domingo, 1 de março de 2009

Receita de um café especial.

Tenho um costume já estabelecido em meu casamento – fazer o café matinal de Ruth. Não entendam mal – não é obrigação, e sim ato de amor, que se estabeleceu sem que palavras fossem necessárias. Ela me brinda com tantas coisas que até que faço pouco por ela (concedo sempre às representantes do belo sexo: a mulher vive muito bem sem o homem; este sem a mulher não vive), mas não é de ‘trocas’ que falo aqui, é cortesia, ações-de-quem-gosta, concretudes, ausência de só-discurso. Pego o café em grão, premium, de Minas, duas precisas porções de uma medida já padronizada – uma ‘colher’ de plástico em forma de ‘v- e pulverizo-o num moedor só a isso destinado. Enquanto isso, escaldo a canequinha de porcelana que ela aprecia (deixando dentro da mesma uma colherinha de prata que servirá para mexer o açúcar). Se eu não fizer a bebida na nossa máquina doméstica de café expresso, coloco então a água filtrada (proveniente do pote de barro que a mantém suavemente oxigenada e descansada) no compartimento inferior do bule de café, bule este específico para café rápido aquele tripartido que faz a água ebulir rapidamente da parte inferior para o depósito superior, passando por um filtro, também de alumínio, onde repousa o pó, já previamente ali depositado. Antes de se colocar o equipamento ao fogo brando, estas 3 partes do bule são firmemente rosqueadas entre si pela porção medial, conferindo certa segurança na operação. Ao escutar-se a água esgotar, apaga-se o fogo, retira-se a água quente da canequinha, coloca-se o ebúrneo açúcar cristal na medida certa e deposita-se gentilmente o precioso néctar até o segundo terço. Serve-se em salva de prata com um toalhete de papel sedoso, adornado com um beijo, sem precisar perguntar se ficou gostoso, pois sempre se sabe a resposta. (P.S. - não tomo mais café - nem vinho, que eu gostava, por problemas de saúde. Um dia comento...)