domingo, 30 de setembro de 2012

Palestra SAF - Sociedade Auxiliadora Feminina

Gravura realizada no Asilo SV de Paulo
São João da Boa Vista (SP)

27 de setembro de 2012: Neste dia, à noite, proferi uma palestra para a Sociedade das Senhoras da Igreja Presbiteriana onde congrego. Realizou-se no apartamento da Ana Cláudia Sensini, que ficou quase apertado, com tantas participantes. Foi muito legal, como sempre. É uma bênção ser convidado a falar para mulheres tão dedicadas, animadas. É uma ocasião de aprendizado mútuo, mas muito alegre e acolhedor. Iniciei a fala com a leitura solene de Provérbios, 8: 14 - Meu é o conselho, e a verdadeira sabedoria, Eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza. 'Descobri' este versículo dias atrás, e vi por bem compartilhar esta riqueza com aquelas pessoas tão especiais, visto que podemos sofrer, uns mais, outros menos, reações psicossomáticas adversas a algo que desconhecemos, tememos. 

Falei sobre a onipresente ansiedade que todos (principalmente as mulheres) experimentamos nestes dias. Utilizei uma imagem que traduz a inter-relação de 3 áreas importantes de nossa vida equilibrada: a do banquinho de 3 pernas, com o Trabalho, a Família e o Auto-Cuidado como elementos essenciais ('auto-cuidado' é aquilo que somente eu posso fazer por mim mesmo, como alimentar-me bem, praticar atividade física, estudar e ter lazer, entre outras). Quando falta ou é mal cultivado qualquer destas 3 'pernas' do banquinho da vida, ele cai... Temos que distribuir nosso empenho e atenção para estas 3 instâncias, igualmente.

A vida moderna, com a avassaladora velocidade e extensas mudanças, determina que tenhamos mais e mais ansiedade, propiciando a aparecimento e manutenção de muitos outros problemas associados. Falei daquela figura de um passarinho alimentando tranquilamente seus filhotes em meio a uma turbulenta cachoeira que fazia o maior barulho. Isto, para dizer que ter paz é manter-se em paz mesmo em meio à bagunça e bulício que somos acometidos, somos lançados...

Refletimos  sobre algumas passagens bíblicas que orientam a respeito deste problema, como por exemplo, Filipenses 4: 6 e 7: Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.  Aqui vemos como primeira 'chave', a necessidade de oração, ainda que Deus saiba, antes de proferirmos ou peticionarmos, o que necessitamos. E nossos sentimentos, via Cristo, que é nossos modelo e meio de conhecer a Deus!

De Provérbios 8: 14 acima, aprendemos que nossa Fé é racional, informada, meditada, refletida em profusão. Assim, a segunda 'chave' é precisamente cultivar, também pela inteligência, nossa compreensão da vontade do Pai Celestial. Temos que estudar a Palavra, e isso diariamente. Neste ponto relembrei o enorme tesouro que temos na obra de Calvino, as Institutas da Religião Cristã, como um perfeito manual para aprendermos sobre a Bíblia. 

As promessas que temos sobre conhecer a vontade do Pai Celestial para afastarmos a ansiedade são inúmeras, mas na oportunidade apontei duas que me são caras: Salmos 37: 3 a 5 - Confia no SENHOR e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará. Quão difícil é entregar nossos caminhos a Deus... Confiar e nos deleitar implica a Fé, mas também conhecê-Lo, pois Ele se nos revela, mas nossa mente é por demais tacanha, teimosa, tendenciosa... Temos que ler os melhores livros, aprender com os doutos mestres que Deus nos provê, como Calvino.

E, finalmente, refletimos sobre Provérbios 3, de 5 a 10 - Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal. Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos. Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares. 

Aqui temos a terceira 'chave': confiando (e não priorizando nosso próprio entendimento...), mas usando a inteligência para re-conhecer a Deus e Sua vontade, tenhamos a certeza que Ele vai endireitar nossos caminhos (que não tem que assim ser 'ansiosos'...) e por extensão, com nossos talentos, nossos bens e ganhos, façamos a nossa parte para realizar a obra do Pai aqui na terra. Não que Ele precise de nós, mas comissionados por Cristo para isso, e também como medida de nossa gratidão por tantas graças que recebemos, continuamente, e isto tudo para honra e glória somente do Deus Eterno.

sábado, 22 de setembro de 2012

Absurdos

Profeta Jeremias
(Google Images)


Em Jeremias, capítulo 17, lemos "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" Quando era jovem acreditava na bondade natural do Homem. Agora, com o passar dos anos e dos estudos em Teologia, vejo como o mal se nos é intrínseco. Ou seja, é o que vemos diariamente nos outros e, principalmente, em nós mesmos. 

Quinte feira eu ministrei palestra para idosos e pessoas portadoras de deficiências, lá no UNIFAE. Agradável experiência em poder compartilhar com aquelas pessoas da AVAPED e do Centro do Idoso, ambas instituições daqui de São João. Falei sobre o preconceito, que parece hoje onipresente entre as pessoas. Discuti com eles o fato de que nós muitas vezes damos azo a que nos tratem com preconceito... Acho que o pessoal captou a mensagem. 

Nesta semana um gajo veio aqui limpar a caixa d'água de casa. O outro morador, que aqui residia anteriormente, por anos não procedeu a esta simples providência sanitária; vejam só como pode tal disparate... E, continuando, antes que o finório escalasse o telhado, perquiri por duas vezes quanto iria custar o serviço. Quando vi que o indigitado se esquivava com sutis meandros verbais, logo divisei que algo não cheirava bem. Mas não podia mais adiar a providência, então me fiz de rogado...

Sabes quanto, ao fim e ao cabo, me custou o pouco mais de hora de trabalho? Três vezes o que eu ganho de hora-aula como professor universitário titular concursado, 85 dólares... Algo não está certo neste mundo de negócios... Como pode ser este desatino, esta alogia, este despautério? Brigar, desancar, vociferar... tudo me passou pela cabeça conduzir, mas aquele ser inconveniente me foi recomendado por um amigo - não ficaria bem depois aquela abjeta criatura relatar-lhe o fato, fazendo-se por certo passar como vítima.

Obviamente o episódio me rendeu profícua reflexão sobre o mundo em que vivemos hoje. Creio que aquele prestador de serviço não está preocupado em criar clientela fiel e, confesso, sua tática de negócio parece que somente viceja por causa de 'singelos' como eu...

Aprendi em Provérbios 8, 14: "Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a fortaleza". Que sentença densa; pode-se extrair muito ensinamento aqui. Em nossa pequenez, devemos nos estribar no Amparo que vem do alto pois, com o que temos aqui entre as orelhas, o resultado é, vivendo entre as gentes, somente desamparo, estupefação. 

Que privilégio poder contar com a Providência neste tempo turbulento, arredado, enleado...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Eclesiastes, 2: 26a

Rei Salomão
Ícone no monastério de Kizhi, na Russia
http://pt.wikipedia.org


Hoje cedo na hora matinal de estudos, um versículo de Eclesiastes me sensibilizou - diz "Ao homem que é bom diante dEle, Deus dá sabedoria, conhecimento e alegria, ..."  Na versão da notável Bíblia do Peregrino, do Padre Luís Alonso Schökel, lemos "Ao homem que Lhe agrada Ele dá sabedoria, ciência e alegria; ...". Que consoladora promessa. O que mais me espanta é que li isso diversas vezes quando jovem, mas só agora atentei, quer dizer, signifiquei em meu espírito a verdade deste versículo. 

O contraponto conhecimento (ciência) versus sabedoria, complementado com a alegria é o que interpela minha consideração. Sabedoria é saber bem aplicar aquilo que se conhece, o que se sabe, isolado ou no conjunto de outros conhecimentos (ciência). Mas saber bastante e ser sábio, sem ter a alegria, parece contradição. Quantos vemos que se julgam inteligentes, mas não tem alegria (ou pouco aparece, mas logo se vai daquelas almas). Em minha vida prestei mais atenção à alegria, apesar da importância do conhecer e de ser sábio; cedo acautelei-me de ser sábio aos meus olhos - armadilha por demais ilusória, hábil sedutora que é.  Li nas Seleções um provérbio que dizia "ria e tudo mundo vai rir com você; chore e você vai chorar sozinho..."; desde então vi que tola estratégia é ter pena de nós mesmos, ou nos fazer frágeis aos olhos dos outros, ou dar certo tom triste, macambúzio, em nossas relações. As pessoas, notadamente os brasileiros, se afastam de criaturas assim.

Mas, procurando o conhecimento e a sabedoria, como ser feliz neste mundo enganador, competitivo, de árdua labuta, de doenças e desgraças cotidianas? Nossa índole faz-nos esperar do Destino recompensas constantes se somos 'bons', trabalhadores, estudiosos, honestos, etc...  Nessa hora o homem comum olha ao alto e, se atenta para outra dimensão de verdades, que não se alcança necessariamente pelo muito esfalfar com os livros, pode começar a municiar-se de recursos para compatibilizar estas 'contradições', a aparente contraposição sabedoria-alegria. Digo aparente, porque é nossa mente em sua quichaça que assim dispõe, posto que, no fundo, inexiste necessariamente contradita entre conhecimento e felicidade, alegria - mas são coisas que diferem tanto no grau quanto na essência. 

Aquilo que confere sentido às nossas concepções e nossa práxis precisamente é o que nos faz, nos determina alegres, com, sem, ou apesar de nosso conhecimento e sabedoria do mundo. Quando se reconhece o homem ou a mulher possuidor de uma natureza, uma disposição suscetível às coisas espirituais, pode abrir-se a outra categoria de verdades, que não são, em princípio, discerníveis com os rudimentos do conhecimento empírico ou mesmo da cogitação e do razoar sobre esta humana vida (posto que parece em geral absurda e injusta).

Esta, a abertura ao transcendente, continua a ser a solução aos dilemas e ao Absurdo da existência, desde que o homem se conhece por Homem. E neste percurso a pessoa chega, ao fim e ao cabo, a Deus, que Se revela a quem O busca com sinceridade, humildando-se. Somente Ele pode nos dar aquela alegria que não se dissipa, que não se esvai, que nos faz, a todos e todas, quiescentes e serenos. Mas como saber de Deus, tão Santo e 'distante' ? Olhe para Jesus, que deixou muitas instruções e pistas de como Deus é... Se O buscarmos em primeiro lugar, com destemor, aquilo que paradoxalmente cremos que nos fará felizes, o conhecimento e a sabedoria, precisamente  nos serão então acrescentados, mas não o conhecimento enganador, que só divisa absurdos, mas a Sabedoria que não se esgota, e que nos faz efetivamente felizes.

http://www.everypicture.com/prints/barry-moser/2936/king-solomon.html

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

200a. postagem... Reflexão Esparsa


ainda no cafofo de Rio Claro...

Hoje escrevo a 200a. postagem... Parece que faz pouco que comecei, por curiosidade, a rascunhar coisas aqui. Coloquei pensamentos, reflexões, orações, relatos de viagem, comentários, desabafos, perorações, instruções, artigos, minha tese (em partes, porque é extensa) e outras 'coisitas'.  É o meu passatempo predileto; aproveito para dar recados, a quem interessar possa.

A gente envelhece e fica mais preguiçoso; eu, que consegui (por vezes não por meu mérito total) tudo o que almejava na vida, sinto que me faltam objetivos mais definidos, como foram o Mestrado e Doutorado, quando era mais jovem. Sim, penso em escrever livros, mas falta identificar para que público, apesar de diversos projetos. O último que perpetrei foi um livro de memórias de um provecto amigo, que deve ser lançado até outubro, novembro, o mais tardar. Na verdade, isto foi mais divertimento e certo zelo por um casal de idosos carecente de atenção, que conheci há alguns anos.  Mas preciso 'urgente' de um novo projeto intelectual. Quem sabe agora que temos novo Reitor em nosso Centro Universitário, eu possa me engajar em algo profícuo neste sentido. Mas não sei não. Agora vem alguns feriados; vou meditar mais sobre isso. 

Vou planejar um curso rápido de produção de texto e treinamento de habilidades de apresentação de monografias, para alguns alunos que estão a requisitar... Mas é algo que faço 'numa sentada'; preciso de algo 'de fôlego', como se diz. O problema é que muita coisa me chama a atenção. Ruth fica aturdida com a quantidade de livros e folhetos e revistas que leio 'ao mesmo tempo'.  É que tudo me deslumbra. Sempre me maravilhei por esta diversificante realidade que estamos lançados, e isto desde novo, assim que me dei conta. Preferia ler a jogar bola ou ir a festas. Eu amava a Enciclopaedia Britannica que meu pai tinha em casa (já comentei isto em post anteriores). O problema é que assim se lê muita coisa 'antes da hora', e nos conscientizamos  precocemente de coisas que mais nos deixam ansiosos que tranquilos. Mas valeu tudo a pena, certamente.

Pelo menos sei o que sucede comigo. O enfado intelectual se contrapõe a um enorme enlevo espiritual, que me preenche. Quedo-me a cantarolar hinos; tenho já há muito o estado de alma numinoso. O que mais me deleita é a leitura dos clássicos protestantes, e os da Reforma, em especial. Quanta clareza de idéias, quanto conforto e contentamento. Creio, vejo agora, que é sobre esta temática, sobre este tipo de assunto, que vou  iniciar meus escritos 'de fôlego'. Sim, preciso de algo que me entretenha, que me exercite o intelecto, mas que me signifique também.  Poderia escrever algo de cunho acadêmico, mas presentemente não tenho incentivo algum; escrever por escrever não me atrai. Já publiquei artigos acadêmicos em revistas acreditadas - sou professor de Metodologia, Produção de Texto Científico - este desafio não me assusta, ainda mais depois que escrevemos uma Tese de Doutorado.

Sim, prometo a mim mesmo projetos de livros sobre espiritualidade, mesmo até Psicologia da Religião, que seja, mas sobre as coisas do espírito. Já tenho novo objetivo de vida. Bons projetos para o tempo que me resta!