segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pós-páscoa...

Página de rosto da 1a. edição em Latim, 1536

Iniciei outro dia a releitura da famosa obra INSTITUTAS (A Instituição da Religião Cristã), de João Calvino (1509-1564). Esta figura acima digitalizei da versão de 2006 - edição especial com notas para estudo e pesquisa, de 4 volumes - da Editora Cultura Cristã (SP), tradução do original francês de 1541, realizada pelo Pr. Odayr Olivetti, que por sinal mora 'aqui do lado', em vizinho município de Águas da Prata (conheço-o pessoalmente; é uma simpatia este senhor, bem como sua esposa). Existe uma outra tradução, pela esta mesma editora ('Edição Clássica', baseada na edição de 1559), realizada pelo Prof. Waldyr Carvalho Luz. Existe outra tradução também em nosso meio, realizada pela UNESP, com 904 páginas, de 2009. É a melhor leitura, depois da Bíblia.

Nesta páscoa fomos a Campinas, passando por Rio Claro, e aproveitei para 'fuçar' livros na Livraria Saraiva - achei outra obra clássica de Calvino, "A verdadeira vida cristã" (4a. ed., São Paulo: Fonte Editorial, 2008, 86 páginas) - não temos a data original.

Encomendei também, por indicação do Professor Paul Freston na revista Ultimato de março-abril 2011 (p. 50-51) a obra do renomado filósofo espanhol Julián Marías de nome 'A Perspectiva Cristã' (SP: Martins Fontes, 2000), edição espanhola de 1999. O professor tece ótimos comentários sobre a obra em tela, e creio que será importante aquisição para minha biblioteca...

O chato é que não consegui conhecer minha neta, Nicolle - seus pais foram a Petrópolis. Esperava poder ir a Sorocaba no sábado... Mas Mariana escolhe ir no Estado do Rio sempre que pode, em vez de ver seu velho pai aqui, que fica BEM mais perto... paciência!  Colhemos (e colheremos) o que plantamos...


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Luciano, mano mais velho

Prof. Luciano V. Dutra

Êita! O primogênito... Gente boa à beça, faz tudo por seus lindos filhos, que lhe dedicam um amor bonito de se ver. Virou vovô recentemente, e anda abilolado (ele gosta do termo...) por causa do rebento. Postei esta foto porque acho que ele tem um intelecto estrelado. É pesquisador no INPE, de São José dos Campos, no mesmo CTA (Centro Tecnológico Aeroespacial) onde ele fez o ITA, uma das melhores escolas de engenharia do país. Imagine você que ele fez o Tiro de Guerra  de nossa cidade (TG-040) no primeiro semestre quando cursava o (antigo) 3o. Colegial, fez cursinho no semestre seguinte e, no vestibular, entrou no ITA e na Poli (USP). Um rapaz deveras esforçado, que dominava a matemática como poucos. (eu não era nem um pouco estudioso como ele, somente naquilo que gostava - me dei bem em português, história e geografia, além de ciências e esportes em geral)

A gente costumava brincar de guerra quando moleque (um filme marcante na TV era o americano 'Combat', em branco e preto) e saíamos em duas patrulhas, ele e Luíz Sergio numa turma - dos meninos 'bonzinhos', e eu e outros moleques da vizinhança saíamos noutra 'patrulha' - a dos bad boys. Quando a gente se encontrava 'dávamos tiro' com nossas metralhadoras de plástico e, invariavelmente sempre tinha alguém que teimava em não 'morrer' - ganhava a batalha quem conseguia matar todos os soldados da patrulha inimiga. Só podia dar confusão.... Uma vez recordo que Luciano escondeu-se, depois de surpreendido pela nossa estratégia de busca, atrás de um arbusto bem chinfrim. Dei-lhe uma metralhada impiedosa e ele se recusou a morrer. Precisei aplicar-lhe um corretivo, bem, um pescoção (eu era malvado e apreciava disciplinar os moleques rebeldes que não se sujeitavam às regras das nossas brincadeiras...) para deixar claro que um arbúsculo em hipótese alguma poderia parar as temíveis balas que minha poderosa arma cuspia. Ele resolveu chorar e tivemos que suspender a brincadeira; chegando em casa ele relatou à minha mãe o ocorrido, mas não lembro se apanhei da momys ou não (isto era de somenos, no caso...).

Mas a gente se dava super bem; no fundo, eu admirava o cara. Eu via que ele tirava melhores notas do que eu porque se esforçava - era interessante quando eu lhe pedia ajuda com os algarismos - ele sempre tinha inúmeras estratégias na ponta da língua para resolver os problemas, que eu relembrava quando ele me expunha as soluções, mas que eu nunca sabia quando necessitava... Ele ganhou medalhas em feiras de ciências com montagens de aparelhos eletrônicos e outros dispositivos; uma vez ele foi a um destes países andinos como prêmio, para participar de uma exposição/feira de Ciências. 

O fato é que ele tem um grande coração, continua sempre generoso e muito brincalhão. A gente se diverte muito com o fato de um PhD como ele, que percorre o mundo participando de bancas de defesa de tese e participando de equipes de pesquisa - ele é especialista em processamento de imagens (satélites e outros bichos) - consegue dizer determinadas parvoíces e ter certas manias bem estrambóticas... Mas sempre é uma alegria quando nos reunimos no apartamento dos velhos em Campinas, pois os cinco irmãos fazem a maior bagunça, bem ao gosto dos meus pais. Outro dia falo dos demais irmãos....

domingo, 10 de abril de 2011

Massacre do Realengo (RJ), tempo que passa, e casamento....

Rio de Janeiro, RJ, Brasil

1. Domingão... saudades de escrever aqui! Nesta semana, inegavelmente, o assunto majoritário foi o massacre do Realengo (RJ). Perguntam-me a razão disto, como se eu fosse oraculu – só se for na forma figurativa! Existiriam “mil” razões, explicações, portanto, não esclareceriam muita coisa. Só o Pai Celestial poderia dizer com certeza; nós, somente especulações. É que o absurdo do ato obsta qualquer razoamento produtivo sobre o mesmo. O fato concreto é o resultado (trágico, em todos os sentidos) e a sociedade precisaria precatar-se contra estas reais possibilidades de seus membros – Lei de Murphy! Eu acho absurdez uma escola ou qualquer instituição ou local onde se aglomera pessoas, a qualquer título, que não disponha de aparatos de segurança das gentes, em diversos níveis. Eu, que não sou especialista, sempre tenho ‘mentalidade de espião’ (quem não viu aquela película, “Identidade Bourne”?) quando estou em aglomerações e fico a imaginar o que eu poderia fazer em caso de grave crise, ou de atentado, de baralhada, etc. O que constato é que a maioria dos lugares nesta brazólia carece de condições mínimas de suporte a pessoas, como áreas de escape apropriadas, informações sobre ‘como proceder em caso de’, etc. Somos um país com muito amadorismo, em se tratando de administração pública (para não falar do resto... eu, que sou da área da educação, nem me atrevo a comentar ali coisas as mais comezinhas... ).

          O fato concreto é, depois de tudo ocorrido, como ficarão as famílias destroçadas, as crianças sobreviventes (que moram numa cidade onde violência em suas diversas formas ocorre em maior profusão em comparação com as demais) que presenciaram os acontecimentos ou que estavam perto, os profissionais que cuidavam delas, etc. Confesso que, como muitos, me emocionei diversas vezes, pois como não pensar nos meus filhos e netos (Lívia com idade praticamente igual às das crianças brutalizadas) e, nesta conjuntura, como são insondáveis os desígnios divinos, em especial no que tange à minha pessoa. Somos tão frágeis; o Pai nos consumiria com menos de um estalar de dedos, se quisesse! Quedo-me com o rosto por terra pela magnificência de sua Soberania; nem tenho como razonar sobre tudo de modo claro, sinto-me impotente em todos os sentidos.

2. Somente nove semanas de aula temos, para terminar este semestre letivo. Costumo dizer que o tempo ‘passa mais depressa’ para quem mais se envelhece. A cada dia vejo mais e mais se confirmar esta minha observação, pois as aulas parecem ter começado ‘outro dia’!... Tenho o costume de acordar e dizer, enquanto abro a janela e vislumbro a criação de Deus, ‘mais um dia perto da morte!’ (Ruth detesta quando digo isso - será que ela tem medo de morrer?; bobagem!...) mas digo a frase como agradecimento ao Pai Celeste, pela graça (e encargo) de viver aqui mais um dia, com todo o enfado e cansaço que, dia-a-dia, se avolumam. Penso como Paulo, que assumia ser graça maior o estar com o Cristo, se privilegiado assim fosse... Mas o Pai nos quer estar por aqui; façamos de tudo, em disciplina e ordem!

3. Gosto de ler e, mais ainda, de reler certas obras. Tenho este costume desde moço. É a terceira vez que releio “O que estão fazendo com a Igreja”, de Augustus Nicodemus Lopes (Teólogo e Chanceler do Mackenzie), Ed. Mundo Cristão, SP, agosto de 2008, 201 páginas. É tiroteio para todo lado, principalmente contra os liberais. É o prolífero escritor, creio, um lúcido comentarista do movimento evangélico nacional, e fiel às suas convicções.

          Ele escorrega um tanto quando esquece que certos temas não podem ser considerados de modo superficial (como no capítulo 21, sobre casamento e divórcio), simplista, reducionista, o que nos leva a violar certos valores, como a caridade. Em todo caso, sei que é mais ‘fácil’ ou tentador observar que um perneta não corre bem quando temos as duas pernas... Eu agradeço a Deus ter estudado Psicologia, o que me faz mais humilde nas apreciações sobre os defeitos ou imperfeições dos outros, pois 'cada caso é um caso', mesmo que não sejamos relativistas ou liberais ou libertinos. Mas recomendo firmemente o livro a todos. Leitura obrigatória a qualquer reformado que efetivamente sabe da contribuição de Calvino.

sábado, 2 de abril de 2011

Meu menino...


          Este é o José Geraldo menininho... Que saudade! Outro dia me ligou e disse que vai me dar outro neto. Que coisa boa, pena que vai ser mais uma alma a vicejar longe deste avô... Meus planos futuros (aposentado...) incluem visitar sempre esta meninada, para não ficarem com má imagem da minha pessoa, pois se depender de certa avó... 

          Ele foi sempre ótima pessoa enquanto comigo esteve. Rapaz valente e decidido. Afetuoso, criterioso e ordeiro, sempre escutava o conselho dos pais. Realizou trabalho missionário de dois anos pela sua Igreja (Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias), tendo terminado as tarefas com honras. Lidera sua família de acordo com o Evangelho, coadjuvado pela sua especial esposa.

          Estive em seu casamento, lá em Salt Lake City, estado americano de Utah. Voltei lá  para conhecer meu primeiro neto, Drake. Como já disse em crônicas passadas, espero visitar ainda muito aquela localidade, muito bonita e com gente muito acolhedora. 

          Que falta nos faz a convivência familiar! A vida admoesta nossas faltas de modo impiedoso, por vezes. O insidioso, pela nossa fraqueza e pequenez, é que, aprendidas as lições, o passado não se nos retorna, de modo a reabilitar as oportunidades perdidas, as riquezas disperdiçadas, o tesouro desprezado, como que considerado com desapreço...

          O interregno da convivência estabelece por vezes inexorável 'falta de jeito' entre as pessoas. Quando nos falamos, JG e eu, fica sempre algo por dizer; sinto que pareço ao meu filho um ser estranho, desconhecido em muito. No entanto, eu morreria feliz por ele, doaria  a ele qualquer órgão que ele precisasse para continuar sua vida... Oro sempre por ele, sua família e suas irmãs.