sexta-feira, 24 de julho de 2009

Projeto com o Asilo São Vicente de Paulo

Meu Centro Universitário incumbiu-me de executar, juntamente com outro colega docente e quatro estagiários(as) - dois do curso de Psicologia e dois do curso de Educação Física - um projeto de estimulação psicomotora e cultural com os asilados desta modelar Instituição de São João da Boa Vista. Eu já havia trabalhado anteriormente no outro centro universitário de nossa querida cidade com esta população e havia apreciado imensamente. Agora os céus me abençoam com esta nova empreitada. Quão realizador verificar que, paulatinamente, diversos idosos embotados, tristes ou alienados tornam a relacionar-se, a sorrir, a participar ativamente das tarefas, a esperar por nossa visita, sabendo todos os nossos nomes e dizendo o que gostariam de fazer no dia... Iniciamos as atividades à tarde (vamos 2 vezes por semana lá, por duas horas cada) ouvindo/acompanhando com palmas algumas músicas dedilhadas ao violão pelo nosso bardo, um dos alunos. Ato contínuo fazemos ginástica adaptada à terceira idade, dinâmicas e jogos. Dando prosseguimento às atividades, realizamos estimulação psicomotora fina (p. ex. colagens, montagens, recortes, desenhos, etc.) e encerramos a jornada com esquetes ou dança (como eles adoram dançar!) - um forró, xote, bolero ou samba tradicional. Mas o que mais nos move é o carinho com que meus prestativos alunos brindam às atividades e aos idosos, complementando os amorosos cuidados com que as Irmãs religiosas, as voluntárias e as atendentes propiciam aos idosos, a maioria com deficiências sensoriais, motoras ou intelectuais, oriundas da idade avançada. Há muitas décadas, quando era um mero petiz, incentivado pelos meus queridos pais, eu costumava visitar a Casa das Crianças de Rio Claro (entidade para acolhimento de órfãos e carentes) e depois, mais velho, como vicentino - membro da Sociedade São Vicente de Paulo (Conferência de São Dimas, de Rio Claro, SP) - a cadeia pública do município. Quantas lições de vida aprendi nestas vivências todas, que marcaram indelevelmente meu caráter e influenciam minha vida até hoje. Como é bom trabalhar para o próximo em situação mais necessitada que a nossa - faz-nos mais humildes e menos pretensiosos...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Bilú, a mulher...


           Muitos dirão que agora 'apelei'. É que minha esposa acaba de me assanhar aqui no escritório que tenho no apartamento. Se não houvesse uma Ruth teria que inventar uma. Que conjunto de virtudes e idiossincrasias. Quantos fãs ela tem! Difícil alguém não se apaixonar pela sua personalidade. As escrituras sagradas dizem ser um dom de Deus ter uma boa esposa e eu o sei quanto é verdade. Uma companheira que desmerece este epíteto desgraça inapelavelmente o vivente, sem dúvida. Pois eu me considero um renascido, um resgatado, um restaurado no matrimônio desde que conheci a Ruth, e isto aos 50. Ela sabe o que significa realizar uma parceria conjugal - configurar existencialmente uma dupla, uma equipe em todas as dimensões. Tarefa complexa dizer o quanto suas qualidades facilitam a diuturna tarefa de compartilhar. Mas sei que pouco seria nesta esfera atual se não tivesse sua assistência e amizade desinteressada. Sim, sou um apaixonado, ainda, daqueles que sentem um frio na barriga quando vê a amada de repente, ou se emociona quando a vê trabalhando e espalhando seu charme. Sabe, estamos planejando como vai ser a comemoração de nossas bodas de prata, daqui a 20 anos. Quem viver, verá.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Mudanças...

Estou me lembrando de uma grande amiga que há muito não vejo - a Vó Cotinha. Ela era avó de uma ex-namorada, e era uma finíssima dama, na verdadeira acepção da palavra. Precisaria de muitas páginas para descrever suas virtudes (que se espraiavam em múltiplas dimensões, desde as gastronômicas, passando pelas interpessoais, até as espirituais...), mas a que mais gostava era a sua sedutora jovialidade, do alto dos seus mais de 70 anos. Espirituosa também, e por um de seus luminosos comentários me lembrei de sua adorável pessoa. Ela disse que nos anos de sua meninice em Taubaté, haviam tão poucas pessoas a vagar pelas suas ruas poeirentas que ela, à época de nossas conversas (1979-1980...), se admirava como a cidade havia crescido e quanto os costumes haviam mudado. Relatava que havia visto valores de cinco gerações - da avó, da mãe, os da sua própria, a dos filhos e, à época, a dos netos (e se estiver viva, agora a dos bisnetos...) e que tal maravilha causava espantosa espécie. Estou agora no mesmo patamar experiencial e espero ver meus bisnetos. Eu, que via somente tv branco e preto na infância e música em bolachões 78 rotações, vi surgir o computador pessoal, algo banal nos dias de hoje; surpreendo-me como a tecnologia avançou, e quem sabe o que mais verei ainda! Mas o ponto que quero chegar é que (e digo isso facilitado pelas experiências que tenho a partir de minhas profissões), paradoxalmente a estes tempos ricamente 'tecnocráticos', os jovens de hoje aparentam estar mais e mais necessitados daquelas instruções vivenciais que eram tão caras a nossos genitores antigamente - a urbanidade e virtudes ditas 'espirituais' - especialmente esta, como aquela dimensão que dá a 'liga' a outras tantas habilidades e competências que a técnica aparentemente supre hoje, mas que faltam ao completo e harmônico/equilibrado existir num mundo cada vez mais caótico... O problema hoje é que temos tantos 'gurus', livros e informação, que os verdadeiros critérios para discernir esta barafunda estão embaralhados e indiscerníveis dos 'maus' critérios. Neste âmbito, como crítico exemplo, nem a religiosidade mais é veiculada nos meios de comunicação de massa como um referencial crível, dada a polifacetada expressão. É lugar comum referir-se aos 'bons tempos' (o que é uma certa ilusão de veros macróbios...) mas, ao contrário de alguns amigos meus, não gostaria de ser jovem nestes últimos dias...