sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A águia e a flecha


Gravura obtida agora de http://www.litscape.com
(veja também o site associado http://litscapeart.com)

Fim de ano, calorão, alunos aborrecidos porque ficaram de exame; as mesmas coisas 'aborrecentes', que tédio!! Que fazer, mas deixemos de lado as lamúrias... Estas férias prometem; teremos mais tempo neste período sabático, visto que as aulas somente serão retomadas em 18 de fevereiro de 2013 - creio que por causa do carnaval, êba!  Vamos, Ruth e eu, visitar os Dutras de Belo Horizonte - até já comprei as passagens de avião.

Pretendo formatar muitas aulas em telas de power point (MS Office) e refazer outras, principalmente aquelas que ministro no curso de Engenharia (disciplina 'Gestão de Projetos'). Vejo que, a cada dia, temos que propor aulas-tarefa, como estudo de caso, com pouca teoria - é a tendência pedagógica atual, que fazer; tudo é muito 'objetivo', prático e utilitarista. Tenho sempre em mente a admoestação de Nelson Rodrigues quanto aos idiotas da objetividade, mas sou voto vencido, como se diz... 

Os alunos em geral (existem exceções) querem nota para 'passar de ano', desesperadamente, hoje em dia; aprender, não necessariamente, visto que os usos que farão do conhecimento não são, neste momento, palpáveis. Os relacionamentos (principalmente em sala de aula) exibem um grau de atrito desnecessário, a meu ver, pois os critérios pessoais que lastreiam comportamentos interpessoais estão muito indiscerníveis quanto ao real valor na construção de relações produtivas e isto a longo prazo, tanto no público quanto no privado...

O mundo moderno está cada vez mais difícil de decifrar, problematizado pela deseducação que campeia (aparentemente) impune. Como já comentei aqui outras vezes, não é mais feio ser grosseiro, incivil; que fazer. Mas no campo educacional isto atinge contornos trágicos, ainda que por vezes cômicos. As pessoas não sabem o mal que fazem a si mesmos com suas condutas descorteses mas, com os valores transmutados, o feio parece aceitável, normal. Creio que alguns grosseirões (tem muita mulher também) nem sabem o quanto são boçais - talvez não tiveram pais para modelarem condutas apropriadas neste sentido.

Relendo aquele livro de fábulas de Esopo (Aesop's Fables, compilado por Jack Zipes, London: Penguin Books, 1996 - Penguin Popular Classics, vol. 20) vi uma estória que ilustra esta situação. Um arqueiro mirou uma águia e alvejou-a certeiramente. Em sua agonia, a ave viu que a flecha tinha sido feita com penas dela mesma. A águia então lamentou e observou que os nossos ferimentos, infligidos pelas armas que nós mesmos provemos, são ainda mais lancinantes... As pessoas muitas vezes dão, elas mesmas, azo a que sejam prejudicadas/desprezadas pelos outros, próximos ou não... 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Deus numa suave, calma brisa (I Reis 19: 11 a 13)

gravura obtida agora de
http://philleng.blogspot.com.br/2010_07_01_archive.html

Recordo já ter comentado aqui sobre o Pai Celestial se manifestar de modo calmo, silente, suave - é o Deus como comumente me relaciono. Quando era criança sentia medo do Deus avassalador, punidor, gigante em todos os sentidos, arrasando a Terra com estrondo e furor. Creio eu que esta visão advinha de alguma pedagogia metida a besta, oriunda de certa tendencia 'catequética', vesga e neurótica. À medida que vamos crescendo e afastando esta perniciosa influência, buscando ao Deus de amor, ainda que justo e soberano, aprendemos a conhecê-LO adequadamente. O meu Deus hoje é, como já disse neste blog anteriormente, meu melhor amigo, mais que isso, um Pai amoroso, compreensivo, que em ensina sempre, de modo cortês, suave (muitas vezes me faz rir de mim mesmo...).

Esta questão de conhecer a Deus - alguns dizem a questão da Sua Existência - vai permanecer eternamente com os homens e sempre controversa. Todos emitem sua opinião, fundamentada ou não. Hoje li no jornal mais um artiguete - mas não desta vez um artiguelho, como aparece sempre - de comentarista (em geral estes palradores são bem pouco informados sobre religião, religiosidade, cristandade mas falam assim mesmo, pagando 'mico' adoidado!), no caso, de autoria de Marcelo Coelho, sobre ter ou não fé em Deus, sobre sentido de vida e outras crenças ('No fim do túnel', Folha de São Paulo, ano 92, n. 30.541, caderno Ilustrada, p. E-8). Serve para refletir, discutir, pois o autor não desrespeita o que os outros pensam, como a maioria; veja a este respeito, por exemplo: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1183974-os-ungidos.shtml   

A oposição à fé vai existir sempre; isto nos foi antecipado, previsto. Mas aprendemos que estamos no mundo, ainda que não devamos 'pertencer' a ele. Devemos tomar contato com as coisas do mundo, mas não necessariamente as endossar; não devemos viver apartados dos demais, como ermitões enfurnados em celas ou cavernas. Calvino ensinou isto muito bem - um cristão deve fazer parte da humanidade;  senão, como ser sal da terra?

Na verdade, resolvidas as questões de fundo, pode o crente averiguar melhor os fundamentos da sua fé. Na Fé Reformada, um dos pilares é o fato de que somos todos pecadores (sei que muitos acham o termo politicamente incorreto, mas isto revela tão somente mal entendimento do termo, ainda que ele como como conceito acarrete grave implicações. Mas no fundo é mais libertador do que destruidor seu correto entendimento) -  , ou seja, temos a tendencia perpétua nesta esfera de nos afastar do Pai Celestial. Hoje li em Provérbios 20: 9 (NVI): Quem poderá dizer: 'Purifiquei o coração; estou livre do meu pecado' ?  Nada que o homem faça o salvará, mas sabemos que Cristo já nos salvou. O processo de santificação (ser santo - ser 'apartado', separado para Deus) dura até a hora de nosso passamento, implicando vigilância contínua. Procedemos bem, a cada passo, neste processo, como ordenança, praticando boas obras, mas não para ser salvos, como se fosse tal numa espécie de 'comércio' , visando um resultado favorável, ao fim e ao cabo. Isto implicaria que Jesus necessitaria de nossa cooperação para realizar a tarefa Dele. E se temos a visão de ter de proceder bem para ganhar a salvação, vivemos mortificados, pois nunca saberemos se fizemos o suficiente - não temos garantia de sermos salvos. Quando se aprende que já somos salvos pelo sacrifício único e sumamente eficaz de Cristo, de uma vez por todas, podemos confiar, e sermos gratos eternamente por isso. Mas sei que isto gera controvéria, pois necessita detido estudo teológico para auferir sua apropriada compreensão. 

Sofri muito tempo (e sofro ainda, mas doutro modo) com o peso de meus maus atos, meus pecados, sem perspectiva de ser salvo por causa deles. Existem tantas pessoas com quem teria de me desculpar, reconciliar - mas ainda que fizesse tudo isso não apagaria a mágoa e tristeza que gerei, e esta tristeza não me dava paz. Hoje sei que, confessando-os, reconhecendo-os, fui perdoado (ainda que muitas pessoas com quem me desculpei não tenha me perdoado - isto as fazem ser maiores que Deus, que perdoa...) e isto não mais será contado, ainda que eu continue um pecador. Mas não tenho mais motivos para desespero, e sim posso ser feliz, ainda que vigilante, pois sou indesculpável; meus pecados não são mais imputados, mas sei que ainda me pertencem, pela minha natureza corrompida.

Eu agradeço ao meu Deus o privilégio deste ensinamento precioso, suave, libertador, que efetivamente nos dá a Paz, aquela que Cristo veio trazer, e que o mundo não compreende.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Segunda feira brava!

Santa Claus
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http://frstephensmuts.wordpress.com/tag/santa-claus/

Primeira semana de provas já se foi - tenho quase todas as avaliações corrigidas. Teremos até o fim do mês diversas outras atividades deste tipo, entre as regulares e as de exame. Coisa cansativa, pois temos que mensurar apropriadamente o aproveitamento do alunado e, no meu caso, procuro ser justo e não me restringir somente a um evento - uma prova escrita num dia fatídico - o que pode levar a injustiças. Sim, tem trabalhos em uma ou outra classe (o que não é mais parâmetro confiável, pois muitos dos alunos 'terceirizam' esta tarefa...), mas gosto mesmo é de avaliar também a participação global do aluno, sua presença, sua assiduidade. Obviamente quem manifesta (e sempre tem um ou outro/a) condutas grosseiras, descortezes, incivis, tem pior qualificação, pois neste mundo moderno (apesar da proliferação de condutas impolidas em qualquer estrato social), e em especial nas organizações empresariais, estes comportamentos determinam a empregabilidade dos colaboradores e suas chances de promoção. Causa espécie a aparente indiferença que certos jovens manifestam neste quesito, tratando o professor de modo rude, desnecessariamente. Para abusar de um clichê, sinal dos tempos... Por incrível que seja, não parece ser feio, aos olhos de alguns jovens, ser mal-educado, malcriado. Que fazer; se os admoestamos, ainda reclamam que 'os humilhamos'. 'Vai entender' esta 'lógica'...

Nóssa! O fim do ano se aproxima; nem parece que 2012 começou faz pouco tempo... Esta semana será 'curta', por causa de feriado - semana que vem tem outro, só que municipal (dia da consciência negra). E dentre algumas semanas, o Natal.

Esta data tem o condão de mobilizar, positiva ou negativamente, qualquer ocidental, principalmente os tapuias e tupiniquins. No meu caso são lembranças boas, com comemorações em familia, comilança e presentes. Meus pais deram o melhor para seus rebentos, e minha mãe sempre cuidou para que não fossem disvirtuadas as celebrações do genuíno espírito cristão. Ainda que a sociedade consumista tenda sempre a vincular a comemoração do nascimento de Cristo ao lado comercial, no fundo o que se visa é resgatar sentimentos ligados ao porquê da vinda do Salvador a esta terra.

Nestes tempos cavilosos, vejo mais e mais a necessidade de uma esclarecida religião, de modo a habilitar o vivente a pairar sobranceiro em meio às perversidades que o trato comum determina ali e lá, cotidianamente. E nada mais apropriado do que a época do Natal para remir sentimentos preciosos, por vezes sepultados pela dureza dos corações... Volto ao assunto.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

60 anos de casados...

Geraldo e Firmina


Estivemos neste sábado passado em Campinas (SP) para a comemoração dos 60 anos de casório dos meus pais, reunindo somente os seus filhos (todos os 5) e netos que puderam vir (e alguns bisnetos). Houve missa à tarde e à noite fomos para a vivenda do mano Luís Sérgio para um jantar e ouvir alguns discursos.

Além da parentada prestigiando estava a prima Claudinha, que foi a daminha de honra do casamento (lá em Penápolis - noroeste do estado de São Paulo); na época ela tinha 6 aninhos e estava um charme - temos a fotinho... como o tempo passa!

O jantar, preparado por um buffet, foi muito bom, com pratos bem elaborados, doces e salgados - o que faz certo dano em nossa silhueta. Mas o gostoso é privar da companhia de todos os entes queridos. 

 Ruth e eu (sim, ela mandou tirar a barba...)

No domingo comemoramos lá mesmo o aniversario do mano Luís com opíparo churrasco (neste dia também faz anos meu primogênito) e a presença de alguns amigos e parentes por parte de sua esposa Marly. A coisa boa que ocorreu foi que meu cunhado Thomas comprou uma motocicleta BMW e pudemos dar uma volta nela - um show, meu sonho de consumo! Para o leitor ter uma ideia da excelência do equipamento, em até aquecedor nas manoplas...


Ao final da tarde, voltamos por Rio Claro, para deixar a Livia em casa. Deu tempo para irmos na Igreja à noite, coroando o radioso fim de semana. 

Este tipo de comemoração (Bodas de Diamante) fica, a cada vez, mais raro. No futuro será, creio, uma efeméride digna de notícia em hebdomadários e afins. O casamento hoje em dia tem valor um tanto diverso do que possuía antigamente, com certeza. As concepções modernas do relacionamento homem-mulher favorecem ao rompimento do vínculo conjugal, com o sofrimento decorrente de todos, principalmente os filhos. As pessoas mudam, mas não conseguem fazer da mudança um fator de acomodação, de crescimento conjunto. As pessoas tem hoje em dia 'agendas' diferentes com relação ao constituir-se família. Com a família desestruturada, sofre a sociedade como um todo. O fato é que Deus parece ter menos lugar nos corações das pessoas...