terça-feira, 22 de maio de 2012

Espiritualidade

foto obtida agora de 
http://igrejapresbiterianadepicui.blogspot.
com.br/2010_06_01_archive.html

Uma das experiências mais impactantes que um ser humano pode vivenciar é a espiritualidade,  mesmo experimentar o estado numinoso da alma, conectada à Deidade. Nossa tradição ocidental determina a ascese cristã, afastada por muitos e abraçada pela quase totalidade dos que afirmam acreditar em Deus. Mas dentro desta rubrica 'cristão' muitas correntes se constituem. Observo que muitas tradições trazem uma interpretação incorreta, imprecisa, dúbia (pelo simples exame lógico de sua fundamentação e de sua práxis) do que Cristo quis ensinar como o Caminho.

Quem percorre esta modesta coluna, um simples blog (uma destas modernidades que mais nos traz aprazimento...) sabe que me considero calvinista, pois estudo e sigo as intelecções do controverso teólogo João Calvino sobre a nossa única regra de Fé e Prática, a Bíblia. Hoje digo que tenho paz em meu espírito, pois minha mente não mais contende em matéria de Fé, como antigamente. Tal embaraço pregresso me fez sofrer indizível padecimento, pois o estado de interna cizânia é por demais obnóxio para quem o vivencia - não se sai dele sem perseverante esforço, o que pode levar tempo. No meu caso durou décadas de procura, de perquisição, de pasmo e por vezes derriça (nos 2 sentidos...! )

O homem sempre terá necessidade vital de encontrar sentido em seu ser, o que continua sendo, para muitos (e para mim), suprido pela Religião. Ainda que atualmente caminhos alternativos possam ter sido propostos para endereçar esta questão do sentido do ser, não encontrei nada que suplantasse a espiritualidade (cristã), mesmo com meu treinamento científico (aliás, já comentei aqui, que não são mutuamente exclusivas a Religião e a Ciência, como o querem alguns). 

Minha vivência cristã, como de todo aquele que se esmera em descobrir a verdade a partir do mistério da cruz, não pode ser facilmente traduzida em palavras. Na verdade, a trajetória de relacionamento de qualquer crente com nosso Deus é muito particular, e parcas similaridades podemos identificar. Uns necessitam mais de referentes palpáveis para aquilatar suas experiências, outros menos. Minha história teve muitas 'idas e vindas', mas sempre vi como o Pai Celestial nunca se me apartava, sempre estava com seu olhar à minha espera. Custou-me organizar as idéias - ainda bem que encontrei um rumo fidedigno para discernir...

Minha atitude é de gratidão imensa ao meu Deus, pelo relacionamento de Pai, amigo (muitas vezes alegre!), pelo ensino terminante, esclarecedor, paciente, confortador de suas verdades eternas. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Subjetividade e solipsismo


gravura obtida agora de
http://ricardoaoki.blogspot.com.br/2011/09/dilemas-eticos-do-cientista-na.html

Vi há pouco um rápido depoimento de alguém, jovem, com dificuldades de lidar com suas prementes dificuldades. Evoco meus tempos de adolescente, onde me encontrava em situação similar. Considero que meu amplo 'entorno' à época - principalmente o contexto familiar - facultou assumir certas opções possíveis que permitiram suplantar os obstáculos que vislumbrava (muitos deles, vi depois, quimeras que eu pensava ser real...). Meu pensamento flainava por demais, insuflado pelas muitas leituras que 'perpetrava'. Era um turbilhão quase sem rumo. 

Que falta faz ter um caminho, um conselho, uma diretriz quando o raciocínio está turbado, comprometido. Quando se comenta da necessidade do jovem ter orientação, nunca se exagera - o pensamento desconexo, sem base, produz estragos por vezes irreparáveis, e um mero arrepender-se, no mais das vezes, não torna os acontecimentos...

Somos muito sós, e muitos não se acostumam consigo mesmos, parece que precisam de um alguém para pontuar, referenciar ou até modelar-se ('referenciar-se')... O fato é que precisamos nos encontrar, enfrentar nosso solipsismo e doma-lo, ordena-lo, sujeita-lo. Muito pensar desorganiza, desorienta, infelizmente. 

Tive sorte em não me desencaminhar? Meu raciocínio em seu processo de domação resultou em produtivo instrumento? Os céus me protegeram? Não tenho resposta certa para tais tipos de perguntas; provavelmente nunca saberei ao certo, mas lembro-me, em meus 'combates', que a palavra 'método' me auxiliou muito. Se uma opção é 'boa', então resolve um problema - é o meu critério. Se meu modo de pensar ou enfrentar a dificuldade não estava solucionando, não hesitava em abandona-lo... E eu também pensava que meus antepassados já tinham por certo descoberto muitas maneiras boas de enfrentar problemas iguais aos meus, portanto não deveria ficar perdendo tempo sozinho, e ir 'beber' na fonte - li muito os clássicos e os bons autores (os ruins ou que discutiam temas e assuntos corrompidos não me atraiam), e considero que minha mente foi bem instruída sobre como bem considerar o mundo e seus desafios.

Nascemos sós e morreremos sós, mesmo com pessoas por perto; assim, nós é que temos que ser nossos melhores amigos. Como costumo repetir aos meus alunos o ensino de Benjamin Frankin: só temos 2 certezas no mundo - a morte e os impostos. Tudo pode ser 'bom' ou 'mau', dependendo do viés com que se olha. Portanto, não precisamos catastrofizar nosso pensamento a cada obstáculo, a cada dificuldade. Se temos inteligência, é para nos pavimentar o caminho. Mãos à obra...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Chimarrão...


gravura obtida agora de
http://blogdaiso.blogspot.com.br/2012/01/regras-do-chimarrao.html

Mas..., báh! tchê, que frio gostoso que está fazendo; fui correndo comprar uma cuia nova, um porongo bem adornado, como se deve (a anterior que eu tinha deu de acoitar cupim, póde??) ... Foi difícil encontrar aqui nesta terra, mas a encontrei numa charutaria, veja só, boa loja, sortida de diversos tipos. Peguei o costume de matear quando trabalhei com os Stefanello, gauchada boa de Cruz Alta (RS), lá em Mato Grosso do Sul, mais especificamente em Sidrolândia, cidade pequena nos anos 80 (não sei como estaria agora).

O mate já tinha comprado no domingo passado numa churrascaria perto de Campinas, uma erva descansada, verdinha que só ela - vou guardar na geladeira para conservar. Já tomei  muito chimarrão gostoso demais, parece que colocaram  açúcar... Mas sabemos que não se deve inventar com a secular tradição (veja alguns conselhos no blog cujo endereço emprestei a gravura acima), sob pena de criar inimizades... 'Nada a ver'...

Eu gosto de matear também porque tira um tanto a fome 'canina' que teima em me dominar; a idade vai fazendo a gente ficar mais sem-vergonha e, com isso, tendemos a cultivar uma barriguita (panturra, diz Ruth) incômoda. E ajuda na digestão, se bem que nunca tive problemas neste particular, posto que consumo verduras, frutas e legumes em profusão e me exercito regularmente.

A casa está 90% arrumada, depois da mudança do outro domicílio. Falta trazer umas estantes suspensas que ainda estão no antigo apartamento - o pessoal da marcenaria prometeu instalar até o fim da semana. Tenho umas 30 caixas no porão para serem desembaladas, cheias de livros - só a minha Britannica enche um módulo inteiro da estante cor de café. Cheguei a ter uns 3 mil livros (compro desde 1973, quando iniciei a faculdade de Psicologia) mas já doei metade para as Bibliotecas dos dois Centros Universitários aqui da cidade. É um dos poucos prazeres que me permito - gosto de livros; é a maior invenção da Humanidade. Agora vou procurar armazenar livros (em formato) digitais no tablet (ou microcomputador), pois em papel se nos exige espaço e certa logística... Ler é a maneira mais barata de arejar as idéias, colocando as 'ferrugens' pra correr... É altamente apaixonante! Quando ouço alguém dizer que não gosta de ler surpreendo-me; é muito estranho, realmente...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mudamos de domicílio!

foto obtida agora de 
http://mtmcz.blog.uol.com.br/

Cáspite! Mudamos de residência: antes um belo apartamento, com vista privilegiada; agora uma casa (antiga, mas mui bem reformada) com um imenso porão, arejada, otimamente posicionada quanto ao nascente e o ocaso. Hoje está muito complicado residir em condomínios - para mim foi o suficiente estes 7 anos que estou aqui nesta cidade. Não vou declinar as razões que me fizeram debandar daquela comunidade - são vários; alguns suportáveis, outros imponderáveis, um e outro insultuoso... Não tenho mais idade para pretender amansar certo magote de casmurros parvenus...

Na verdade, veja como o Pai Celestial conduz os eventos - grosso modo, se não fossem os achaques recebidos de uns indoutos à minha atuação como síndico, juntamente com alguns vislumbres temerosos quanto ao futuro da pregressa compropriedade, não teríamos nos motivado a empreender a cansativa mudança. Quantos endereçamentos  a alterar; quanta arrumação/desarrumação; a ampla modificação parece organizar certo 'putsch'  com o nosso andar, nosso viver previsível - não se acha mais nada, 'tudo' some ou está tão bem guardado que esquecemos; tem-se que desinstalar-instalar mil adereços e contar com a boa-vontade de diversos prestadores de serviços, etc... Um horror e, no meu caso, originado por horrores (as palavras tem cada uso!)...

O pior (oh, que tempos os nossos!) é ficar desplugado de internet, de telefone, de TV - algo horrendo (olha a palavra de novo...) eu sei, mas que fazer; um dia, no futuro, nossa posteridade com certeza vai rir de nossa angústia e ansiedade motivada por estas bugigangas eletrônicas, estas arapucas-antes-analógicas-hoje-digitais que moldam nosso viver e fazer. Ainda bem que temos telefone celular!

Espero estar com a casa arrumada daqui a algumas semanas, quem sabe... e isto, trabalhando ali e lá, preparando aulas, etc. Trocando pneu com o carro em movimento; arrumando o casco do navio navegando em alto mar. Complicado.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Basta uma só palavra...

imagem obtida agora de:
http://www.ecclesia.com.br/sinaxe/mateus-4.html

Hoje cedo me emocionei novamente (já falei desta perícope em 23 de dezembro de 2011...) quando da leitura e meditação da passagem que vemos em Lucas 7: 1 a 10. Vejo que isto revela o meu maior problema espiritual (e o cerne das minhas orações): minha formação acadêmico/científica determina que minha alma sempre se apoquente com detalhes mundanos sobre os relatos bíblicos, criticando-a, questionando-a. Normalmente não consigo evitar a emergência destes intimoratos movimentos. No final, quanto mais estudo e medito (em especial pelo ensino de Calvino nas sua magistral Institutas), sempre se reafirma em meu espírito a veracidade existencial/sobrenatural da Revelação para mim.

Como a Palavra tem o poder de nos mover o espírito, consoante nosso desejo de a assimilar, de a 'beber' como o vero alimento que nos dá sentido e alento... Procuro ponderar o celestial ensinamento, a partir da preparação da solitária oração, como aprendi. Escolho diariamente as primeiras horas da manhã para cumprir este mandato, onde o silêncio impera e quando nos encontramos, com sublimidade, imensamente gratos pela saúde, pela noite de sono reparador, e pelo desjejum; enfim,  vivenciando as inúmeras bênçãos que somos detentores, sem o merecermos.

Sou profundamente grato ao Pai Eterno por ter me resgatado do lodaçal  (Salmo 69: 2 e 14) onde pensava ser feliz, e me ensinar sempre o caminho que devo perseverar (Salmo 86:11).

Oro para que Sua vontade soberana seja a régua e o crivo onde minha vida deva prosseguir pois, como sei, sou dEle (Salmo 33:12).