalizou-se, trivializou-se. Facínoras adentraram um consultório odontológico na região metropolitana da Capital e, após atemorizar a dentista e seu cliente, atearam fogo àquela profissional, ceifando cruelmente sua vida, pelo motivo dela não ter dinheiro no banco.  Não podemos imaginar a dor dos familiares, em especial dos pais da jovem profissional. É revoltante; estamos a ponto do povo começar a fazer justiça com as próprias mãos, o pior dos cenários. Sei que estes bandidos são muito valentes quando estão armados ou em bandos, mas quando são eles mesmos as vítimas, acovardam-se.

Conta o fabulista ("The Old Man and Death", in: Jack Zipes' Aesop's Fables. London: Penguin, 1996, p. 150. Fábula CXLIII) que um macróbio, que havia percorrido uma longa caminhada com um enorme feixe de lenha às costas, extenuou-se de tal modo que jogou seu fardo ao solo e desejou morrer, de modo a libertar-se de sua miserável, deplorável condição.

A Morte veio rápida ao seu lado e perguntou o que ele queria. O velho replicou: "Por favor, bondoso senhor, tenha a caridade de me ajudar a levantar e colocar esta carga  em minhas costas!"  Como 'moral' da estória o autor ensina que uma coisa é chamar a morte e, outra, perceber que ela está chegando...

Mas coisa estranha esta de pensar que um dia vamos falecer. A aniquilação é uma das maiores fontes de pavor entre as gentes, seguramente. Creio que nem tanto pelo pessoalmente (e irreversível) inusitado do evento, mas mais pelo desconhecimento do que possa existir do 'outro lado do rio', como se diz. Sei de pessoas que experimentam caliginoso sobressalto e batem na madeira quando aparece o tema. À vezes quando brinco com alguém e digo 'mais um dia perto da morte!' noto o desconforto e contrariedade estampados instantaneamente... Acusam-me de ser tétrico, funéreo, e outros adjetivos mais incisivos. 

Porque não discutir algo que todos enfrentaremos (e que está ficando a cada dia mais corriqueiro)? Como Benjamim Franklin ensinou, só existem 2 certezas na vida, a morte e os impostos. O resto, depende... Dizem que religiosidade é um tipo de resposta que o homem inventou para lidar com esta inelutável convicção, e faz certo sentido. Eu creio até que, por causa desta certeza, possa existir pessoa que chega às raias de perder a razão ou 'acelera' ou realiza o encontro final, pela insuportável angústia da 'espera'. E discutir a morte ajudaria a lidar com a perda de entes queridos, pelas inúmeras situações que a modernidade propicia neste sentido como a violência, o trânsito, o stress...

Já escrevi aqui que, para o crente sincero, que estuda a Palavra, tal problema inexiste. Como diz São Paulo na sua carta aos Filipenses 1: 21, " (...)  o viver é Cristo e o morrer é lucro" (NVI). Estamos aqui e vivamos uma vida reta; se o Pai nos chamar, é para nos coroar, para morarmos junto dEle - podemos ter maior esperança, maior contentamento? Ouvi certa vez que, quando abrimos os olhos, do outro lado, Cristo, nosso mestre e irmão, está de braços abertos para nos receber com um abraço. Não pode existir nada melhor! Quantas coisas eu teria para conversar com Ele! Mas depois iria procurar Lutero, João Calvino, John Stott, meus avôs e outros queridos para abraçar!

Com o conforto e as benesses que algum vivente possa deter, esvair-se-lhe a vida, abruptamente ou não, deve ser bem decepcionante. Por isso que o budista ensina que devemos aprender a nos desapegar de tudo nesta esfera pois, quando o exício, a libitina aparecer, até do exacerbado apego à vida vamos conseguir nos livrar também... O certo então é vivermos os momentos intensamente e contentes, como se fosse o último!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sem temor

Hoje cedo em meus estudos bíblicos diários, li passagens muito importantes, que tocam fundo meu coração. Como dependemos de Deus para nos firmar! Oro sempre como diz o Salmo 143: 8  'Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma'.  Mas nem todos tem a certeza de Davi, que versou  também (salmo 54: 4): 'Eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor está com aqueles que sustêm a minha alma'. 

Uma perícope escrita há muito, mas que assimilo como dirigida a mim, é a que vi em Isaías 46, versos 3 e 4. Impossível não se sentir acolhido, e confiante com as palavras que Deus nos dirige: 'Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o restante da casa de Israel; vós a quem trouxe nos braços desde o ventre, e sois levados desde a madre. E até à velhice eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; eu vos fiz, e eu vos levarei, e eu vos trarei, e vos livrarei'. Veja como o Pai Celestial nos considera - não somos todos os restantes da casa de Israel? Ele nos carrega nos braços desde o ventre de nossa querida mãe; Ele, que nos fez, nos conduz, nos sustém e nos livra - quer dizer, nos salva! Como Ele nos tem amor, nós, que nada fizemos para merece-Lo...

Muitos dizem não saber deste Deus que parece nem existir... tão distante aparenta estar, aos olhos de muitos. Na verdade, Deus está mais perto do que imaginamos, mesmo ao alcance da mão...  A qualquer um que tenha um pouco de boa vontade, Cristo diz (João 14: 8 a 10):

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? 
Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim?
As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. 

Cristo nos convida (Mateus 11: 28): 'Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei'. Estas palavras ainda hoje soam incompreensíveis ao mundo materialista, hedonista, consumista, mas sabemos o que significa, se O buscarmos de todo coração. O Caminho é pedregoso, difícil, desafiador, mas pleno de contentamento, de esperança e certeza, principalmente neste mundo cada vez mais conturbado, difícil e entristecedor. 

Quanto mais vejo o mundo, eu me coloco sempre como o imperfeitíssimo Simão Pedro que respondeu, após uma pergunta do Cristo (João 6: 68): 'Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna'... 

Tenhamos todos certeza: não somos órfãos nem desamparados - Deus nos chama pelo nosso nome, somos dEle...

Mas agora, assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel
Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.
Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão;
quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. 
(Isaías 43:1-2)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dia de solteiro e memorabilia

Fotinho de Aline França, obtida agora (via Google Images) de

http://www.flickr.com/photos/rockaline/4793283176/


Tô 'solteiro' hoje; Bilú foi com as colegas num programa acadêmico na Capital (quem diria - só faltam 2 meses para ela se formar em sua segunda faculdade...) e só volta tarde da noite. Umas das sobrinhas dela trouxe, há pouco, uma marmitinha, uma 'quentinha', como se diz, para eu 'enganar' o estômago (Bilú tinha dado dinheiro para elas me socorrerem, vejam só... a gente não "véve sem mulé" mesmo, como diz a música caipira!). Mas eu não esperava a gentileza, a surpresa - eu iria comer em algum botequim... (já vejo a expressão de Ruth a me zoar: ô dó!... )

Sempre fui pessoa, desde criança, a ficar matutando o que queria ser na vida. Sempre me impressionei com a complexidade da existência e, quanto mais eu lia - 'devorava' livros e livros que haviam em casa e outros que comprava (meus pais sempre me deram dinheiro para isso) - mais me assombrava, ao mesmo tempo que agradecia a Deus pelo privilégio de aprender. Divertia-me com a inscícia que a média dos meus conhecidos revelava sobre coisas que eu já 'dominava'. Mas não gostava de me gabar disso; guardava tudo em meu coração. Hoje vejo que as letras, as palavras, sempre me fascinaram - cheguei até a escrever poesias modernistas, sob influência do grande Manuel Bandeira, que eu admirava. Ainda é muito do que me move.

Depois das leituras teológicas/eclesiásticas matinais, li de novo uma crônica do cineasta e dublê de cronista Arnaldo Jabor que saiu no Estadão de terça feira (OESP, ano 134, n. 43.645, "Um coração triste", 'Caderno_2', 18 de abril de 2013, p. D_8) - não costumo ler este articulista, pois a maioria de seus textos são eufuísticos, gongóricos, empolados, rebuscados, o que me cansa sobremaneira. Mas este, mêmore de sua babá, foi poético, natural, bem humano, como eu gosto. Senti saudade dos meus filhos, e tristeza por nunca poder estar por perto quando eles precisam de mim. Não consigo entender o gozo que as ex-mulheres podem sentir ao ver a tristeza do pai afastado do convívio da prole (até consigo sim, mas  sou movido aqui mais pela intelecção profissional, o que me impede de externar).

De qualquer modo, o dia vai se arrastar com certa e aborrecida dilação; tenho reunião do nascente Grupo de Pesquisa mais à tarde; depois, corrigir provas; arrumar-me para as 4 aulas noturnas; enfim, a 'vida funcionária', como dizia o grande Pedro Nava (como não gostar de "Baú de Ossos" ?).  Será que o leve resfriado - que já está sendo debelado - ajuda neste meu sorumbatismo?  Pelo menos, o friozinho, que já se insinua por entre as frestas da janela da sala,  vai me animando, enquanto beberico um vinho chileno, de tênue trescalo... Evoé!!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Deus vê o coração!

Foto obtida agora (via Google Images), de
http://www.godtalkstoyou.com/

Hoje aprendi algumas passagens biblicas que gostaria de compartilhar. Neste mundo pós-moderno, de tantas (algumas 'velhas'...) novidades, continua o dilema do homem de como se relacionaro com o Pai Celestial.  Uma chave preciosa para mim vejo em 1 Samuel 16: 7 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel):

... o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura,  (...) ; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

Esta palavra é assaz impactante, pois nos leva a um patamar de consideração totalmente diverso do que estamos acostumados em nosso dia-a-dia. Em nossa pequenez, tendemos, à vol  d'oiseau, a pensar nosso relacionamento com Deus à semelhança do que temos com qualquer outra criatura, e somente adicionando no nosso cogitar alguns outros contornos mais ou menos mágicos, celestializados, segundo nosso limitado entendimento. Mas o fato é que temos que treinar nosso parco entendimento para compreender o que Deus espera de nós neste particular. Como podemos entende-Lo se não O buscamos eficazmente? Nossa idéia dele já é obtusa no nascedouro, como podemos escuta-Lo? 

O preguiçoso tende em sua busca averiguar uma espécie de ersatz do Deus sugerido, mas tão distante aos seus olhos. Mas Ele se nos aparenta distante por causa de nossa miopia espiritual... Nossa relação com Ele não fica mais clara quando sabemos que Ele nos considera primeiro em nossa índole, nosso caráter, em nossa intenção, em nossa intimidade, em nossos afetos, ânimo e emoções? Eu entendo que temos primeiro que nos considerar, nos estudar, averiguar porque precisamos deste 'deus' que buscamos, para daí começarmos a entender como Ele se nos deixa conhecer... 

A boa notícia é que Ele ordenou a confecção de um meio e método para sabermos Quem Ele é: Sua Palavra eterna, materializada mediante o trabalho de amanuenses escolhidos desde sempre, a Bíblia. Mas aqui também temos que meditar o modo de nos achegarmos a ela, posto que, por força de nossas imperfeições, alterações e defeitos foram nela colocados, além dos diversos estilos literários com que foi escrita. Mas vale a pena... Poucas coisas aqui na Terra tem o poder de conceder refrigério ao nosso coração!

Minha prece diária se inicia como disse Samuel (1 Samuel 3: 9)  '... Fala, SENHOR, porque teu servo ouve!'  E rogo para que ele sempre me capacite para tal, pois minha vida depende disso!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Barbearia...

Foto obtida agora, via Google Images, de
http://jp.freepik.com/free-photo/barber-in-india_577622.htm

Ontem fui no Lar são Vicente de Paulo para mais uma sessão de barba e cabelo dos idosos de lá. Confesso que espero com certa ansiedade os dois dias que dedico lá nesta atividade - sinto certa falta, acho eu; é muito divertido: a gente conta estórias, e ouve muitas também.  Os administradores do querido tegúrio disseram que no dia que não compareço, por algum outro compromisso ou impossibilidade, a grita ocorre... eles reclamam minha falta, o que me faz sentir querido, de certa forma. 

O interessante é que alguns dos homens que eu julgava esclerosados começaram a falar, a se comunicar comigo, de modo inusitado. Todos eles eu já havia convidado para desfrutar das atividades de estimulação que minha Universidade realiza no Asilo (como atividade de extensão acadêmica - atividades comunitárias) e a adesão havia sido quase nula. E depois que 'fizemos amizade' com eles na cadeira de barbeiro, alguns começaram a participar das sessões semanais de estimulação psicossensoriomotora. Quem diria que esta 'estratégia' de barbear voluntário fosse motivá-los? Penso até em relatar em pormenores este acontecimento, via paper... Qualquer recurso vale para tirar um idoso de sua pasmaceira!

Quantas vidas 'desperdiçadas' vejo lá, 'depositadas' num cantinho, olhos esgazeados ou parados, como que esperando a morte chegar... quantas estórias já ouvi - nunca pensei que a cadeira de barbeiro pudesse ser um local de "escuta psicoterapeutica'... A proximidade de certa hora mais dedicada a cada um em sua vez, uma relação de certa forma pessoal, compartilhada (e com uma 'gillette' na mão - não usamos navalha lá, por motivos de segurança; antes usávamos máquina elétrica de barbear, mas estas máquinas são de uso doméstico e logo se desfazem...), onde o barbeado pode relaxar um pouco... É uma cena masculina, que todo homem, por mais que esteja senil, entende e adota, aceitando a prática. Está muito aclimatada em seu ser a idéia do barbear-se, e mais legal ainda se alguém o faz por nós mesmos... 

Mas, como já disse, o mais abençoado com tudo isso sou eu, pela graça dos Céus de poder fazer um - pequeno que seja - trabalho pelo próximo. Todo dia tem ensinamento e privilégio de Deus em meu favor com esta inexpressiva iniciativa que vislumbrei... Sou muito grato ao Pai Celestial por mais esta misericórdia para mim, que nada mereço.

Tem um idoso lá que fica me dizendo que sou barbeiro 'arranca-tôco'. Originalmente este termo significava pessoa valentona, briguenta, mas em minha terra (e parece que aqui também) passou a significar pessoa que faz algo de forma tosca, destituida de refinamento; 'amador', como se diz. Dou muita risada, pois realmente nunca fiz curso da arte da barbearia (mas se eu disser que estou pensando em fazer, você acredita??) O mais interessante, para mim que gosto das letras, é que 'barbeiro' é o termo por vezes assacado para pessoas imperitas, incompetentes na realização do seu trabalho (como um motorista navalha)... olha só as voltas que o linguajar dá... Eu fico extasiado!!

Não temos mutos recursos lá na barbearia do asilo, mas o serviço até que tem sido bom - todo mundo gosta. Se eu pudesse ter água quente para amolecer a barba... mas dou jeito fazendo uma espuma generosa e emoliente. Temos hoje em dia bons saponáceos (tem até tubos com espuma pronta!) para o espúmeo, o espumífero, coisa que se fazia antes com sabão, mas irritava e ressecava a pele. Depois, com o rosto todo 'untado', uso suavemente aquele aparelho de 3 lâminas com fita deslizante, para facilitar - comprei num supermercado; tem em qualquer lugar e é muito bom, pois faz muitas barbas. Tem uma boa torneira para limpar a todo instante o instrumento, e o segredo é esticar bem a pele (tem uns idosos, bem, alguns nem tão idosos assim... com tanta pele sobrando!!), começando pelos lados e pescoço, deixando bigode e queixo para o final, quando a espuma já amoleceu bem os pelos, aqueles multicores elementos filamentosos da pele, ricos em ceratina, que se distribui por quase toda a superfície do corpo, no nosso caso, em especial no rosto, e que se apresentam de muitas formas, distribuição, concentração e tipos (de pelo e pele...). Viu como até um humilde psicólogo pode virar 'especialista' em barba??

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O cavaleiro careca

Gravura obtida agora (via Google Images), de
http://englishaesop.blogspot.com.br/2011/03/boothby-bald-knight.html

Conta a fábula de Esopo (nro. CXXXVII, p. 144 do libreto costumeiro...) que um cavaleiro estava ficando velho e seu cabelo estava caindo. Quando a falacrose, a alopecia, a peladura se instalou, decidiu esconder sua imperfeição usando uma peruca. Certo dia, caçando com alguns amigos, foi surpreendido com uma rajada repentina de vento que arrancou seu adereço da cabeça, expondo a calvície. Seus companheiros não paravam de caçoar da cena, e o cavaleiro era quem, afinal, mais se divertia, rindo mais alto que todos. "Como pude esperar manter cabelo estranho em minha cabeça", ele observou, "quando nem os meus próprios querem mais aqui ficar??"...

Tarefa difícil nos desapegarmos de certos 'adereços'  de que nos revestimos, tudo no intuito de agradar aos outros... Que coisa triste esta necessidade que cedo já nos domina; desde pequenos parece fazer vir parte de nossa personalidade!  Não sei ao certo a origem, se das falas paternas e/ou dos amigos, das leituras e filmes que assistimos, ameaçando-nos de danação certa se nos indispomos com os outros, se não os agradamos de tal ou tal modo... - muitos acabam ficando neuróticos com isso, perdurando a vida toda tal inclinação. Chega às raias do absurdo em certos casos. Tem pessoas que nos perseguem somente porque acham que não as apreciamos como 'merecem'... vai entender!

Nas minhas leituras e reflexões matinais da Palavra vi uma instrução a este respeito. Nunca conseguiremos efetivar este intento de agradar ao próximo, pois eles e elas são tão diversos em seus anseios e, não bastasse isso, mudam a todo momento suas 'exigências'. Sofremos como cão vadio tentando satisfazer aos outros, na esperança que nos retribuam - e o problema sempre será a 'contabilidade' deste mercadejar 'afetivo' da amizade. Sempre achamos que os outros nos devolvem menos do quanto/aquilo que 'investimos' neles... A solução dos céus é a velha máxima - só Deus não nos decepciona, e devemos colocar nossas vidas em Suas mãos, para sermos realmente satisfeitos e gratos. A qualquer cálculo que fazemos, vemos que somos imensamente devedores da Providência, e a paciência, o perdão, a misericórdia que o Pai Celestial nos concede desde sempre são imensuráveis...