quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Do velho embate entre Religião e Ciência...

Volta e meia vemos na mídia (e, para os interessados, especialistas e estudiosos, também em seus respectivos fóruns acadêmicos) pessoas perpetrando comentários sobre o dito embate acima citado. Eu sempre gostei do tema da Psicologia da Religião (uma interface entre estas duas áreas, obviamente mais focada no âmbito científico) mas sempre soube conciliar este mundo com a da vivência de uma religião (minhas raízes são cristãs, do Catolicismo Romano). Tento escolher bem as palavras, pois sei o quanto elas são 'perigosas' para efetivamente transmitir o que pensamos. Como não sou nenhum Affonso Romano de Sant'Anna (recomendo-lhe dele uma obra muito legal de se desfrutar - 'Tempo de Delicadeza', Porto Alegre: L&PM, 2009) um Saramago ou Machado, "todo cuidado é pouco"... (perdoe o lugar comum, mas na minha idade não precisamos mais ter tanto escrúpulo assim!! - aqui, bem, veja só, o Dicionário Aurélio Sec XXI eletrônico, sobre escrúpulo, das 3 acepções, refiro-me precisamente  à primeira - 1. hesitação de consciência, remorso... Mas concedo que, das outras 2, delicadeza de carater, senso moral, zelo, destes não abro mão).

Mas voltando, dos 16 livros que li sobre o assunto, um pouco tardiamente em relação ao rebuliço observado na mídia em seu auge - gosto de deixar a 'poeira assentar', para não ser influenciado - vejo que os querelantes por vezes se pronunciam com inusitado ímpeto... Vejo também que são poucos os que conhecem efetivamente os dois lados para, efetivamente, fornecer uma contribuição polida, como convém. Ora, qual a razão de se gastar a pena com tal tema se não for para contruir 'pontes' entre estes saberes? O número de diatribes é enorme, o que nos faz, quase, arrepender de ter investido alguma soma na aquisição do papelejo. Acabo mais lendo críticas das críticas, o que acaba sendo divertido.

Mas creio que, modestamente, eu obtive uma boa estratégia para não ter qualquer aproximação viesada (o que leva, seguramente, a mal-entendidos e radicalizações...) sobre tão complexa temática - o que aliás procuro, desde a faculdade, seguir para meus estudos e mesmo, creia, nas minhas deambulações... Estudando Psicologia, vi como a Linguagem (um acontecimento incrível, complexo, verdadeiro horror dos polifóbicos) é o fenômeno que subjaz em qualquer manifestação humana. Investi um bom tempo tentando entender suas nuanças, posto que, inclusive, para o fazer psicoterapeutico com a clientela, este entendimento é fundamental. Obviamente, meu treinamento acadêmico em Metodologia Científica e em Métodos e Técnicas de Pesquisa ajudou em muito também a manter um espírito mais desarmado e buscador da Verdade, não tanto das verdades ilusórias a que somos submetidos a toda hora...

Esta idiossincrática estratégia consiste em assumir, em princípio e a princípio, que todas posições e discussões, 'no fundo',  são confrontos de narrativas, de discursos,  de plano eivados ("nossa!", esta palavra é 'pesada' - ainda que me pareça apropriada para o que penso), ou melhor, continuando, de plano plenos de valores e posições assuntíveis e assuntivos, o que faz sempre periclitar  qualquer debate que se pretenda isento. Poucos, não importa o lado, conseguem sucesso nesta empreitada.

Poderia tecer aqui considerações metodológicas, teóricas, filosóficas, sobre o tema, mas somente conto, superficialmente, 'o milagre, não conto o santo'.  Para não ser leviano, em resumo, digo que uma pessoa, pode, sim, abrigar em si diferentes narrativas, basta ser coerente, e não ficar impingindo 'idiomas' peculiares de certa seara em domínios que praticam outras linguagens. Para discutir linguagens, respeitemos as regras do jogo (deste jogo...). É, creio, eu, o que muito estudioso esquece de fazer.

(P.S. de 13 de setembro de 2010 - vejam em http://blogdasciam.blog.uol.com.br a postagem de 03/09/2010 que Ulisses Capozzoli - Editor da Scientific American Brasil - escreveu sobre este tema, comentando o novo livro de Stephen Hawking - The Grand Design. De um modo geral, temos nesta revista um bom painel do que acreditados cientistas pensam sobre este embate...)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dia dos Pais - "salvo pelo gongo" !

Menos pior... graças aos céus não foi tão triste assim meu dia dos pais: meus filhos me ligaram para conversar; José Geraldo, graças ao milagre do Skipe, ficou falando comigo dos Estados Unidos quase por uma hora;  Marilia deixou recado na secretária eletrônica, pois me ligou duas vezes em horário que estávamos na Igreja... e deixou e-mail também. Mariana mandou um e-mail, o que é grande progresso (ela que, aparentemente por influência da mãe) resolveu me colocar em certo ostracismo... Perdoada está, querida, desde sempre. Foste minha primeira filhinha, adorada, delicada como uma boneca de porcelana, com pele tão fina e brancosa como a aurora rosicler... Agora que ela vai ter nenê (Nicole) vai poder averiguar como sofremos no Paraíso (não é só mulher não...), em silêncio por vezes lacrimante...

Livia me ligou à tarde, depois de tentar cedo (quando estávamos no labor dominical). Cada dia fica mais moçinha, linda e educada, em todos os sentidos. Soube que ela ligou até para meu pai, avô dela. Quem disse que os pais não se realizam nos filhos?

Mas o ideal seria receber o abraço apertado, ouvir, 'em pessoa', aquelas palavras que, a cada dia, ficamos mais carentes delas,  e que pelas quais trocaríamos, de bom grado, nosso maior tesouro... Mas deixemos de lado estas lamúrias, que pode pegar mal... mas esta tal inclinação a cada dia mais teima se instalar em nosso velhentado espírito, com velicativa contumácia...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dia dos Pais ou desabafo...

Ontem foi mais um dia dos pais, triste, pois não convivo com meus filhos, 'roubados' de mim pelas ex-esposas... (que anacronismo pérfido esta prática de achar que só mulher que cuida bem de filhos... mas 'quê fazer', é o costume!). O mais obnóxio de tudo é a ilusória crença que estas viragos possuem de achar que tem o direito de atrapalhar, melar a vida do pai com as crianças... Muito lamentável tudo isso. Como sou observador treinado, constato as práticas que por vezes estas infelizes realizam, lançando diuturnamente todo tipo de impostura, fábula ou ficção (a respeito dos pais) sobre as mentes das inocentes pessoinhas, condenando-as muitas vezes a serem miseráveis neuróticas como elas, acreditando que, com isso, purgam suas culpas pelas nefastas consequências de seus caprichos, passados ou presentes... Cada caso é um caso, sei de mulheres santas, que reagem inopinadamente à violência dos seus antagonistas, mas estes movimentos são tão velhos como a própria humanidade, oriundos de nossa natureza decaída, desde Adão, condenando todos os genitores, culpados e inocentes, ao desterro da convivência com a prole, sendo a idéia de rebento para estes pais algo quase virtual, posto que intangível, no mais das vezes. Vejam no noticiário da mídia, sedenta de sangue e miserê o estrago que a falta de Fé em Deus (pois só isso para nos manter sãos neste quase lodaçal de paixões) por vezes realiza nos corações dos envolvidos, as crianças no meio. É muito triste; vemos casos de homens que, ex autoritate legis, tem que se submeter a esbulho vil, aos desmandos de mulheres, sem lídimo direito de convivência com o objeto de seu amor. É castigo muito penoso...